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Crianças que crescem (!)

Gente, a constatação beira o absurdo, mas é verdade. As crianças crescem.

Gabriel nasceu assim, um bebê que não dormia. E nasci eu mãe, já com pezinho fora da matrix, já sem medo de confiar no meu taco. Foi um bebê que relutava, relutava, relutava a dormir. Eu me neguei permanentemente a deixá-lo chorar, mas foram meses complicados. Provavelmente por conta da falta das sonecas, ele não mamava o suficiente e por recomendação da pediatra - que afinal era o único recurso mais perto de minimamente acreditar em mim - introduzimos uns copos de LA com mucilon por dia.

Era um bebê que não negava comida. Qualquer coisa ia pra dentro, sem diferenciação. Provavelmente minha inexperiência com greves de mamá fez com que eu acreditasse que a amamentação tinha chegado ao fim muito precocemente, até porque o LA era dado em copo e não mamadeira.
Levou praticamente 12 meses para ter dentes. Andou antes de ter dentes - o que não impedia nem de comer milho. Sempre fui uma mãe preguiçosa, larguei as papinhas pouco antes dos 9 meses. Com 12 meses, a crise da separação pegou pesado, e qualquer desconhecido que lhe dirigisse a palavra era sumariamente bombardeado com berros.

Eu me formei quando Gabriel tinha 2 anos; na festa de formatura, podíamos ouvir ele falando: 'mamãe? papai?'. Nesta idade, e até mais de 5 anos, ainda gostava do cochilinho da tarde. Mas inevitavelmente acordava a noite até uns 4 anos, mas ensinamos a não chorar e ir direto para minha cama.

Gabriel aos 2 anos era o ogrinho padrão. Gostava de bater, bagunçar, se jogava eventualmente no chão, birras, etc. Destemido, adorava brincadeiras 'perigosas'. Nesses últimos 4 anos, a personalidade dele toda aflorou. Com 3 anos, ele já ficou um menino 'medroso'. Não gosta de brincadeiras exuberantes, tem medo de altura, medo de levar bolada, medo de tudo. Eu não sei exatamente quando ou porquê aconteceu isso, até porque sempre incentivei todas as 'artes' de criança. Ainda vamos ter que trabalhar bastante com isso. Ele é um menino que fala, fala, fala e fala, mas que surpresa, ele é reservado. Então, de alguma maneira ele consegue ser tímido e ao mesmo tempo gosta de falar, mas com pessoas que ele sente confiança. A alfabetização dele, como eu imaginei, ocorreu tranquila e sem nenhum problema. Hoje ele faz questão de agradar os amigos, de trocar brinquedos, de ser aceito, de participar. Mas não de coisas que envolvam perigos físicos rs. Tem uma habilidade para joguinhos que ganham de mim umas 10x.
Desde os 3 ou 4 anos é bem mais seletivo para comida. Escolhe os ingredientes que gosta e que não gosta.

Leonardo também nasceu um bebê que não dormia. Mas eu já estava vacinada e soube lidar melhor. Com 3 anos, já não quer tirar o sono da tarde. Mamou até 2 anos e alguma coisa, e o desmame ocorreu de forma tal que levei mais de uma semana para perceber.
Até os dois anos, Leonardo parecia ser uma cópia de personalidade de Gabriel. Mas Leo, aos 3, é destemido ainda, não tem medo de altura nem perigo (e nem noção). Aliás, usualmente Leonardo faz coisas que Gabriel tem medo, e acaba que Gabriel faz para não ficar para 'trás'. Ainda tem a língua enrolada e boa parte do tempo as sentenças dele são em leonardês. E ele fala bastante. Mesmo com os 12 meses, ele nunca se assustou com estranhos. Nunca se importou que estranhos mexam com ele, falem com ele. Acha graça, o danadinho. E desde que o irmão esteja por perto, não tem medo nenhum de correr até sair de nossa vista.

Para quem conhece os dois agora, parecem duas crianças de personalidade tão distintas que nem parecem irmãos. Mas é engraçado perceber que eram tão parecidos quando pequenos. E que parece que Leonardo tem mantido essas características por mais tempo.
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A inebriente maternagem

Dica também da parto no brasil, na veja saiu Meu bebê é um vício, um texto delicioso de ler (pra vcs verem que de vez em quando até a veja acerta).

Um espetáculo a parte.

