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A angústia da separação ou crise dos oito meses

Tradução de um trecho do capítulo O Choro e as Separações do livro The Science of Parenting de Margot Sunderland. Esse livro foi premiado em 2007 pela Academia Britânica de Medicina como o melhor livro de medicina popular. Não é um simples livro de conselhos para pais, mas sim um livro que, baseado em mais de 800 experimentos científicos, explica o que a ciência nos diz sobre como os diferentes tipos de criação afetam os nossos filhos.


Quando o bebê chega aos seis ou oito meses de idade, começa a operar a angústia da separação que, geralmente, continua a se manifestar de uma forma ou outra até os cinco anos. Em breve o bebê começa a sentir pânico quando não vê sua mãe. É preciso levar a sério a intensidade dos seus sentimentos. A mãe é o seu mundo, é tudo para o bebê, representa sua segurança.

Um pouco de compreensão

O bebê não está “chatinho” nem “grudento”. O sistema de angústia da separação, localizado no cérebro inferior está geneticamente programado para ser hipersensível. Nos primeiros estágios da evolução era muito perigoso que o bebê estivesse longe da sua mãe e, se não chorasse para alertar seus pais do seu paradeiro, não conseguiria sobreviver. O desenvolvimento dos lóbulos frontais inibe naturalmente esse sistema e, como adultos, aprendemos a controlá-lo com distrações cognitivas.

Se você não está, como ele sabe que você não foi embora para sempre?

Você não pode explicar que vai voltar logo, porque os centros verbais do seu cérebro ainda não funcionam. Quando ele aprender a engatinhar, deixe-o segui-la por todas as partes. Sim, até ao banheiro.
Livrar-se dele ou deixá-lo no cercadinho não só é muito cruel, também pode produzir efeitos adversos permanentes. Ele pode sentir pânico, o que significa um aumento importante e perigoso das substâncias estressantes no seu cérebro.



Isso pode resultar em uma hipersensibilização do seu sistema de medo, o que lhe afetará na sua vida adulta, causando fobias, obsessões ou comportamentos de isolamento temeroso. Pouco a pouco, ele vai sentir-se mais seguro da sua presença na casa, principalmente quando comece a falar.

separação aflige as crianças tanto quanto a dor física

Quando o bebê sofre pela ausência dos seus pais, no seu cérebro ativam-se as mesmas zonas que quando sofre uma dor física. Ou seja, a linguagem da perda é idêntica à linguagem da dor. Não tem sentido aliviar as dores físicas, como um corte no joelho e não consolar as dores emocionais, como a angústia da separação. Mas, tristemente, é isso o que fazem muitos pais. Não conseguem aceitar que a dor emocional de seu filho é tão real como a física. Essa é uma verdade neurobiológica que todos deveríamos respeitar.

Às vezes, impulsamos nossos filhos a ser independentes antes do tempo

Nossas decisões como padres podem empurrar nossos filhos a uma separação prematura. Um exemplo seria enviá-los a um internato (1) pequenos demais. As crianças de oito anos ainda podem ser hipersensíveis à angústia da separação e ter muita dificuldade em passar longos períodos de tempo longe dos seus pais. Sua dor emocional deve ser levada a sério. O Sistema GABA do cérebro é sensível âs mais sensíveis mudanças do seu entorno, como a separação de seus pais. Estudos relacionam aseparação a pouca idade com alterações desse sistema anti-ansiedade.

As separações de curto prazo são prejudiciais

Alguns estudos detectaram alterações a longo prazo do eixo HPA do cérebro infantil devido a separações curtas, quando a criança fica aos cuidados de uma pessoa desconhecida. Esse sistema de resposta ao estresse é fundamental para nossa capacidade de enfrentar bem o estresse na vida adulta. É muito vulnerável aos efeitos adversos do estresse prematuro. Os estudos com mamíferos superiores revelam que os bebês separados de suas mães deixam de chorar para entrar num estado depressivo.

Param de brincar com os amigos e ignoram os objetos do quarto. À hora de dormir há mais choro e agitação. Se a separação continuava, o estado de auto-absorção do filho se agravava e lhe conduzia à letargia e a uma depressão mais profunda. 

