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Bakugan quem?

Gabriel já teve vários ídolos. Desde muito ganhou vários bonecos de ação, batman, homem-aranha, super-homem, power rangers. Teve uma longa fase em que o Pablo (do Backyardigans) foi seu 'amigo' (o Pablo é versão pinguim azul do Biel). Tietagem essa ajudada por mim - dos Backyardigans, há uma coleção de DVDs e livros, além de boneco de pelúcia e outros itens.

A uns meses atrás, ele chegou falando do 'Raio Gato'. Sabe quem? Nem eu. Ele é vermelho e poderoso.
Depois ele chegou com um tal 'Bakugan'. Bakugan daqui, Bakugan de lá. Sabe quem é? Googla. Sim, não é o amigo imaginário, é um personagem de um desenho enlatado qualquer que passa em um canal aberto qualquer. Levei semanas para descobrir.

A gente esquece que o poder da mídia sobre as nossas crianças. Simplesmente não é possível se esquivar apenas impedindo o acesso à propagandas apelativas ou desenhos, ela está lá, como objeto de desejo de uma criança que não sabe o que é. Uma criança é um alvo perfeito, ela ama o produto e ainda faz campanha para outras, numa espécie de viral. Bem cruel, diga-se de passagem.

Maior parte das vezes, Biel passa pela corrente e sai ileso. Algumas vezes não, e eventualmente um desses 'pseudo objetos de desejo' são comprados. Não me iludo que o brinquedo o fará mais confiante, mais realizado: mas um presente, um agrado, faz tão bem pro ego.

Mas o brinquedo já está lá, junto com todos os outros. Acho que ele parece gostar mais de trocar de Bakugan com os amigos do que do Bakugan em si.
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Nem sempre é fome!

Eu tô meio cansada dessa coisa de deduzir que todo choro persistente é fome.

O bebê é tratado como um enorme sistema digestório: se chora, é fome, gases, cólicas intestinais. No bebê amamentado então, onde não se vê o leite 'entrando', não dou 3 minutos para aparecer uma santa alma tentando te ajudar: dá mucilon, dá NAN, teu leite é fraco, vc tem pouco leite, teu leite secou.

Quando eu não era mãe, achava que as pós-maternidade tinham um dom superior de adivinhar o que os bebês sentiam pelo choro. Ah, uma sede (água na mamadeira), fome (leite com mucilon na mamadeira) e pronto, chupeta, bebê quieto. Mal sabia eu que mamadeira e chupeta são mascaradores de necessidades reais.

O fato é, depois de alguns poucos meses é possível identificar a maior parte das vezes necessidades, mas apenas de seu PRÓPRIO bebê. Mas haverão vezes em que não faremos idéia do que a bolinha chorona precisa e, enfim, esses dias passarão.

Mas, se seu filho chora mais do se espera, acorda já chorando, verifique a quantidade de sonecas. Bebês com sono e cansados choram, choram, choram, e pasmém, dormem pessimamente. Antes de acreditar que o leite do peito 'acabou' ou que é pouco, verifique se o bebê dorme o suficiente. Qualquer coisa, passem na Soluções.

Bebê que dorme pouco pode até mamar 'mal' e engordar pouco. Agora, tascar uma mamadeira de NAN só vai fazer seu filho ficar estufado e desmaiar para fazer essa digestão. Não é porque a mamadeira 'resolveu' que o problema era fome!
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A cólica - Por Dr. González

Os bebês ocidentais costumam chorar bastante durante os primeiros meses, o que se conhece como cólica do lactente ou cólica do primeiro trimestre. Cólica é a contração espasmódica e dolorosa de uma víscera oca; há cólicas dos rins, da vesícula e do intestino. Como o lactente não é uma vesícula oca e o primeiro trimestre muito menos, o nome logo de cara não é muito feliz. Chamavam de cólica porque se acreditava que doía a barriga dos bebês; mas isso é impossível saber. A dor não se vê, tem de ser explicada pelo paciente. Quando perguntam a eles: “por que você está chorando?”, os bebês insistem em não responder; quando perguntam novamente anos depois, sempre dizem que não se lembram. Então ninguém sabe se está doendo a barriga, ou a cabeça, ou as costas, ou se é coceira na sola dos pés, ou se o barulho está incomodando, ou simplesmente se estão preocupados com alguma notícia que ouviram no rádio. Por isso, os livros modernos frequentemente evitam a palavra cólica e preferem chamar de choro excessivo na infância. É lógico pensar que nem todos os bebês choram pelo mesmo motivo; alguns talvez sintam dor na barriga, mas outro pode estar com fome, ou frio, ou calor, e outros (provavelmente a maioria) simplesmente precisam de colo.