As pessoas costumam comparar o fato de ter um bebê aos primeiros dias de um namoro, o que faz sentido até certo ponto. Mas a fixação física e o anseio pelo bebê são muito mais intensos. Com que frequência num namoro você se vê literalmente às lágrimas porque ficou longe de um homem durante três horas? Imagino que uma metáfora melhor seria a dependência química.
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A cólica - Por Dr. González

Os bebês ocidentais costumam chorar bastante durante os primeiros meses, o que se conhece como cólica do lactente ou cólica do primeiro trimestre. Cólica é a contração espasmódica e dolorosa de uma víscera oca; há cólicas dos rins, da vesícula e do intestino. Como o lactente não é uma vesícula oca e o primeiro trimestre muito menos, o nome logo de cara não é muito feliz. Chamavam de cólica porque se acreditava que doía a barriga dos bebês; mas isso é impossível saber. A dor não se vê, tem de ser explicada pelo paciente. Quando perguntam a eles: “por que você está chorando?”, os bebês insistem em não responder; quando perguntam novamente anos depois, sempre dizem que não se lembram. Então ninguém sabe se está doendo a barriga, ou a cabeça, ou as costas, ou se é coceira na sola dos pés, ou se o barulho está incomodando, ou simplesmente se estão preocupados com alguma notícia que ouviram no rádio. Por isso, os livros modernos frequentemente evitam a palavra cólica e preferem chamar de choro excessivo na infância. É lógico pensar que nem todos os bebês choram pelo mesmo motivo; alguns talvez sintam dor na barriga, mas outro pode estar com fome, ou frio, ou calor, e outros (provavelmente a maioria) simplesmente precisam de colo.

Tipicamente, o choro acontece sobretudo à tarde, de seis às dez, a hora crítica. Às vezes de oito à meia-noite, às vezes de meia-noite às quatro, e alguns parecem que estão a postos vinte e quatro horas por dia. Costuma começar depois de duas ou três semanas de vida e costuma melhorar por volta dos três meses (mas nem sempre).



Quando a mãe amamenta e o bebê chora de tarde, sempre há alguma alma caridosa que diz: “Claro! De tarde seu leite acaba!”. Mas então, por que os bebês que tomam mamadeira têm cólicas? (a incidência de cólica parece ser a mesma entre os bebês amamentados e os que tomam mamadeira). Por acaso há alguma mãe que prepare uma mamadeira de 150 ml pela manhã e de tarde uma de 90 ml somente para incomodar e para fazer o bebê chorar? Claro que não! As mamadeiras são exatamente iguais, mas o bebê que de manhã dormia mais ou menos tranquilo, à tarde chora sem parar. Não é por fome.

“Então, por que minha filha passa a tarde toda pendurada no peito e por que vejo que meus peitos estão murchos?” Quando um bebê está chorando, a mãe que dá mamadeira pode fazer várias coisas: pegar no colo, embalar, cantar, fazer carinho, colocar a chupeta, dar a mamadeira, deixar chorar (não estou dizendo que seja conveniente ou recomendável deixar chorar, só digo que é uma das coisas que a mãe poderia fazer). A mãe que amamenta pode fazer todas essas coisas (incluindo dar uma mamadeira e deixar chorar), mas, além disso, pode fazer uma exclusiva: dar o peito. A maioria das mães descobrem que dar de mamar é a maneira mais fácil e rápida de acalmar o bebê (em casa chamamos o peito de anestesia), então dão de mamar várias vezes ao longo da tarde. Claro que o peito fica murcho, mas não por falta de leite, mas sim porque todo o leite está na barriga do bebê. O bebê não tem fome alguma, pelo contrário, está entupido de leite.



Se a mãe está feliz em dar de mamar o tempo todo e não sente dor no mamilo (se o bebê pede toda hora e doem os mamilos, é provável que a pega esteja errada), e se o bebê se acalma assim, não há inconveniente. Pode dar de mamar todas as vezes e todo o tempo que quiser. Pode deitar na cama e descansar enquanto o filho mama. Mas claro, se a mãe está cansada, desesperada, farta de tanto amamentar, e se o bebê está engordando bem, não há inconveniente que diga ao pai, à avó ou ao primeiro voluntário que aparecer: “pegue este bebê, leve para passear em outro cômodo ou na rua e volte daqui a duas horas”. Porque se um bebê que mama bem e engorda normalmente mama cinco vezes em duas horas e continua chorando, podemos ter razoavelmente a certeza de que não chora de fome (outra coisa seria um bebê que engorda muito pouco ou que não estava engordando nada até dois dias atrás e agora começa a se recuperar: talvez esse bebê necessite mamar muitíssimas vezes seguidas). E sim, se pedir para alguém levar o bebê para passear, aproveite para descansar e, se possível, dormir. Nada de lavar a louça ou colocar em dia a roupa para passar, pois não adiantaria nada.