Pesquisas realizadas nos anos setenta demonstraram que alguns bebês cuidados por pessoas desconhecidas durante vários dias entravam em um estado de luto sofriam de um trauma que continuava a afligir-lhes anos depois. Os bebês estudados estavam sob os cuidados de adultos bem intencionados ou em creches residenciais durante alguns dias. Seus pais iam visitá-los, mas basicamente, estavam em mãos de adultos que eles não conheciam.
Um menino que se viu separado de sua mãe durante onze dias deixou de comer, chorava sem parar e se jogava ao chão desesperado. Passados seis anos, ele ainda estava ressentido com sua mãe. Os pesquisadores observaram a inúmeras crianças que haviam sido separadas de seus pais durante vários dias e se encontravam em estado de ansiedade permanente. Muitos passavam horas imóveis, olhando a porta pela qual havia saído sua mãe. Aquele estudo, em grande parte gravado em filme, mudou no mundo inteiro a atitude em relação às crianças que visitam suas mães no hospital.

Mas, não é bom o estresse?

Algumas pessoas justificam sua decisão de deixar o bebê desconsolado como uma forma de “inoculação de estresse”. O que significa apresentar ao bebê situações moderadamente estressantes para que aprenda a lidar com a tensão. Aqueles que afirmam que os bebês que choram por um prolongado período de tempo só sofre um estresse moderado estão enganando a si mesmos.

(1) Nota da tradutora: a autora é inglesa e o sistema de internato é muito comum no Reino Unido.


Originalmente postado na PR
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Já falei que amo minha vida?

Hoje, eu tô num ponto que eu digo assim: cara, eu AMO a minha vida. É simplesmente uma vida maravilhosa, espetacular. Não é que ela não 'possa melhorar', ela VAI melhorar na medida que eu precisar, sabe?

Tenho dois meninos lindos, inteligentes e saudáveis. Dão um trabalho inacreditável, não param um minutinho, transformam tudo numa loucura, mas não troco aqueles sorrisinhos por nada. É, de vez em quando a gente briga, a gente se esquenta, a gente quer silêncio, a gente precisa dormir, a gente precisa comer - mas tudo vale a pena até o fim dos tempos.

Tenho um casamento legal e saudável. Uma meia dúzia de amigos virtuais, uns outros reais, que me encontro eventualmente. Tenho um trabalho massa. Cansa, às vezes se estressa com cliente, tem que acordar cedo, mas... eu tô nele porque quero. Se eu odiasse tanto, trocava. É legal resolver problemas, ser útil, ser reconhecida, ajudar.

Moro num lugar bacana. Não é grande, mas eu também não tenho muitos móveis. Tudo na minha casa é tremendamente simples e 'clean', comporta muito bem uma família de 4 pessoas. Minha casa está invariavelmente uma zona, mas quer saber? Tá tudo ótimo. Arrumar a casa não está mais alta na minha prioridade que me divertir.

Tenho os bens que preciso. Hoje, posso me dar ao luxo de me planejar para comprar o que precisamos e até o que desejamos. Posso ir numa livraria, almoçar no shopping e não me sinto culpada. Tenho uma vida financeira confortável para meu padrão de vida.

Não tenho diarista, carro é antigo, ainda não tenho casa própria, tô sem câmera fotográfica, sem notebook. Mas... e daí? Isso não determina nem de longe a minha felicidade. Minha vida é, ainda sim, maravilhosa. E essas coisas eu logo logo consigo.
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Colunistas do Guia do Bebê

Agora o guia do bebê conta com duas colunistas MARAVILHOSAS! Acompanhem:
Por  Melânia Amorim , temos já Parto na água e Parto em casa.

Por Andréia Mortensen, temos A natureza do sono do bebê. Não percam essas duas de vista, vale a leitura completa.
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Nem sempre é fome!

Eu tô meio cansada dessa coisa de deduzir que todo choro persistente é fome.

O bebê é tratado como um enorme sistema digestório: se chora, é fome, gases, cólicas intestinais. No bebê amamentado então, onde não se vê o leite 'entrando', não dou 3 minutos para aparecer uma santa alma tentando te ajudar: dá mucilon, dá NAN, teu leite é fraco, vc tem pouco leite, teu leite secou.

Quando eu não era mãe, achava que as pós-maternidade tinham um dom superior de adivinhar o que os bebês sentiam pelo choro. Ah, uma sede (água na mamadeira), fome (leite com mucilon na mamadeira) e pronto, chupeta, bebê quieto. Mal sabia eu que mamadeira e chupeta são mascaradores de necessidades reais.

O fato é, depois de alguns poucos meses é possível identificar a maior parte das vezes necessidades, mas apenas de seu PRÓPRIO bebê. Mas haverão vezes em que não faremos idéia do que a bolinha chorona precisa e, enfim, esses dias passarão.

Mas, se seu filho chora mais do se espera, acorda já chorando, verifique a quantidade de sonecas. Bebês com sono e cansados choram, choram, choram, e pasmém, dormem pessimamente. Antes de acreditar que o leite do peito 'acabou' ou que é pouco, verifique se o bebê dorme o suficiente. Qualquer coisa, passem na Soluções.