Tipicamente, o choro acontece sobretudo à tarde, de seis às dez, a hora crítica. Às vezes de oito à meia-noite, às vezes de meia-noite às quatro, e alguns parecem que estão a postos vinte e quatro horas por dia. Costuma começar depois de duas ou três semanas de vida e costuma melhorar por volta dos três meses (mas nem sempre).



Quando a mãe amamenta e o bebê chora de tarde, sempre há alguma alma caridosa que diz: “Claro! De tarde seu leite acaba!”. Mas então, por que os bebês que tomam mamadeira têm cólicas? (a incidência de cólica parece ser a mesma entre os bebês amamentados e os que tomam mamadeira). Por acaso há alguma mãe que prepare uma mamadeira de 150 ml pela manhã e de tarde uma de 90 ml somente para incomodar e para fazer o bebê chorar? Claro que não! As mamadeiras são exatamente iguais, mas o bebê que de manhã dormia mais ou menos tranquilo, à tarde chora sem parar. Não é por fome.

“Então, por que minha filha passa a tarde toda pendurada no peito e por que vejo que meus peitos estão murchos?” Quando um bebê está chorando, a mãe que dá mamadeira pode fazer várias coisas: pegar no colo, embalar, cantar, fazer carinho, colocar a chupeta, dar a mamadeira, deixar chorar (não estou dizendo que seja conveniente ou recomendável deixar chorar, só digo que é uma das coisas que a mãe poderia fazer). A mãe que amamenta pode fazer todas essas coisas (incluindo dar uma mamadeira e deixar chorar), mas, além disso, pode fazer uma exclusiva: dar o peito. A maioria das mães descobrem que dar de mamar é a maneira mais fácil e rápida de acalmar o bebê (em casa chamamos o peito de anestesia), então dão de mamar várias vezes ao longo da tarde. Claro que o peito fica murcho, mas não por falta de leite, mas sim porque todo o leite está na barriga do bebê. O bebê não tem fome alguma, pelo contrário, está entupido de leite.



Se a mãe está feliz em dar de mamar o tempo todo e não sente dor no mamilo (se o bebê pede toda hora e doem os mamilos, é provável que a pega esteja errada), e se o bebê se acalma assim, não há inconveniente. Pode dar de mamar todas as vezes e todo o tempo que quiser. Pode deitar na cama e descansar enquanto o filho mama. Mas claro, se a mãe está cansada, desesperada, farta de tanto amamentar, e se o bebê está engordando bem, não há inconveniente que diga ao pai, à avó ou ao primeiro voluntário que aparecer: “pegue este bebê, leve para passear em outro cômodo ou na rua e volte daqui a duas horas”. Porque se um bebê que mama bem e engorda normalmente mama cinco vezes em duas horas e continua chorando, podemos ter razoavelmente a certeza de que não chora de fome (outra coisa seria um bebê que engorda muito pouco ou que não estava engordando nada até dois dias atrás e agora começa a se recuperar: talvez esse bebê necessite mamar muitíssimas vezes seguidas). E sim, se pedir para alguém levar o bebê para passear, aproveite para descansar e, se possível, dormir. Nada de lavar a louça ou colocar em dia a roupa para passar, pois não adiantaria nada.

Às vezes, acontece de a mãe estar desesperada por passar horas dando de mamar, colo, peito, colo e tudo de novo. Recebe seu marido como se fosse uma cavalaria: “por favor, faça algo com essa menina, pois estou ao ponto de ficar doida”. O papai pega o bebê no colo (não sem certa apreensão, devido às circunstâncias), a menina apoia a cabecinha sobre seu ombro e “plim” pega no sono. Há várias explicações possíveis para esse fenômeno. Dizem que nós homens temos os ombros mais largos, e que se pode dormir melhor neles. Como estava há duas horas dançando, é lógico que a bebê esteja bastante cansada. Talvez precisasse de uma mudança de ares, quer dizer, de colo (e muitas vezes acontece o contrário: o pai não sabe o que fazer e a mãe consegue tranquilizar o bebê em segundos).



Tenho a impressão (mas é somente uma teoria minha, não tenho nenhuma prova) de que em alguns casos o que ocorre é que o bebê também está farto de mamar. Não tem fome, mas não é capaz de repousar a cabeça sobre o ombro de sua mãe e dormir tranqüilo. É como se não conhecesse outra forma de se relacionar com sua mãe a não ser mamando. Talvez se sinta como nós quando nos oferecem nossa sobremesa favorita depois de uma opípara refeição. Não temos como recusar, mas passamos a tarde com indigestão. No colo da mamãe é uma dúvida permanente entre querer e poder; por outro lado, com papai, não há dúvida possível: não tem mamá, então é só dormir.

