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Diga NÃO ao desmame abrupto.

Algumas pessoas tem a idéia errônea que o melhor jeito de desmamar é colocar pimenta, losna, ruibarbo ou qualquer coisa desgostosa no peito. Ou então, desaparecer e deixar a criança sem o peito (e sem a mãe) por dias. Ou dizer que o seio está machucado.

Vou repassar um trechinho do texto que a Andréia Mortensen (moderadora das comunidades 'GVA' e da 'Soluções para noites sem choro') elaborou aqui no GVA. Dêem um pulo lá, está recheado de links e textos úteis.


Diante a tantos relatos de desmames abruptos e precoces que não resultam em melhoria no sono, pelo contrário (na comunidade ‘Soluções para noites sem choro’), resolvi agrupar informações sobre desmame abrupto e possíveis consequências para a mãe e a criança. Espero que sirvam para reflexões gerais na comunidade.

desmame abrupto é extremamente traumático para toda a família e isto infelizmente ainda é comum: algumas mães deixam de dar o peito de uma hora para outra, com soluções drásticas como dormir fora e deixar a criança aos cuidados de parentes, aplicar produtos desagradáveis nos seios para que a criança os rejeite pelo gosto ou ainda com mentiras, enganações e choques visuais, como exemplo usar um band aid nos seios e dizer a criança que estão machucados.

A amamentação é algo TÃO importante na vida da mãe e da criança, foi o início de comunicação entre mãe e filho, foi fonte de nutrição, de afeto e não deve terminar de uma maneira brusca, com artifícios, enganações, mentiras, fazendo com que a criança talvez se sinta culpada por ferir sua mãe. Essa é uma responsabilidade e culpa enormes que são transferidas para o filho no evento de um desmame repentino.

Quando perde o peito de repente, a criança se sente desolada, sofrendo uma perda, pode se sentir rejeitada pela mãe, gerando insegurança e muitas vezes rebeldia. A perda repentina do seio materno pode causar trauma emocional na criança, já que amamentação não é somente fonte de nutrição para o bebê, mas fonte de segurança e conforto emocional também. Não há absolutamente como explicar a um bebê que repentinamente não pode mamar mais.

Desmames abruptos não permitem que ambas partes físicas e emocionais de mãe e filho sejam trabalhadas gradualmente. Por outro lado, ao promover um desmame gradual pode-se compensar aos poucos outros tipos de atenção para compensar a perda do contato íntimo da amamentação.



Na mãe, o desmame abrupto pode resultar em ingurgitamento mamário, bloqueio de ducto lactífero e mastite, além de tristeza ou depressão, por luto pela perda da amamentação ou por mudanças hormonais. Depressão pode surgir por um decréscimo abrupto dos níveis hormonais maternos, portanto mães com história anterior de DPP devem especialmente atentar para as consequencias de um desmame abrupto.


O desmame deve ser natural, consensual, em acordo entre mãe-filho, isto é, haverá um tempo e um ritmo próprio, um período da vida da mãe e do filho em que ambos aprendem a dar e receber alimento, aconchego e a se comunicarem de uma maneira nova, que não com os seios. São portanto três elementos a serem considerados de grande importância na amamentação: nutrição, afeto e comunicação. Quando ambos três itens estão plenamento supridos sem a amamentação num processo de autonomia e maturidade vindo da criança, um desmame gradual pode ser promovido.

Em outras palavras, deve ser resultado de uma maturidade da criança e não uma imposição da mãe ou de outros familiares ou conhecidos, ou ainda médicos.

No segundo ano de vida a criança necessita de vários estímulos, brincar, cantar, dançar, adquire destrezas motoras, e começa o linguajar, que é uma forma poderosa de comunicação. Quando uma criança está em um ambiente seguro, rico em estímulos, recebe carinho e atenção também do pai, ela está mais apto ao desmame total com facilidade.


Em termos de desenvolvimento, um desmame antes de 2-3 anos é precoce, o bebê ainda precisa mamar, ainda está em processo de individualização, ainda está na fase oral, os benefícios são muitos, enquanto que a troca por objetos para saciar a necessidade oral não apresenta vantagem alguma.

As consequências para o cérebro em desenvolvimento de um bebê que é submetido a mudanças permanentes e abruptas, com interferência de estranhos, choro sem consolo, negação de afeto e as violência emocional podem ser drásticas.




4 comentários:

Vania&Bia disse...

Olá,
tenho uma bebe que fará 02 anos agora 19/09/11, No dia 07/09 iniciei minha tragetória de desmame com o argumento que o peito estava ferido. Na primeira noite, foi terrível.Ela sentiu muito e eu também. No 2º dia teve febre, e o pior eu tinha que trabalhar. no 3º febre e alta (39º) corri pra emergencia e o pediatra disse que afebre emocional abaixa a imunidade. Hoje, domingo, e ela o tempo todo pedindo o "gagau", eu sem saber o que fazer, decidi pesquisar o tema no google. E me deparei com seu blog que me tocou imensamente. Estava fazendo da maneira errada, pois ela já estava perguntando: mamãe o gagau tá dodói?? Não resisti... chorei... e decidi voltar a dar o gagau pra minha bebe que está tão fragilizada e também doentinha, com febre constante. OBRIGADA pela dica tão valiosa.

Unknown disse...

Meu filho tem 1 ano e 2 meses.Amamentei-o exclusivamente até os 5 meses. Depois comecei a inserir outros alimentos até pq precisei voltar a trabalhar.Fui muito feliz na amamentação. Não tive problema algum.Hoje ainda amamento 3x ao dia. Porém agora está difícil, pois meu bebê tem feito meu seio de chupeta , principalmente a noite. Meu esposo tem me ajudado muito,estando mais com ele e fazendo-o dormir . Até pensei em passar Ruibarbo hoje. Mas depois que li o texto da Andréia, vou repensar sobre o assunto.

Unknown disse...

Nossa li essa materia e me senti a pior mae do mundo ! Minha filha tem 1 ano e 6 meses e descobri uma nova gravides a minha Go me mendou desmamar ela d imediato ! Entao optei por usar o ruibarbo e minha filha ta o dia todo sem pedir peito !

elisete alexandrini disse...

Tirei meu filho com 10 meses com mt facilidade e com orientação médica que já no consultorio disse a ele que o mamá da mamãe tinha acabado e que a partir de agora ele iria comer comida ( detalhe: ele só queria mamar e não comia direito). Ela me orientou a dizer o mesmo à ele cada vez que ele procurasse, "o mamá da mamãe acabou, não tem mais mamá" e pediu ao meu marido para ele dar a mamadeira. Meu bebê nunca tinha aceitado mamadeira e nesse mesmo dia quando viu que realmente não ia ter mais tete, acabou aceitando e dormiu a noite inteira procurou só mais uma vez, repeti o que a médica falou e sem mais problemas. quanto ao meu peito esvaziava um pouco debaixo do chuveiro morno até que foi diminuindo aos poucos.
Sou a favor do amamentar até qd a criança quiser desde que não se torne um problema para mãe ou para a criança. É preciso ter bom senso.

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