Bebê que dorme pouco pode até mamar 'mal' e engordar pouco. Agora, tascar uma mamadeira de NAN só vai fazer seu filho ficar estufado e desmaiar para fazer essa digestão. Não é porque a mamadeira 'resolveu' que o problema era fome!
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Artigo maravilhoso sobre sono

http://guiadobebe.uol.com.br/bb1ano/a_natureza_do_sono_do_bebe.htm

Claro, elaborado pela Andréia
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Perder a 'juventude'? Perder a 'vida'?

Algumas pessoas dizem que se 'perde a vida' depois de se ter filho.

Isso é uma meia verdade. Sua vida anterior realmente se perde, você ganha uma inteiramente nova e maravilhosa. Agora, suas vontades e hobbies são diluídos na rotina caótica, mas em compensação, seus dias terão um colorido.

Você descobrirá o prazer de dormir 4 horas seguidas, ou de comer um prato de comida quente com os dois braços livres. Saberá administrar melhor o tempo do que jamais conseguiu. Passará a ignorar problemas pequenos, pois afinal você não pode perder tempo com isso.

Aprenderá a amar e cuidar de uma criaturinha que lhe parece... tão indefesa. Será a estrela dourada de alguém. O conforto, o porto seguro.

Sua vida mudará de uma forma radical. A desconstrução da rotina é monumental, mas, em alguns meses, ela voltará a ter traços do que você era - sim, você era. Sua vida mudará e você nunca mais a quererá de volta como era.

Você mudará também para ser o modelo dos seus filhos. Há emoção até mesmo em se arrumar e descer as escadas. Sempre há o que fazer à noite, sempre há diversão e novidades. Você aprende a dar valor apenas ao que importa.

Não há nada mais completo. É desconstrução e reconstrução de conceitos e teorias, uma seguida da outra.

"Quando se tem filho, sua vida muda. E muda para sempre!"
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Respostas estúpidas para perguntas cretinas - Parte 4

Minha série PREFERIDA!
Parte 1 - Gravidez
Parte 2 - Slings
Parte 3 - Amamentação

Lembrei de mais algumas.

Seu bebê é bonzinho? (???)
Não, ele é um supervilão. Ele acorda de madrugada, veste a capa e dá uma risada maligna 'eu vou acordar meus pais huarararara'.

Ué, com 2 meses seu bebê ainda não senta sozinho? Meu filho/neto/sobrinho/cachorro com dois meses já andava e falava 15 idiomas ?
Tá, e daí? Ele vai poder colocar isso no currículo?


Seu bebê não anda? Meu bebê é muito esperto, com 6 meses a menos já andava!
Não, esperto é meu bebê que prefere ser carregado ao invés de andar.

Eu sei do que estou dizendo. Já criei 5 filhos!
Amore. Não é porque seus filhos sobreviveram a você que você fez do melhor jeito.

Seu filho não dorme a noite inteira? 
Puxa, não sabia que isso era um campeonato!

E outras daqui.

E AÍ? JÁ SABE O QUE É?
É UM FRANGO!"
Ah, mas assim que você descobrir o que é, vc vai contar né?...
Não! Vou guardar segredo até os 18 anos da pessoa!


Tem certeza que é só um bebê? parece ser gêmeos!
Não, na verdade são trigêmeos...um tá no meu útero e os outros dois tão brincando de pique esconde nos meus rins
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Referências para Cuidados do Bebê


Comunidades no Orkut

Grupo Virtual de Amamentação - Não existe grupo melhor para amamentação!

Soluções para noites sem choro - melhor comunidade para questões de sonecas e sono

Pediatria radical - para outras questões que não sono nem amamentação tem um histórico maravilhoso.


Lista de Discussão

BestBaby - Não participo, mas sempre indicam.


Livros


Vocês podem ler uns trechinhos de alguns textos aqui.

O Bebê Mais Feliz do Pedaço - Harvey Karp
Soluções para noites sem choro - Elizabeth Pantley
Criando Bebês - Howard Chilton 
Our babies, ourselves - Meredith Small
Besame Mucho - Carlos Gonzalez
My child won´t eat- Carlos Gonzalez
The science of parenting - Margot Sunderland
The Baby Book - Sears

Mais alguma dica? ;)
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Dormindo com bebês

Um texto bem antigo, mas interessante sobre cama compartilhada.

http://colunas.g1.com.br/espiral/2008/12/19/dormindo-com-bebes/

Tem também a discussão na Soluções.