Minha teoria tem muitos pontos fracos, claro. Para começar, a maior parte dos bebês do mundo estão o dia todo no colo (ou carregados nas costas) de sua mãe e, em geral, descansam tranquilos e quase não choram. Mas talvez esses bebês conheçam uma outra forma de se relacionar com suas mães, sem necessidade de mamar. Em nossa cultura fazemos de tudo para deixar o bebê no berço várias horas por dia; talvez assim lhes passemos a idéia de que só podem estar com a mãe se for para mamar.

Porque o certo é que a cólica do lactente parece ser quase exclusiva da nossa cultura. Alguns a consideram uma doença da nossa civilização, a consequência de dar aos bebês menos contato físico do que necessitam. Em outras sociedades o conceito de cólica é desconhecido. Na Coreia, o Dr. Lee não encontrou nenhum caso de cólica entre 160 lactentes. Com um mês de idade, os bebês coreanos só passavam duas horas por dia sozinhos contra as dezesseis horas dos norteamericanos. Os bebês coreanos passavam o dobro do tempo no colo que os norteamericanos e suas mães atendiam praticamente sempre que choravam. As mães norteamericanas ignoravam deliberadamente o choro de seus filhos em quase a metade das vezes.



No Canadá, Hunziker e Barr demonstraram que se podia prevenir a cólica do lactente recomendando às mães que pegassem seus bebês no colo várias horas por dia. É muito boa idéia levar os bebês pendurados, como fazem a maior parte das mães do mundo. Hoje em dia é possível comprar vários modelos de carregadores de bebês nos quais ele pode ser levado confortavelmente em casa e na rua. Não corra para colocar o bebê no berço assim que ele adormecer; ele gosta de estar com a mamãe, mesmo quando está dormindo. Não espere que o bebê comece a chorar, com duas ou três semanas de vida, para pegá-lo no colo; pode acontecer de ter “passado do ponto” e nem no colo ele se acalmar. Os bebês necessitam de muito contato físico, muito colo, desde o nascimento. Não é conveniente estarem separados de sua mãe, e muito menos sozinhos em outro cômodo. Durante o dia, se o deixar dormindo um pouco em seu bercinho, é melhor que o bercinho esteja na sala; assim ambos (mãe e filho) se sentirão mais seguros e descansarão melhor.


A nossa sociedade custa muito a reconhecer que os bebês precisam de colo, contato, afeto; que precisam da mãe. É preferível qualquer outra explicação: a imaturidade do intestino, o sistema nervoso... Prefere-se pensar que o bebê está doente, que precisa de remédios. Há algumas décadas, as farmácias espanholas vendiam medicamentos para cólicas que continham barbitúricos (se fazia efeito, claro, o bebê caía duro). Outros preferem as ervas e chás, os remédios homeopáticos, as massagens. Todos os tratamentos de que tenho notícia têm algo em comum: tem de tocar no bebê para dá-lo. O bebê está no berço chorando; a mãe o pega no colo, dá camomila e o bebê se cala. Teria seacalmado mesmo sem camomila, com o peito, ou somente com o colo. Se, ao contrário, inventassem um aparelho eletrônico para administrar camomila, ativado pelo som do choro do bebê, uma microcâmera que filmasse o berço, um administrador que identificasse a boca aberta e controlasse uma seringa que lançasse um jato de camomila direto na boca... Acredita que o bebê se acalmaria desse modo? Não é a camomila, não é o remédio homeopático! É o colo da mãe que cura a cólica.

Taubman, um pediatra americano, demonstrou que umas simples instruções para a mãe (tabela 1) faziam desaparecer a cólica em menos de duas semanas. Os bebês cujas mães os atendiam, passaram de uma média de 2,6 horas ao dia de choro para somente 0,8 horas. Enquanto isso, os do grupo de controle, que eram deixados chorando, choravam cada vez mais: de 3,1 horas passaram a 3,8 horas. Quer dizer, os bebês não choram por gosto, mas porque alguma coisa está acontecendo. Se são deixados chorando, choram mais, se tentam consolá-los, choram menos (uma coisa tão lógica! Por que tanta gente se esforça em nos fazer acreditar justo no contrário?).