Às vezes, acontece de a mãe estar desesperada por passar horas dando de mamar, colo, peito, colo e tudo de novo. Recebe seu marido como se fosse uma cavalaria: “por favor, faça algo com essa menina, pois estou ao ponto de ficar doida”. O papai pega o bebê no colo (não sem certa apreensão, devido às circunstâncias), a menina apoia a cabecinha sobre seu ombro e “plim” pega no sono. Há várias explicações possíveis para esse fenômeno. Dizem que nós homens temos os ombros mais largos, e que se pode dormir melhor neles. Como estava há duas horas dançando, é lógico que a bebê esteja bastante cansada. Talvez precisasse de uma mudança de ares, quer dizer, de colo (e muitas vezes acontece o contrário: o pai não sabe o que fazer e a mãe consegue tranquilizar o bebê em segundos).



Tenho a impressão (mas é somente uma teoria minha, não tenho nenhuma prova) de que em alguns casos o que ocorre é que o bebê também está farto de mamar. Não tem fome, mas não é capaz de repousar a cabeça sobre o ombro de sua mãe e dormir tranqüilo. É como se não conhecesse outra forma de se relacionar com sua mãe a não ser mamando. Talvez se sinta como nós quando nos oferecem nossa sobremesa favorita depois de uma opípara refeição. Não temos como recusar, mas passamos a tarde com indigestão. No colo da mamãe é uma dúvida permanente entre querer e poder; por outro lado, com papai, não há dúvida possível: não tem mamá, então é só dormir.

Minha teoria tem muitos pontos fracos, claro. Para começar, a maior parte dos bebês do mundo estão o dia todo no colo (ou carregados nas costas) de sua mãe e, em geral, descansam tranquilos e quase não choram. Mas talvez esses bebês conheçam uma outra forma de se relacionar com suas mães, sem necessidade de mamar. Em nossa cultura fazemos de tudo para deixar o bebê no berço várias horas por dia; talvez assim lhes passemos a idéia de que só podem estar com a mãe se for para mamar.

Porque o certo é que a cólica do lactente parece ser quase exclusiva da nossa cultura. Alguns a consideram uma doença da nossa civilização, a consequência de dar aos bebês menos contato físico do que necessitam. Em outras sociedades o conceito de cólica é desconhecido. Na Coreia, o Dr. Lee não encontrou nenhum caso de cólica entre 160 lactentes. Com um mês de idade, os bebês coreanos só passavam duas horas por dia sozinhos contra as dezesseis horas dos norteamericanos. Os bebês coreanos passavam o dobro do tempo no colo que os norteamericanos e suas mães atendiam praticamente sempre que choravam. As mães norteamericanas ignoravam deliberadamente o choro de seus filhos em quase a metade das vezes.



No Canadá, Hunziker e Barr demonstraram que se podia prevenir a cólica do lactente recomendando às mães que pegassem seus bebês no colo várias horas por dia. É muito boa idéia levar os bebês pendurados, como fazem a maior parte das mães do mundo. Hoje em dia é possível comprar vários modelos de carregadores de bebês nos quais ele pode ser levado confortavelmente em casa e na rua. Não corra para colocar o bebê no berço assim que ele adormecer; ele gosta de estar com a mamãe, mesmo quando está dormindo. Não espere que o bebê comece a chorar, com duas ou três semanas de vida, para pegá-lo no colo; pode acontecer de ter “passado do ponto” e nem no colo ele se acalmar. Os bebês necessitam de muito contato físico, muito colo, desde o nascimento. Não é conveniente estarem separados de sua mãe, e muito menos sozinhos em outro cômodo. Durante o dia, se o deixar dormindo um pouco em seu bercinho, é melhor que o bercinho esteja na sala; assim ambos (mãe e filho) se sentirão mais seguros e descansarão melhor.