Dicas do Dr. Karp - vídeo

Eu sei que muitas já leram o resumo das dicas preciosas do Dr. Karp para bebês novinhos (aqui ou aqui).

Mas como dito é importante fazer com a intensidade necessária. O vídeo é em inglês e SEM legendas, mas acredito que para quem leu o texto acima vale a pena mesmo que não entenda as palavras.

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Independência desde o berço?

Escrevi numa comunidade que participo, e acho pertinente colocar aqui.


O que define 'independência' de uma criança? O que é esperado? E porque esse é uma coisa importante para nós adultos?


Já tentei escrever essa mensagem várias vezes, mas nunca consegui expressar o que quero.Não acho que a palavra 'dependência' seja razoável. Eu NÃO acredito que seja um valor, que seja sequer DESEJÁVEL na infância.
Vou colocar aqui por partes cada uma das facetas da dita independência.


"Independência Física" - Contato físico ou visual
O humaninho fica lá, semanas a fio sendo apenas um ser com sua mãe. Alguém já conheceu um adolescente que prefere dormir com a mãe, que reclame do fim de semana sem os pais em casa??? É natural do desenvolvimento que a tal 'independência' física (e relativa). Um bebê quer colo de seus pais; um adolescente quer o namorado, amigos e etc. O toque e o tato é sempre uma parte importante da vida de qualquer humano. Querer negar isso é bobeira, mas apressar também não faz sentido.

Algumas crianças sentem menos a falta de seus cuidadores do que outras. É fato que é mais fácil para os adultos quando eles podem se ausentar mais facilmente, mas... é apenas e tão-somente uma característica da criança.

Pode também ser apenas uma falta de segurança, ela não ter se sentido plenamente atendida e por isso desconfia. Mas pode não ser. Não é porque amamenta, slinga, dá colo que a criança se sentirá mais segura que outras, mas acredito que será mais segura do que se não fosse. É até uma questão lógica: eu não fico ligando o dia todo para meu marido porque confio que ele voltará a noite, são e salvo, e não me deu motivos para pensar ao contrário.


Resumindo, é natural que larguemos nossos pais. Talvez dando segurança nossos filhos possam desenvolver isso um pouco antes.



"Independência Emocional"
Não tem relação nenhuma com a anterior. Uma criança pode precisar de contato visual constante com sua mãe e ter grande autonomia nas decisões.

Todos nós temos o nosso patrimônio afetivo - que nos afeta diretamente. O que nossa mãe, pai, marido, amigos pensam sobre nós, e até o grupo como um todo, FAZ sim diferença sobre como nos enxergamos.
E aqui, é natural também que o foco passe do núcleo familiar para os amigos/namorados/professores. Cabe a nós, os pais, darmos exemplos de maturidade emocional (saber demonstrar sentimentos com palavras ao invés de violência) e não usar de chantagem emocional para darmos este espaço que a criança necessita para crescer.

E tem a autoestima, a autonomia - que pra mim andam lado a lado. A capacidade de tomar decisões, de se sentir importante dentro da família, de se sentir com opiniões valorizadas. Para mim, esse é o nosso foco sendo pais, a parte mais difícil.

Mas não chamos de 'independência'. Quero filhos que pensem por si próprios, saibam de suas emoções, mas nunca ajam sem levar em consideração os outros.

Todos precisamos de algum nível de aprovação.


"Independência Financeira"
Acho que não precisa de explicação, né?

Conclusão
De qualquer maneira, as independências são distintas, cada uma tem sua fase do desenvolvimento e não tem assim uma relação direta. A minha pergunta é: por que a independência física dos pais é tão cobrada das crianças? A emocional não é muito mais importante?



Eu prefiro desenvolver as decisões e senso crítico do que ficar com medo da dependência física. Porque é óbvio que uma hora ela sumirá. 
Muitas vezes me perguntam onde é que meus filhos dormem. Minha resposta é: eles que decidem. Eles dormem onde querem, ou no máximo pra onde eu os levo depois que adormecem (se eu conseguir levantar...). Simplesmente não vejo razão para limitar o acesso dele à minha cama. 
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Cólicas não existem

É, o título é pra chamar vocês até aqui. Vai a frase completa agora: depois de dois bebês, muito chorões eu ainda não acredito que cólicas sejam desconfortos abdominais. A partir de agora, você pode (a) não acreditar, não ter como rebater e sair em disparada, (b) ler meu argumento e pensar se faz sentido. E não, não pretendo convencer ninguém, já estou plenamente convencida e não preciso converter ninguém.