Tabela 1 – Instruções para tratar a cólica, segundo Taubman (Pediatrics 1984;74:998)
1- Tente não deixar nunca o bebê chorando.
2- Para descobrir por que seu filho está chorando, tenha em conta as seguintes possibilidades:
a- O bebê tem fome e quer mamar.
b- O bebê quer sugar, mesmo sem fome.
c- O bebê quer colo.
d- O bebê está entediado e quer distração.
e- O bebê está cansado e quer dormir.
3- Se continuar chorando durante mais de cinco minutos com uma opção, tente com outra.
4- Decida você mesma em qual ordem testará as opções anteriores.
5- Não tenha medo de superalimentar seu filho. Isso não vai acontecer.
6- Não tenha medo de estragar seu filho. Isso também não vai acontecer.

No grupo de controle, as instruções eram: quando o bebê chorar e você não souber o que está acontecendo, deixe-o no berço e saia do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando, torne a entrar, verifique (um minuto) que não há nada, e volte a sair do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando etc. Se após três horas ele continuar chorando, alimente-o e recomece.

As duas últimas instruções do Dr. Taubman me parecem especialmente importantes: é impossível superalimentar um bebê por oferecer-lhe muita comida (que o digam as mães que tentam enfiar a papinha em um bebê que não quer comer); e é impossível estragar um bebê dando-lhe muita atenção. Estragar significa prejudicá-lo. Estragar uma criança é bater nela, insultá-la, ridicularizá-la, ignorar seu choro. Contrariamente, dar atenção, dar colo, acariciá-la, consolá-la, falar com ela, beijá-la, sorrir para ela são e sempre foram uma maneira de criá-la bem, não de estragá-la.



Não existe nenhuma doença mental causada por um excesso de colo, de carinho, de afagos... Não há ninguém na prisão, ou no hospício, porque recebeu colo demais , ou porque cantaram canções de ninar demais para ele, ou porque os pais deixaram que dormisse com eles. Por outro lado, há, sim, pessoas na prisão ou no hospício porque não tiveram pais, ou porque foram maltratados, abandonados ou desprezados pelos pais. E, contudo, a prevenção dessa doença mental imaginária, o estrago infantil crônico , parece ser a maior preocupação de nossa sociedade. E se não, amiga leitora, relembre e compare: quantas pessoas, desde que você ficou grávida, avisaram da importância de colocar protetores de tomada, de guardar em lugar seguro os produtos tóxicos, de usar uma cadeirinha de segurança no carro ou de vacinar seu filho contra o tétano? Quantas pessoas, por outro lado, avisaram para você não dar muito colo, não colocar para dormir na sua cama, não acostumar mal o bebê?

Lee K. The crying pattern of Korean infants and related factors. Dev Med Child Neurol. 1994; 36:601-7
Hunziker UA, Barr RG. Increased carrying reduces infant crying: a randomized controlled trial. Pediatrics 1986;77:641-8
Taubnan B. Clinical trial of treatment of colic by modification of parent-infant interaction. Pediatrics 1984;74:998-1003

Do livro Un regalo para toda la vida- Guía de la lactancia materna,Carlos González

Tradução: Fernanda Mainier
Revisão: Luciana Freitas



Copiado daqui
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Descrições das cesáreas e partos

Quando a cesárea é boa, foi 'tranquilíssima', 'rapidíssima', 'sem dor'.
Quando o parto é bom, foi 'maravilhoso', 'empoderador', 'transformador', 'emocionante', 'sensacional', 'inacreditável'.

Compara, vai.
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As linhas tortas do desenvolvimento

Uma idéia completamente errada que temos é que o desenvolvimento das crianças é linear, previsível, sempre 'para frente' e dirigida pelos pais.

Não, o desenvolvimento não é linear. A melhor descrição são saltos; vai de dia em dia, pouco a pouco, e de repente da noite para o dia acontecem mudanças drásticas - e imediatamente antes poderiam ter episódios de 'regressão'. Três passos para frente, um para trás. Os bebês não crescem conforme o que queiramos, o que podemos é perceber certos tempos e gentilmente modificar alguns pequenos detalhes.

'Ensinar' a dormir de noite, dormir sozinho e a noite toda, 'ser independente' (seja lá o que isso signifique), mamar menos, ter rotina é simplesmente perda de tempo! Uma 'vitória' do seu jeito de ver hoje não diz nada do dia de amanhã, porque o desenvolvimento não é retilíneo; uma noite no berço não dá nem margem de garantia de que amanhã será levemente parecido.

(procure mais sobre saltos de desenvolvimento e mamadas no GVA)


Nosso papel como pais não é ter um bebê 'perfeito' aos olhos dos outros. É respeitar o ritmo próprio, é protegê-los do mundo insensível e competitivo pelos primeiros anos da infância. É limpar o caminho para que nossos filhos se desenvolvam: aprender a não atrapalhar e não deixar que atrapalhem.