A nossa sociedade custa muito a reconhecer que os bebês precisam de colo, contato, afeto; que precisam da mãe. É preferível qualquer outra explicação: a imaturidade do intestino, o sistema nervoso... Prefere-se pensar que o bebê está doente, que precisa de remédios. Há algumas décadas, as farmácias espanholas vendiam medicamentos para cólicas que continham barbitúricos (se fazia efeito, claro, o bebê caía duro). Outros preferem as ervas e chás, os remédios homeopáticos, as massagens. Todos os tratamentos de que tenho notícia têm algo em comum: tem de tocar no bebê para dá-lo. O bebê está no berço chorando; a mãe o pega no colo, dá camomila e o bebê se cala. Teria seacalmado mesmo sem camomila, com o peito, ou somente com o colo. Se, ao contrário, inventassem um aparelho eletrônico para administrar camomila, ativado pelo som do choro do bebê, uma microcâmera que filmasse o berço, um administrador que identificasse a boca aberta e controlasse uma seringa que lançasse um jato de camomila direto na boca... Acredita que o bebê se acalmaria desse modo? Não é a camomila, não é o remédio homeopático! É o colo da mãe que cura a cólica.

Taubman, um pediatra americano, demonstrou que umas simples instruções para a mãe (tabela 1) faziam desaparecer a cólica em menos de duas semanas. Os bebês cujas mães os atendiam, passaram de uma média de 2,6 horas ao dia de choro para somente 0,8 horas. Enquanto isso, os do grupo de controle, que eram deixados chorando, choravam cada vez mais: de 3,1 horas passaram a 3,8 horas. Quer dizer, os bebês não choram por gosto, mas porque alguma coisa está acontecendo. Se são deixados chorando, choram mais, se tentam consolá-los, choram menos (uma coisa tão lógica! Por que tanta gente se esforça em nos fazer acreditar justo no contrário?).



Tabela 1 – Instruções para tratar a cólica, segundo Taubman (Pediatrics 1984;74:998)
1- Tente não deixar nunca o bebê chorando.
2- Para descobrir por que seu filho está chorando, tenha em conta as seguintes possibilidades:
a- O bebê tem fome e quer mamar.
b- O bebê quer sugar, mesmo sem fome.
c- O bebê quer colo.
d- O bebê está entediado e quer distração.
e- O bebê está cansado e quer dormir.
3- Se continuar chorando durante mais de cinco minutos com uma opção, tente com outra.
4- Decida você mesma em qual ordem testará as opções anteriores.
5- Não tenha medo de superalimentar seu filho. Isso não vai acontecer.
6- Não tenha medo de estragar seu filho. Isso também não vai acontecer.

No grupo de controle, as instruções eram: quando o bebê chorar e você não souber o que está acontecendo, deixe-o no berço e saia do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando, torne a entrar, verifique (um minuto) que não há nada, e volte a sair do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando etc. Se após três horas ele continuar chorando, alimente-o e recomece.

As duas últimas instruções do Dr. Taubman me parecem especialmente importantes: é impossível superalimentar um bebê por oferecer-lhe muita comida (que o digam as mães que tentam enfiar a papinha em um bebê que não quer comer); e é impossível estragar um bebê dando-lhe muita atenção. Estragar significa prejudicá-lo. Estragar uma criança é bater nela, insultá-la, ridicularizá-la, ignorar seu choro. Contrariamente, dar atenção, dar colo, acariciá-la, consolá-la, falar com ela, beijá-la, sorrir para ela são e sempre foram uma maneira de criá-la bem, não de estragá-la.



Não existe nenhuma doença mental causada por um excesso de colo, de carinho, de afagos... Não há ninguém na prisão, ou no hospício, porque recebeu colo demais , ou porque cantaram canções de ninar demais para ele, ou porque os pais deixaram que dormisse com eles. Por outro lado, há, sim, pessoas na prisão ou no hospício porque não tiveram pais, ou porque foram maltratados, abandonados ou desprezados pelos pais. E, contudo, a prevenção dessa doença mental imaginária, o estrago infantil crônico , parece ser a maior preocupação de nossa sociedade. E se não, amiga leitora, relembre e compare: quantas pessoas, desde que você ficou grávida, avisaram da importância de colocar protetores de tomada, de guardar em lugar seguro os produtos tóxicos, de usar uma cadeirinha de segurança no carro ou de vacinar seu filho contra o tétano? Quantas pessoas, por outro lado, avisaram para você não dar muito colo, não colocar para dormir na sua cama, não acostumar mal o bebê?

