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Parto em casa

Born at Home from Kat Small on Vimeo.


Minha doula repassou esse vídeo no facebook, e é lindo de verdade. Eu sei que as falas são em inglês, mas são tão poucas frases que não faz diferença saber ou não.
Mostra um parto em casa, do terceiro filho de uma moça. Doulas, parteira, filhos mais velhos, o pai, todos acompanhando e dando apoio à mãe.

Notem claramente como o corpo da mãe conduz o processo sozinho, com maestria. Notem que o trabalho de todas as outras pessoas é esperar, é amparar. O corpo, sozinho, faz tudo - e essa é a parte mágica.
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Vou ali buscar o sorvete, cuida deles um pouquinho?

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Carta Aberta a José Serra

Já viram a carta aberta que a Parto do Princípio fez? Vale a pena ler e divulgar.

http://guiadobebe.uol.com.br/parto/carta_aberta_a_jose_serra.htm
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Direito ao acompanhante no parto

Ao se internar na maternidade mais próxima, cheia de contrações, parturiente é informada que tem que tirar suas roupas, brincos, anéis e qualquer rastro de identidade que eventualmente quissesse levar.

Já vai apavorada, mas agora irá passar por uma sequência bizarra de intervenções de caráter duvidoso, como explico aqui.  E terá que enfrentar tudo sozinha, sem apoio emocional ou qualquer pessoa que conheça ao seu lado. Quisera eu fosse uma ficção, mas é isso mesmo que acontece hoje. Pior, há uma lei com quase 5 anos de idade que garante o direito de acompanhante à escolha da parturiente durante todo o processo.

Essa lei é ignorada. Se alguma parturiente pergunta, as maternidades falam que não possuem espaço, ou não possuem separação entre os leitos - anos a fio. Dizem que somente mulheres podem entrar, ou que então obrigatoriamente tem que ser o pai da criança. Afirmam que só podem entrar segundos antes do parto, ou que os pais são 'frescos' e não suportariam. Ou que os acompanhantes só atrapalham, que é um ato médico e não um circo.

Se você acha bobeira, pense em sentir medo, pavor de morrer, uma dor frequente, uma fragilidade imensa, e ainda ter enfermeiras lhe falando que é bobeira. Ou não ter uma mão amiga e palavras de conforto.
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Documentário 'A morte inventada'

Ainda não assisti, mas vc pode conferir o trailer:




No site, tem a explicação do que é a alienação parental, e no armário vários depoimentos chocantes.
http://www.amorteinventada.com.br/

No canal deles do Youtube, existem várias entrevistas super interessantes:
http://www.youtube.com/user/AMorteInventada
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Quanto custa ter uma doula?

Eu sempre falo que a pergunta deve ser outra, quanto custa não ter uma. E custa muito.

Pode custar o desespero nas últimas semanas da gestação, o sentimento da falta de apoio. Lembrem-se, gravidíssimas são emotivas por excelência - e ser taxada de aberração por desejar o natural é cruel.

Pode faltar o apoio simples para trocar o médico cesarista. Pode faltar alguém que didaticamente lhe ajude com os medos específicos do parto, um ombro amigo que não vai tentar lhe convencer que o corpo é defeituoso.

Pode custar uma ida precipitada à maternidade, que invariavelmente recairá numa série de intervenções - dolorosas, humilhantes e desnecessárias.

Pode faltar em TP alguém experiente, e que possibilite ao pai curtir o momento sem se preocupar em ser responsável. Pode faltar alguém com lide suficiente para lhe lembrar de comer e beber. Alguma sugestão de respiração, massagens, posições e exercícios nas contrações e expulsivo. Pode faltar alguém para lhe dar um ânimo de confiança.

Pode faltar alguém com tato e confiança na amamentação.

As doulas tem a inteligência emocional desenvolvida: sabem o que falar e como, no momento mais vulnerável de nossas vidas. Dão a segurança para que os papais possam curtir o momento sem pressões. É um bicho multi-uso: ajuda a vencer os medos da gravidez, serve de ombro amigo, ajuda a compreender os processos próprios do parto, cronometra contrações, atende o celular, prepara algo para comer. Sugere posições para alívio de dor e também para acelerar algum ponto. Um guia do desconhecido. Diminui estatisticamente as necessidades de analgesia, fórceps e cesáreas - vai menosprezar isso?

E o dinheiro? É pouco. Com certeza, dá-se sempre um jeito de pagar. Não é absolutamente tão caro quanto você imagina, e valeria a pena mesmo que custasse o quádruplo. Passe nesse meu post sobre enxoval e reveja seus conceitos do que é realmente importante. Se você colocar no papel quanto custariam os desdobramentos de uma cesárea e uma amamentação falida, dá muito e MUITO mais do que o custo da doula - sem contar no aspecto psicológico de viver a experiência mais marcante de uma mulher com plenitude.

A pergunta é: posso não ter doula e ter um belíssimo parto natural? Claro que pode, é tudo uma questão de respeito e conhecimento. Ter doula durante o TP é uma escolha - por exemplo numa casa de parto boa com acompanhante carinhoso ou domiciliar com certas parteiras. Agora num hospitalar, ainda mais no Brasil, acho totalmente improvável - não recomendo em hipótese alguma. Sou da opinião que se vc acha que está em 'dúvida' se quererá uma doula, pegue. Nunca vi nenhuma se arrependendo de ter.