Esqueça, bebês pequenos mamam várias vezes à noite, acordam, e tem um ritmo próprio - aceite isso. Eles se tornarão adultos sozinhos, não interessa o que você faça, provavelmente quebrar o ritmo só irá atrapalhar mais. Nenhum adolescente saudável reclama por ficar sozinho em casa sem os pais. Ninguém mama até os 18 anos. Ninguém chega na faculdade sem saber diferenciar noite do dia. Todos são feitos naturais, não se 'ensina' simplesmente. Podem ser levemente estimulados, mas não ensinados - interferir nos ciclos de desenvolvimentos é uma afronta ao desenvolvimento.

Não posso acreditar que ficar sem colo, ser ignorado, não ter seus sentimentos respeitados faça adultos melhores. Não posso acreditar que uma criança é mais inteligente por descobrir que não pode contar com nenhum adulto para ampará-la. Se não quisesse ter trabalho, comprasse uma samambaia.
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Os percentis

Todo mundo que tem filho já conhece as tabelas de crescimento. Se você não estava no planeta nas últimas décadas, pode conhecê-las aqui. Mas, a pergunta que vem é, como elas foram criadas? E como devem ser interpretadas? O que é um percentil, caracas?

Eu já tive alguma pouquíssima estatística na minha vida. Para mim aquilo é coisa de maluco, principalmente na hora que eu tinha que afirmar que 176 é igual a 183 (com margem de erro de x%). Oi?

Sei que eventos aleatórios independentes tendem a ter uma distribuição normal na população, isto é, tem um valor que ocorre mais, quanto mais se distancia desse valor menos ocorrências temos. Uma 'ondinha', mais alta, mais gorda, depende do evento - note que a 'onda' NUNCA encosta no eixo X, isto é, o número de ocorrências nunca vai ser zero. No google, achei esse e esse link que podem explicar.


Se pegarmos a altura de meninas de exatos 2 anos sob certos critérios (saudáveis, amamentadas exclusivamente no peito até 6 meses, etc e tal) e distribuir nesse gráfico - nº ocorrências vs altura, perceberá que a 'crista' fica no 85.6cm, e as quantidade de ocorrências das demais alturas vão diminuindo progressivamente. Explicando de outra maneira, 50% estão na linha mediana ou do lado direito; 50% estão na linha mediana ou do lado esquerdo. 





Também não é muito difícil determinar as outras linhas: uma para 5%, para 10%...95%. É apenas um xunxo gambiarra artifício técnico com ajuda de umas tabelas mirabolantes dessas (não ousem me pedir para lembrar).

Tá, lindo - você pensa. Mas as tabelas que vemos não tem NADA a ver com essas. Pense, ter uma tabela de ondinha dessas para cada dia da vida da criança seria uma afronta ao meio ambiente, então elegeu-se uns pares de 'percentis' e se desenhou todos num gráfico, mais ou menos assim:


Ali representamos os percentis 3, 15, 50, 85, 97. É fácil pensar só na linha verde, o percentil 50 (a linha mediana). Eles pegaram os valores da linha mediana em todas as ondinhas, e desenharam a curva; e o mesmo procedimento para todos os outros percentis. 

Se seu filho tem o peso exatamente na linha '15th', quer dizer que 15% das crianças saudáveis tem o peso dele ou menos. Gente a beça, diga-se de passagem. 

Sobre a interpretação da tabela, leiam esse tópico no orkut, esclarecedor.




Das perguntas e do tempo

Leonardo tem quase 1 ano e 5 meses. Seguindo os passos do irmãozão, se interessa agora pela linguagem, repetindo palavras simples e curtas. Mas Leonardo fala leonardês fluente, boa parte do dia. E o mais incrível é que certas vezes é claríssimo o que ele diz 'quero aquele' ou 'olha o que tem ali'; as perguntas são um capítulo à parte, a entonação perfeita. O tatibitate dele é perfeito, completo, pena que só entendo o significado raramente.

Gabriel tem quase 5 anos, uma idade concreta. Misto de papagaio com vitrola, engoliu tudo isso antes dos 3 anos e nunca mais ficou quieto, uma espécie de doença geneticamente transmissível. Fala, fala, fala, e nos intervalos, fala mais um pouquinho para descansar. Biel sabe os conceitos de passado, presente e futuro, representados por ontem, hoje e amanhã; explicações para ele são dispensáveis e inúteis, ele é enfático em afirmar 'amanhã é OUTRO DIA, outro dia é amanhã!'. Uma verdade absoluta e linda, diga-se de passagem.

As crianças sabem falar a própria língua e viver no próprio tempo.
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