Lee K. The crying pattern of Korean infants and related factors. Dev Med Child Neurol. 1994; 36:601-7
Hunziker UA, Barr RG. Increased carrying reduces infant crying: a randomized controlled trial. Pediatrics 1986;77:641-8
Taubnan B. Clinical trial of treatment of colic by modification of parent-infant interaction. Pediatrics 1984;74:998-1003

Do livro Un regalo para toda la vida- Guía de la lactancia materna,Carlos González

Tradução: Fernanda Mainier
Revisão: Luciana Freitas



Copiado daqui
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Artigo maravilhoso sobre sono

http://guiadobebe.uol.com.br/bb1ano/a_natureza_do_sono_do_bebe.htm

Claro, elaborado pela Andréia
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Referências para Cuidados do Bebê


Comunidades no Orkut

Grupo Virtual de Amamentação - Não existe grupo melhor para amamentação!

Soluções para noites sem choro - melhor comunidade para questões de sonecas e sono

Pediatria radical - para outras questões que não sono nem amamentação tem um histórico maravilhoso.


Lista de Discussão

BestBaby - Não participo, mas sempre indicam.


Livros


Vocês podem ler uns trechinhos de alguns textos aqui.

O Bebê Mais Feliz do Pedaço - Harvey Karp
Soluções para noites sem choro - Elizabeth Pantley
Criando Bebês - Howard Chilton 
Our babies, ourselves - Meredith Small
Besame Mucho - Carlos Gonzalez
My child won´t eat- Carlos Gonzalez
The science of parenting - Margot Sunderland
The Baby Book - Sears

Mais alguma dica? ;)
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Dormindo com bebês

Um texto bem antigo, mas interessante sobre cama compartilhada.

http://colunas.g1.com.br/espiral/2008/12/19/dormindo-com-bebes/

Tem também a discussão na Soluções.
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Independência desde o berço?

Escrevi numa comunidade que participo, e acho pertinente colocar aqui.


O que define 'independência' de uma criança? O que é esperado? E porque esse é uma coisa importante para nós adultos?


Já tentei escrever essa mensagem várias vezes, mas nunca consegui expressar o que quero.Não acho que a palavra 'dependência' seja razoável. Eu NÃO acredito que seja um valor, que seja sequer DESEJÁVEL na infância.
Vou colocar aqui por partes cada uma das facetas da dita independência.


"Independência Física" - Contato físico ou visual
O humaninho fica lá, semanas a fio sendo apenas um ser com sua mãe. Alguém já conheceu um adolescente que prefere dormir com a mãe, que reclame do fim de semana sem os pais em casa??? É natural do desenvolvimento que a tal 'independência' física (e relativa). Um bebê quer colo de seus pais; um adolescente quer o namorado, amigos e etc. O toque e o tato é sempre uma parte importante da vida de qualquer humano. Querer negar isso é bobeira, mas apressar também não faz sentido.

Algumas crianças sentem menos a falta de seus cuidadores do que outras. É fato que é mais fácil para os adultos quando eles podem se ausentar mais facilmente, mas... é apenas e tão-somente uma característica da criança.

Pode também ser apenas uma falta de segurança, ela não ter se sentido plenamente atendida e por isso desconfia. Mas pode não ser. Não é porque amamenta, slinga, dá colo que a criança se sentirá mais segura que outras, mas acredito que será mais segura do que se não fosse. É até uma questão lógica: eu não fico ligando o dia todo para meu marido porque confio que ele voltará a noite, são e salvo, e não me deu motivos para pensar ao contrário.


Resumindo, é natural que larguemos nossos pais. Talvez dando segurança nossos filhos possam desenvolver isso um pouco antes.



"Independência Emocional"
Não tem relação nenhuma com a anterior. Uma criança pode precisar de contato visual constante com sua mãe e ter grande autonomia nas decisões.

Todos nós temos o nosso patrimônio afetivo - que nos afeta diretamente. O que nossa mãe, pai, marido, amigos pensam sobre nós, e até o grupo como um todo, FAZ sim diferença sobre como nos enxergamos.
E aqui, é natural também que o foco passe do núcleo familiar para os amigos/namorados/professores. Cabe a nós, os pais, darmos exemplos de maturidade emocional (saber demonstrar sentimentos com palavras ao invés de violência) e não usar de chantagem emocional para darmos este espaço que a criança necessita para crescer.