A tal cólica do lactente em tese acontece a partir de 2 ou 3 semanas, vai até 3 meses. Acontece durante a tardinha ou a noite. O bebê chora até perder o fôlego, fica roxo, bater as pernas, gritos cortantes. Algumas vezes, horas a fio.

Ok. Vamos analisar então um desconforto intestinal que ocorre tanto quando se toma o leite humano quanto o leite artificial, na mesma proporção - ué, mas o leite de vaca não é mais pesado? E porque é que o leite só teria esse efeito depois da 2 semana, o bebê não era antes mais imaturo e tomava o mesmo leite? E porque em sociedades que praticam cama compartilhada, que o bebê fica o tempo todo no colo desconhecem tal síndrome?

Bebezinhos mamam a cada 2, 3 horas, inclusive de madrugada. Mama-dorme-mama-dorme . Porque é que causaria só dor nesse horário específico? E como é que o bebê poderia ter tanta dificuldade em expelir um cocô tão molenga? Eles não são exatamente 'tímidos', e não tem a menor cerimônia.

A tal dor melhora com massagens, shantala, banho de balde, sling, coisas doces - mas não com analgésicos ou com outros remédios. Não acham, tipo assim, BIZARRO?

Minha teoria? Não é minha. Li na ocasião da gravidez do mais velho no 'Criando Bebês', e continuo convicta. Pra mim, é desconforto sim, mas neurológico. Nas primeiras 2 ou 3 semanas, o bebê não percebe muito o mundo a seu redor - seu mundo é o colo, o peito, a mãe, o pai. Depois desse pequeno intervalo, repara-se no mundo, fica um tantinho mais acordado - e é bombardeado de estímulos, com um cérebro que não sabe exatamente o que fazer com tantas coisas.

Os bebês simplesmente não aprenderam a ligar aquela chave de 'slow', diminuir para repousar - é tudo frenético. Estressante. E vai aí, uns 3 ou 4 meses, para que possam aprender a se desligar quando o nível de interação transborda.

Mas ele grita, não quer mamar, não consegue dormir... e isso só piora a situação. Se você deixar um bebê 'passar do ponto' da soneca, bom, você pode ter reais problemas pelas próximas horas. E por que se debatem, chutam? Você conhece algum outro mecanismo que um bebê possa expressar seu completo desconforto?

Shantala, colinho, extero-gestação, peito, almofadinha quente simplesmente fornecerão ao bebê aquela antiga segurança uterina já perdida. Isso não faz intestino nenhum funcionar direito, mas um cérebro sim. Escolha sua teoria favorita (não, bebês não falam), e use-a. Se para você funcionou, poxa, fico feliz.

Mas por favor, mamadeiras, chupeta, funchicória e remédios fazem SIM mal. Escolha outros itens.

O que vc aprende depois de ser mãe?

Não existe frase mais verdadeira que 'A mãe nasce junto com o bebê'. Quando nasce o bebê, você cruza o rio. Suas teorias ficarão para trás, e agora seu coração que te guiará entre elas.

Descobre que existe sim recém-nascido lindo, o seu. Perceberá por conta que alguns bebês precisam de incentivo para mamar, e outros ficarão horas pendurado. E mesmo seu bebê sendo de um tipo, poderá se transformar em outro de uma hora para outra. Fará uma ou outra 'greve de mamá', por motivos que são impossíveis de descobrir.

Pode ter lido o que quiser, mas você sente que seu bebê necessita de colo como uma flor precisa de água, que seu seio serve de alimento, aconchego, calor e carinho, simultaneamente. Você pode ser especialista em amamentação, com doutorado, e ainda precisará de uma dose de confiança enorme.

Haverão dias que seu bebê chorará, e você não saberá o motivo. Mas TODO MUNDO vai dizer que são cólicas, mesmo quando for fome (¬¬). Descobrirá que as pessoas realmente gostam de expressar suas opiniões a respeito do seu jeito de cuidar do filho.

Não dormir vários dias é uma tortura. Entende rapidamente porque as pessoas ficam com raiva do choro dos bebês, é irritante, cansativo, estressante - foi feito para ser parado. É de cortar o coração, mas adivinhar o que o bebê deseja, só na tentativa-e-erro.

Você pensará se algum dia na vida você poderá voltar a dormir 8h seguidas. Ou sair para namorar. Ou simplesmente ficar com os peitos para dentro da blusa por 3h.

Você se descobrirá em pânico porque seu bebê acordara de hora em hora nas duas noites anteriores. E, para seu deleite, dormirá 6h seguidas na próxima noite.

