Quinze meses.


Para A.

Aos 15 meses, seu filhinho é um toddler. Nem de longe é aquele bebezinho de quando ele tinha 9 meses, não é? É um período que nossos filhinhos estão em crise, porque se sentem tãaaaaao poderosos e destemidos ao mesmo tempo que se sentem tãaaaaao desprotegidos do mundo.

Bom, eu vou falar o que eu fiz. Cada pessoa e cada família tem uma dinâmica diferente, e sempre muda.
Tudo o que eu fiz foi aceitar que, bom, filhos crescem. Eles não vão ficar implorando grudados na minha perna o resto da vida, desde que eu seja uma mãe minimamente boa. Então, acreditando que crianças vem ao mundo pra dar certo, e que a maioria dos adultos são gente boa mesmo tendo péssimas mães, eu deixei que o tempo fizesse o milagre por si próprio.

Escolha as batalhas que valham a pena. Não dá pra viver em pé de guerra; se você puder atender o pedido a criança sem passar por cima das regras de ouro da casa ou que lhe machuque, faça isso. Guarde suas energias para o que é perigoso ou que realmente afeta. Acho que ter quando temos um novo morador em casa vindo diretamente do reino-dos-ogrinhos, a opinião dele deve sempre ser ouvida. Assim como todos os demais da casa.

Para as batalhas que valem, a única coisa que te recomendo é o que está aqui e aqui. Digamos que lhe irrite profundamente só ir ao banheiro com companhia (é algo que não me incomodava). Então o diálogo poderia ser assim:
- Nenê, mamãe vai no banheiro. Mamãe banheiro. Espera. Espera aqui (fazendo sinal com a mão).
Aí você provavelmente vai entrar no banheiro e ter uma criança aos berros no corredor. Ok. Na hora que você sair, você poderia falar.
- Nenê bravo, muito bravo. Nenê banheiro, nenê quer mamãe. Nenê quer mamãe banheiro, nenê banheiro. (reflita com linguagem corporal um pouco de como a criança se sente, para demonstrar que você entendeu).

E só. Não se afete *muito* pelas coisas que você não pode dar (ou não quer dar). Mas sempre faça questão de mostrar que você entendeu, que ele é compreendido. Nas primeiras vezes a gente acha difícil, se sente envergonhado, a criança não entende. Mas a gente vai pegando o timbre, vai pegando a quantidade de repetições, tamanho de palavras e frases, entonação.. e de repente, seu filho olha pra você com cara de 'isso mesmo! Agora você entendeu!'. Se sentir compreendida diminui uns 80% das 'birras'.

E hoje, o toddlerese é tão fluente aqui em casa que até o filho mais velho usa com o caçulinha rs. Vai por mim. Dicona.

1 comentários:

Mari Moscou disse...

Cintia,
gosto bastante do teu blog, mesmo não tendo filhos! Sou da área de educação e sempre me interessei pela experiência empírica das mulheres e homens criando seus filhos. Parabéns, o blog é muito rico!

Só queria comentar uma coisinha... Eu, pessoalmente, não acho legal chamar o nenê de Nenê. Fiquei em dúvida se é isso que você está sugerindo ou se usou "Nenê" como um nome genérico pra não dizer o nome do seu filho, por exemplo...

No pouco que conheço de pedagogia (trabalho em educação mas em sociologia da educação, é meio diferente) e da experiência de ter sido professora em pré-escola, penso que é mais legal pra formação da criança chamá-la pelo nome e ensina-la a chamar todo mundo pelo nome. Não pela idade (nenê, criança, adulto), nem pelo título (faxineiro, garçom, etc). Muito menos chamar professora de tia...

:)

Fica a reflexão!

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