E tem a autoestima, a autonomia - que pra mim andam lado a lado. A capacidade de tomar decisões, de se sentir importante dentro da família, de se sentir com opiniões valorizadas. Para mim, esse é o nosso foco sendo pais, a parte mais difícil.

Mas não chamos de 'independência'. Quero filhos que pensem por si próprios, saibam de suas emoções, mas nunca ajam sem levar em consideração os outros.

Todos precisamos de algum nível de aprovação.


"Independência Financeira"
Acho que não precisa de explicação, né?

Conclusão
De qualquer maneira, as independências são distintas, cada uma tem sua fase do desenvolvimento e não tem assim uma relação direta. A minha pergunta é: por que a independência física dos pais é tão cobrada das crianças? A emocional não é muito mais importante?



Eu prefiro desenvolver as decisões e senso crítico do que ficar com medo da dependência física. Porque é óbvio que uma hora ela sumirá. 
Muitas vezes me perguntam onde é que meus filhos dormem. Minha resposta é: eles que decidem. Eles dormem onde querem, ou no máximo pra onde eu os levo depois que adormecem (se eu conseguir levantar...). Simplesmente não vejo razão para limitar o acesso dele à minha cama. 
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A natureza da dependência

Na PR.
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Cólicas não existem

É, o título é pra chamar vocês até aqui. Vai a frase completa agora: depois de dois bebês, muito chorões eu ainda não acredito que cólicas sejam desconfortos abdominais. A partir de agora, você pode (a) não acreditar, não ter como rebater e sair em disparada, (b) ler meu argumento e pensar se faz sentido. E não, não pretendo convencer ninguém, já estou plenamente convencida e não preciso converter ninguém.

A tal cólica do lactente em tese acontece a partir de 2 ou 3 semanas, vai até 3 meses. Acontece durante a tardinha ou a noite. O bebê chora até perder o fôlego, fica roxo, bater as pernas, gritos cortantes. Algumas vezes, horas a fio.

Ok. Vamos analisar então um desconforto intestinal que ocorre tanto quando se toma o leite humano quanto o leite artificial, na mesma proporção - ué, mas o leite de vaca não é mais pesado? E porque é que o leite só teria esse efeito depois da 2 semana, o bebê não era antes mais imaturo e tomava o mesmo leite? E porque em sociedades que praticam cama compartilhada, que o bebê fica o tempo todo no colo desconhecem tal síndrome?

Bebezinhos mamam a cada 2, 3 horas, inclusive de madrugada. Mama-dorme-mama-dorme . Porque é que causaria só dor nesse horário específico? E como é que o bebê poderia ter tanta dificuldade em expelir um cocô tão molenga? Eles não são exatamente 'tímidos', e não tem a menor cerimônia.

A tal dor melhora com massagens, shantala, banho de balde, sling, coisas doces - mas não com analgésicos ou com outros remédios. Não acham, tipo assim, BIZARRO?

Minha teoria? Não é minha. Li na ocasião da gravidez do mais velho no 'Criando Bebês', e continuo convicta. Pra mim, é desconforto sim, mas neurológico. Nas primeiras 2 ou 3 semanas, o bebê não percebe muito o mundo a seu redor - seu mundo é o colo, o peito, a mãe, o pai. Depois desse pequeno intervalo, repara-se no mundo, fica um tantinho mais acordado - e é bombardeado de estímulos, com um cérebro que não sabe exatamente o que fazer com tantas coisas.

Os bebês simplesmente não aprenderam a ligar aquela chave de 'slow', diminuir para repousar - é tudo frenético. Estressante. E vai aí, uns 3 ou 4 meses, para que possam aprender a se desligar quando o nível de interação transborda.

Mas ele grita, não quer mamar, não consegue dormir... e isso só piora a situação. Se você deixar um bebê 'passar do ponto' da soneca, bom, você pode ter reais problemas pelas próximas horas. E por que se debatem, chutam? Você conhece algum outro mecanismo que um bebê possa expressar seu completo desconforto?

Shantala, colinho, extero-gestação, peito, almofadinha quente simplesmente fornecerão ao bebê aquela antiga segurança uterina já perdida. Isso não faz intestino nenhum funcionar direito, mas um cérebro sim. Escolha sua teoria favorita (não, bebês não falam), e use-a. Se para você funcionou, poxa, fico feliz.

Mas por favor, mamadeiras, chupeta, funchicória e remédios fazem SIM mal. Escolha outros itens.

Onde o bebê deve dormir?

Para A.