Não interessa muito o que você pense sobre seu trabalho, você descobrirá que 5 meses é muito pouco tempo. Que você precisa de seu bebê, e seu bebê precisa de você. Descobre que você pode ter se sentido extremamente abatida, mas não acredita que alguém saberia cuidar do seu bebê - afinal, você percebe o quão frágil é a relação, as características daquele bebê naquele tempo.

Você descobre que 'criança não tem que querer', 'bebê TEM que ser independente e dormir no berço', 'filho meu não fará birra', 'é só falta de palmada', 'esse bebê tá viciado em colo' são frases estúpidas de gente que não compreende o desenvolvimento de uma criança. Que não podemos determinar em que o bebê irá se desenvolver, nem como - ele fará na idade certa dele.

Descobrirá que as revistas sobre crianças são parciais e superficiais. Que a maioria dos pediatras não tem o menor conhecimento ou lide psicológica de crianças. Que nenhum pediatra na face da terra saberá mais do que você sobre seu filho.

Descobre que o bebê não precisa do quarto de princesa, nem do carrinho de mil reais. Só de colo, carinho, leite, roupa e fralda. O resto ele não sentirá falta, garanto.

Ter um bebê é assim: você nunca saberá ao certo quantas horas irá dormir, onde, o que irá comer, se ele irá sentar ou falar. É tudo uma surpresa, e tudo o que podemos fazer é curtir. E dormir o máximo que der.
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A rotina do bebê

Esse post tem muitos links. Acessem-nos.

Tem N livros e M discussões sobre isso. As melhores que já encontrei foi na comunidade Soluções para Noites sem Choro e seu homônimo multiply.

Minha opinião? Existe todo o tipo de bebês: dos mais calminhos aos mais exaltados. Alguns podem ser calmos desde sempre, podem passar de mão em mão, dormirão até na balada. Outros, ao menor sinal de estímulos, tornam-se irritadiço por várias horas. Já me contaram que existem bebês que quando estão com sono, fecham os olhos e dormem, sem ajuda. Eu acho que é lenda urbana o.O

Meus bebês, super ariscos, desde sempre tinham dificuldades em dormir, então não era opcional ajudá-los a seguir suas próprias rotinas. Note bem a palavra: ajudar. É parte de nosso trabalho como cuidadores não deixar 'passar do ponto', ajudar a aumentar as sonecas restauradoras. O segredo aqui sempre foi amor, carinho, paciência, os 5 'S's do Dr. Karp, sling. Muito sling. Mais sling. Fácil não é, nem era para ser.

Em franco desenvolvimento, as necessidades de sono do bebê variam conforme a idade (olhe, como exemplo, esta tabela aqui). Lá pelos 4~6 meses, é provável que o bebê tenha elaborado um ritmo próprio - ajudado ou não pelos cuidadores.

Existe um sem número de bebês que chegam a tal ponto de exaustão que simplesmente não conseguem relaxar para dormir, e quando o fazem, acordam aos pulos. Não acredito de maneira nenhuma na máxima 'não o deixe dormir de dia que ele dormirá a noite'. É uma tragédia sem precedentes tanto de dia quanto de noite. Bebês exaustos berram, debatem-se, gritam muito. É meio assustador.

Acordar a noite para mamar é normal, esperado e saudável. Não confunda: se seu bebê acorda demais, ele pode não estar com fome, e sim exausto. Dar o leite artificial (leia-se, o leite-feijoada) só irá mascarar o problema.

Se ele não tem uma rotina visível, mas não é um bebê irritado em hora nenhuma, ótimo, não precisou de ajuda. Em todos os outros casos, uma mãozinha na rotina faz uma diferença incrível.

Se tudo o mais falhar, lembre-se: ele vai crescer. De qualquer maneira isso irá passar.
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Uma palavra amiga

Vivemos em sociedade, precisamos manter o nosso 'senso de pertencimento' - necessitamos fazer parte de grupos parecidos, que nos aceitem.

Quando nos tornamos mães, queremos modelos a seguir - uma visão de quem já passou. Mas parece que todos a nosso redor não tem uma palavra positiva! Então aqui vai meu texto todo a você, que está grávida ou mãe fresca:

Você não irá abortar. Seu corpo é perfeito, seu bebê é perfeito. A natureza mais acerta do que erra, contrações são comuns a gravidez toda.

Seu bebê é saudável. Estatísticamente falando, a maioria dos exames serve mais para causar estresse do que conseguir achar algo que poderia ser tratado.