Não caia na besteira de achar que acompanhante fará esse papel: o mais normal é tal pessoa não querer que a parturiente 'sofra', ficam com pena, ou simplesmente se apavoram com o parto. Não é por mal, simplesmente é a falta da segurança e experiência.

Agora, mais importante do que ter doula durante o parto é o apoio de casais grávidos, grupos de mães que amamentam. São de vital importância.
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Papai ou mamãe?

Meu marido já me puxou as orelhas uns 'par de vez', porque no meu blog eu só falo de mulheres.

Já firmei minha visão aqui: sou muito feminista. Um homem cuida e muito bem de um bebê. Porém com a amamentação é nítido que um bebê se apegue ao que ele já conhecia desde sempre: a voz da mãe, o laço que os une ao seio do mundo.

Um homem pode fazer tudo, desde trocar a fralda ou fazer dormir. Porém, o pai e a mãe terão papéis psicológicos diferentes para os filhos conforme a idade vai mudando. Normal, esperado. Algumas vezes é a mãe a mais paciente; outras vezes o pai. Por fim, um bom pai vale o mesmo que uma boa mãe.

Mas não posso falar de paternidade, não posso descrever como é estar do outro lado: eu sou mulher, mamífera. Não sei ser pai.
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Ajuda pra que?

Surgiu o tema 'Ajuda depois do parto' no grupo.
Há a crença de que uma puérpera precisa de toda a ajuda da humanidade (possivelmente apenas feminina), que precisará que alguém (avó, provavelmente) lhe 'ensine' como cuidar do novo bebê.

Só que ninguém admite que não há o 'jeito certo'. Cada bebê é único e (segredo) vc só descobrirá na prática. Fato é que uma recém-parida não *precisa* de ajuda, e apenas em alguns poucos casos é realmente útil.

É muito comum a avó se sentir dona da situação, e minar a confiança da mãe fresca. Além de impor suas crendices, deixa a mãe no papel de 'filhinha que tem que descansar'. É comum atrapalhar o relacionamento com o pai, já que o 'estepe de peito' é a avó ao invés do pai. Os palpites e crendices nos atingem forte.

Não estou dizendo que é errado ter alguém; mas é bom ter uma pessoa que saiba dar o espaço certo. Alguém que irá de vez em quando lavar a louça, cuidar da roupa. Alguém que segure o bebê para que você tome um banho. Alguém para conversar, passar o tempo. Alguém que saiba seu lugar, que não oportune com palpites, que não queira se colocar como mais importante que o pai ou a mãe.


Mas é claro, eu despachei avós e todas as demais visitas. Pai sabe ser pai e sempre cuidou da casa. Não me preocupo realmente com a limpeza da casa, então ficou fácil. Não sou o tipo de pessoa muito *amável* e *sociável*, sabe...

Machismo

Uns meses atrás, um amiga virtual ajudou com o meu conceito: eu sou super feminista. Muito mesmo.

Vivo com homens, sou rodeada deles. Trabalho com vários, casada com um, pari outros dois. O mínimo que tenho que fazer é confiar neles.

Adoro homens. Até ser uma combinação de mãe e bruxa, a minha visão do feminino era de que tudo era uma bobeira sem tamanho: namoricos, paqueras, cabelo/roupa/maquiagem, celebridades, fuxicos e novelas era tudo tão artificial e dispensável. O mundo dos homens era tremendamente mais interessante, as áreas matemáticas, os problemas lógicos.

Sou Ártemis, sou Atenas. Mas Deméter fez uma mudança radical em minha vida; Perséfone chegou e me mostrou o REAL feminino: menstruar, conceber, gestar, parir, amamentar, maternar, 'menopausar'. O ciclo feminino é belo, complexo e completo. Eu sou uma fã das Deusas, das mamíferas que somos - um orgulho. Como já vi escrito, 'a gente pode tanto, né?'

Mas não é porque somos poderosas que os homens são incapazes. Embora eles não possam fazer nenhum dos pontos do ciclo acima, todas as demais coisas eles podem fazer sim! Não entendo que dificuldade absurda há em cuidar de um bebê: é cansativo sim, mas um pai ou uma mãe conseguem fazer da mesma maneira.

Eu chego ao ponto de não acreditar em 'instinto maternal'. Não acredito. Acredito em níveis diferentes de relacionamentos e intimidades. Acredito que os hormônios da gravidez e parto ajudem a paixonite pelo bebê. Acredito que muitos homens possuam um medo gigante de fracassar. Acredito que muitas mães e avós atrapalham o relacionamento do pai com os filhos.

A gestante pode envolver o pai nessa onda hormonal, ajudá-lo a se apaixonar. O pai pode dar apoio emocional no tempo que ainda não pode 'fazer' nada além de esperar a natureza feminina agir. Mas não entende essa de 'o pai ajuda'. Não. O pai FAZ.

Hipoteticamente falando, se uma criança não tem mãe nenhuma e um pai, dá quase na mesma. Embora eu também concorde que a transição útero-externa pode ser mais fácil com o ponto de apoio mãe-amamentação, o bebê irá se apegar ao pai.

Sou muito feminista: igualdade aos sexos. Um homem é totalmente capaz de cuidar de uma criança, trocar uma fralda ou levar ao pediatra. Mais do que capaz, é no mínimo obrigação moral.
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