Claro, grávida e mãe fresca são as vítimas PREFERIDAS ever dos palpiteiros de plantão. Todos tornam-se especialistas em bebês em segundos, impressionante. O sono, então, é um dos assuntos preferidos.

Cada um tem sua opinião, uma mais torta que a outra:
- tem que deixar chorando no berço, pra ser independente
- tem que dormir de barriga para baixo
- tem que dormir no carrinho

A síndrome da morte súbita do lactente tem dados importantes a demonstrar. Em vários países, ao se fazer campanhas massivas para deixar o bebê dormir de barriga para cima e nunca colocar agasalho demais, diminui-se muito a incidência. A coisa toda é bem recente, e tem algumas variantes peculiares: cama familiar, chupeta, travesseiros, cobertores.

Minha opinião é simples: o bebê tem que dormir. Os pais também, oras! Não se consegue 'ensinar' onde o bebê irá dormir com poucos meses. Não é porque hoje o bebê aceitou o berço que aceitará amanhã, ou o contrário. A coisa muda todos os dias, uma alternância de necessidades. Bobeira se preocupar com o futuro, distante ou próximo; os bebês evoluem independente do que a gente faça ou se esforce.

Bebês precisam dormir. Alguns precisam de mais ajuda que outros, e com os dias aprendemos na tentativa ou erro o que aquele bebê tende a gostar mais: leia-se MAIS. Um dia é de um jeito, no outro mudou. Tenha-se em mente que tudo tem um caráter passageiro gritante.

Se vai dormir aquela noite na cama dos pais, se vai adormecer e ser carregado ao outro cômodo, se vai dormir no carrinho, se vai dormir no colchão no chão, se vão todos os membros dormir na sala não diz competência a ninguém mais do que os interessados: os pais e o bebê. Pediatra e palpiteiros profissionais estão fora da jogada.

É uma arrogância sem tamanho acreditar que o lugar de descanso de uma ou outra pessoa realmente a tornará uma 'menas pessoa', má, mimada ou outro termo pejorativo. Os filhos crescem.

Ter filhos te mostra apenas isso: que depois de um dia, vem outro - deve-se viver apenas um dia de cada vez. Meu conselho é dormir. Onde der, quando der, da maneira mais confortável para aquele dia. O futuro deixemos para o futuro.

E nada mais lindo do que um bebezinho despertando na segurança do colo ou sling.... na maior paz de quem sabe onde está.
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SMAM - o bebê grude

Para A.

Bebês são vida em câmera acelerada, e você nunca tem muita certeza de onde vai parar. São crises, fases, gritos, e depois de três dias acordando de meia em meia hora, sem enxergar a luz do fim do túnel, tudo cessa. Assim, easy-come-easy-go.

E então seu bebê dorme 5, 8 horas seguidas. Uma semana, duas. E tudo parece flores. E de repente, não mais que de repente, mamadas a cada hora, gritos cortantes. Vc em vão lista todas as fases bizarras que já lhe contaram sobre os bebês e - pasmém - não há nenhuma ajuda. Claro, já chovem 'parpites' que o leite é fraco, que está com fome e qualquer outras frases que inadvertidamente ceifarão a confiança materna. E - tcharaaaaaaaans - opa, voltamos ao que era antes do antes.

Três dias de choro, uma eternidade. Uma eternidade fugaz, diga-se de passagem. Nas crises, nomeadas ou não, revemos todos os nossos conceitos: dane-se se eu quero que durma no carrinho, na cama de casal, no peito, no colo, no carro ou no parque - eu preciso dormir. As duas da manhã, as coisas nunca parecem muito boas, e parece que todos os problemas se resumem à coitada da amamentação. Não há problema que não pareça mais fácil à luz do dia.

Cuidar de bebês é despir-se de preconceitos, eles nos põem à prova. Eles nos mostram que existem, possuem ações independente do que achamos que eles deveriam fazer. Devemos respeitá-los, compreender a necessidade fisiológica deles de grudar de tempos em tempos. É esperado, saudável e natural. A amamentação é apenas mais um elo de ligação com a mãe, o encontro de segurança. Como um passarinho que cada vez que voa um pouco mais longe, volta ao ninho, se aconchega para ter certeza que ainda está seguro.

Como eu já disse, eu não durmo muito bem com cama compartilhada. Mas é preferível dormir mal do que não dormir. Recomendo a quem quiser e a quem precisar.
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