Ficar grávida é cansativo. Embora nos cuidemos muito, podemos ficar com estrias, inchadas, engordar sem razão: mas não se preocupe, maioria das estrias sumirá depois do parto, vc perderá o peso que ganhou como a maioria de nós. Não, seu bebê não será um ogro por causa de seu aumento de peso. Sim, vai doer, cansar as costas, a bexiga e o estômago; mas provavelmente vc sentirá falta dessa plenitude se dar todos os nutrientes a uma pequena vida.

O parto é um evento maravilhoso. Parir seu filho é definitivamente o auge da vida - e acredite, dói. Não há droga que dê mais barato que a onda de ocitocina. Você irá amar - e seu corpo e do seu bebê agradecerá.

Você vai voltar a seu número de antes; vc não vai ficar cheia de estrias, não necessariamente a barriga ou os seios ficarão flácidos. Mas mesmo que fiquem, vc ainda assim não se arrependerá, porque vale a pena.

Você vai conseguir amamentar. Amamentar tem truques, é uma questão de confiança no corpo. Precisa de alguém para ensinar a pega correta, alguém para lhe ajudar em caso de empedrar, mas tenho certeza que vc conseguirá passar o primeiro mês. Existirão noites em que a vontade é de sumir, de chorar, de desaparecer - mas tenho certeza que vc conseguirá!

Você conseguirá manter a amamentação exclusiva por seis meses. Mesmo voltando à trabalhar, é só ordenhar, oferecer no copo, etc. É preciso força de vontade, mas muitas outras mulheres também conseguiram! Você vai conseguir manter a amamentação 'prolongada'. É a cereja do bolo da maternagem, é a continuação da simbiose do parto.

Você conseguirá lidar com seu pequeno toddler, seu filho, com respeito, carinho e paciência. Não necessitará da violência, porque afinal, tu é uma mulher adulta.

Ignore as histórias de terror. Úteros bomba, cordões enforcadores, bolsas amnióticas auto-explosivas, colos de útero que não dilatam, peitos que não geram leite em sua maioria são apenas LENDAS URBANAS, histórias mal contadas. As demais são mentiras mesmo.

Acreditem na natureza, acreditem em seus corpos.
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E o bebê não é troféu.

A maioria das pessoas não possuem a menor noção de privacidade, respeito e empatia pelos sentimentos de uma criança, e pelos bebês parece que é menos ainda.

Bem dizia doutora Relva, 'o corpo da criança é latifúndio'. Todos sentem-se no direito de dar palpites, de afirmar o quanto aquela precisa se alimentar, o quanto aquela criança precisa ficar quieta. Isto é, o corpo da criança é um completo inútil, que nem para decidir a sua saciedade presta.

Isso quando o assunto não beira as funções fisiológicas dos filhos. E Cláudia Rodrigues expressou exatamente o que penso neste post. Isto é, um adulto ficar constipado, com fezes endurecidas, ou mesmo avermelhadas ou pretas não gera tanto ibope; agora um bebê de fezes quase liquefeitas, ou verdes, ou amarelas, este sim recebe mil palpites. Afinal, que direito temos de enfiar quaisquer objetos nos ânus de nossos filhos sem uma razão REALMENTE necessária?

Algumas mães prestam-se ao ridículo falando das genitálias de seus bebês: algumas mostram ORGULHOSAS as fotos de ultrassonografias que mostram os pênis de seus meninos. Que me perdoem essas mulheres, mas eu não fico exibindo minha vulva por aí, ainda mais no Orkut. Acho falta de respeito com o corpo dos outros, sinceramente.

Afinal, 'criança não tem que querer nada'. Como assim 'querer nada'? Não é um pouco de abuso que uma pessoa não possa expressar seus sentimentos de frustação? Ainda mais sendo menor e teoricamente menos imatura emocionalmente.

E o sono, então? Os adultos podem ter N manias para dormir, mas os bebês não. Adultos podem ir dormir as 9:00 PM ou as 02:00 AM, e é normal. Adultos podem só dormir na rede, podem só dormir na cama, podem precisar de silêncio absoluto, podem precisar de rituais. Agora bebês não: a teoria de que devem dormir em qualquer lugar, por mais barulhento ou irritante que seja é insana. Bebês tem os seus primitivos cérebros, e sim, precisam de ajuda para dormir. Lembrem-se, karma evolutivo. Não culpem os bebês por serem imaturos, culpe a evolução que nos fez cabeçudos.


Bebê dormir a noite toda não é troféu. Criança sem opinião não é prêmio. Cada pessoa é única, desde o nascimento. Somos pais, cuidadores, mas nunca seus donos.

E no fim das contas, a frase abaixo ajuda nas horas difíceis, da comunidade 'Soluções para noites sem choro':
A maioria dos problemas se resolve com amor, paciência e rotina; alguns problemas não se resolvem, mas aí pelo menos você cuidou do seu filho com amor e paciência.


Onde o bebê deve dormir?

Para A.

Claro, grávida e mãe fresca são as vítimas PREFERIDAS ever dos palpiteiros de plantão. Todos tornam-se especialistas em bebês em segundos, impressionante. O sono, então, é um dos assuntos preferidos.

Cada um tem sua opinião, uma mais torta que a outra:
- tem que deixar chorando no berço, pra ser independente
- tem que dormir de barriga para baixo
- tem que dormir no carrinho

A síndrome da morte súbita do lactente tem dados importantes a demonstrar. Em vários países, ao se fazer campanhas massivas para deixar o bebê dormir de barriga para cima e nunca colocar agasalho demais, diminui-se muito a incidência. A coisa toda é bem recente, e tem algumas variantes peculiares: cama familiar, chupeta, travesseiros, cobertores.

Minha opinião é simples: o bebê tem que dormir. Os pais também, oras! Não se consegue 'ensinar' onde o bebê irá dormir com poucos meses. Não é porque hoje o bebê aceitou o berço que aceitará amanhã, ou o contrário. A coisa muda todos os dias, uma alternância de necessidades. Bobeira se preocupar com o futuro, distante ou próximo; os bebês evoluem independente do que a gente faça ou se esforce.

Bebês precisam dormir. Alguns precisam de mais ajuda que outros, e com os dias aprendemos na tentativa ou erro o que aquele bebê tende a gostar mais: leia-se MAIS. Um dia é de um jeito, no outro mudou. Tenha-se em mente que tudo tem um caráter passageiro gritante.

Se vai dormir aquela noite na cama dos pais, se vai adormecer e ser carregado ao outro cômodo, se vai dormir no carrinho, se vai dormir no colchão no chão, se vão todos os membros dormir na sala não diz competência a ninguém mais do que os interessados: os pais e o bebê. Pediatra e palpiteiros profissionais estão fora da jogada.

É uma arrogância sem tamanho acreditar que o lugar de descanso de uma ou outra pessoa realmente a tornará uma 'menas pessoa', má, mimada ou outro termo pejorativo. Os filhos crescem.

Ter filhos te mostra apenas isso: que depois de um dia, vem outro - deve-se viver apenas um dia de cada vez. Meu conselho é dormir. Onde der, quando der, da maneira mais confortável para aquele dia. O futuro deixemos para o futuro.

E nada mais lindo do que um bebezinho despertando na segurança do colo ou sling.... na maior paz de quem sabe onde está.
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SMAM - o bebê grude

Para A.

Bebês são vida em câmera acelerada, e você nunca tem muita certeza de onde vai parar. São crises, fases, gritos, e depois de três dias acordando de meia em meia hora, sem enxergar a luz do fim do túnel, tudo cessa. Assim, easy-come-easy-go.

E então seu bebê dorme 5, 8 horas seguidas. Uma semana, duas. E tudo parece flores. E de repente, não mais que de repente, mamadas a cada hora, gritos cortantes. Vc em vão lista todas as fases bizarras que já lhe contaram sobre os bebês e - pasmém - não há nenhuma ajuda. Claro, já chovem 'parpites' que o leite é fraco, que está com fome e qualquer outras frases que inadvertidamente ceifarão a confiança materna. E - tcharaaaaaaaans - opa, voltamos ao que era antes do antes.

Três dias de choro, uma eternidade. Uma eternidade fugaz, diga-se de passagem. Nas crises, nomeadas ou não, revemos todos os nossos conceitos: dane-se se eu quero que durma no carrinho, na cama de casal, no peito, no colo, no carro ou no parque - eu preciso dormir. As duas da manhã, as coisas nunca parecem muito boas, e parece que todos os problemas se resumem à coitada da amamentação. Não há problema que não pareça mais fácil à luz do dia.

Cuidar de bebês é despir-se de preconceitos, eles nos põem à prova. Eles nos mostram que existem, possuem ações independente do que achamos que eles deveriam fazer. Devemos respeitá-los, compreender a necessidade fisiológica deles de grudar de tempos em tempos. É esperado, saudável e natural. A amamentação é apenas mais um elo de ligação com a mãe, o encontro de segurança. Como um passarinho que cada vez que voa um pouco mais longe, volta ao ninho, se aconchega para ter certeza que ainda está seguro.

Como eu já disse, eu não durmo muito bem com cama compartilhada. Mas é preferível dormir mal do que não dormir. Recomendo a quem quiser e a quem precisar.
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