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Maternidade e feminismo

Já falei disso aqui e aqui.

Uma das coisas MAIS feministas que já fiz na minha vida foi virar mãe.
A gravidez, o parto e amamentação, toda a maternagem em si, me trouxeram uma visão que nunca imaginei. Todo o processo é intrinsecamente feminino, é o poder feminino, é a força de nós mesmas. Temos que nos redescobrir, descobrir uma força que nem sabíamos.

Precisamos lutar contra uma machismo absurdo de que somos defeituosas e não somos capazes de conceber ou gestar e parir, o machismo de que 'pariremos em dores', o machismo de que não conseguiremos amamentar, o machismo de que somos obrigadas a voltar a trabalhar imediatamente para servir AOS homens. O sistema médico de obstetra/hospital/pediatra decidindo tudo na vida do bebê tira toda e qualquer autonomia da mãe (e do pai). É um sistema em que mães inseguras são alimentadas por médicos e dotôres, para as decisões mais estúpidas e variadas.

O processo de aceitar seu corpo como perfeito, de aceitar que somos TÃO capazes quanto o corpo masculino, que temos todo o direito de nos deliciarmos com o bebê pequeno, que podemos amar imensamente é de um feminismo enorme.

Para mim, não amamentar para 'não cair os peitos', ou não ficar sendo 'parasitada', dar mamadeira pra ficar 'livre', deixar chorando pra 'acostumar' ou não quer ter parto normal para não 'sofrer' é tudo pensamento machista e/ou egoísta: porque o corpo feminino é defeituoso é precisa de ajuda da medicina ou da indústria de leites pra sermos 'iguais' aos homens.  Ser mãe é uma responsabilidade biológica maior que ser pai (na primeira infância), e isso não tem o que fazer.

O único motivo mais plausível é: não querer cuidar de crianças (dã!). Não dá pra ser mãe ou pai pela metade.
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A minha não-páscoa

Como sou preguiçosa hiper mega master-mór, e não somos cristãos, e não somos (muito) consumistas, a gente não faz nem páscoa nem natal. Assim, dia normal, vida normal de bagunça todo dia.

O mais curioso é que como todo o resto do mundo alimenta essa coisa de coelho da páscoa e papai noel (TV, outdoors, família, escola), eles não se diferenciam do resto nisso. Alguma coisa foi comentada por mim neste post do bule voador, e mesmo em setembro do ano passado perguntei ao mais velho: coelho da páscoa existe? Engraçado como a questão de 'existir' não é uma resposta de sim e não, para ele era uma questão de contexto para existir. Coelho da páscoa só existia na música, segundo ele.

Os avós paternos dessas crianças esse ano mandaram um CARREGAMENTO de ovos de chocolates, de todos os tamanhos e sabores (vou virar uma bola). Inclusive, minha sogra mandou alguns com  detalhes de coelho, pintados ou recordados. Gabriel ainda chega em casa e fala: 'a vó colocou esses coelhos só pra eu pensar que foi o coelho da páscoa que me deu os ovos'. Fiquei meio chocada, mas né.

Nunca falei que não existia, mas nunca fui perguntada. E aos quase 6 anos, realmente a fase da imaginação tem desbotado a olhos vistos, com ou sem minha ajuda. Mas hoje ele diz que coelho existe. Assim, sem maiores disclaimers. Aguardemos cenas dos próximos capítulos rs.
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Comprar, comprar, comprar..!

Dani resgatou o tema, no blog dela. Eu já escrevi isso em algum lugar, mas creio que não foi no blog, então retomo o assunto.

Gabrielzinho, como já comentei aqui, fala sempre em 'amanhã' para se referir a qualquer dia no futuro - acho que 'futuro' é abstrato demais ainda pra ele. Quando ele pedia algum item no mercado, eu falava 'hoje não vai dá, filho'; automaticamente ele respondia: 'mas eu só quero AMANHÃ!!! Hoje não.'.

E assim ficou. 'Amanhã vc compra um carrinho XXXX?' 'Quem sabe, filho' (afinal, vai que eu ganhe na megassena rs). Muito comum antes de ir no mercado já deixar pré-acordado o que ele poderá escolher ou não. Tem funcionado muito bem, muito melhor do que já esperei.

Acho que funciona porque é idéia dele, né?
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Bakugan quem?

Gabriel já teve vários ídolos. Desde muito ganhou vários bonecos de ação, batman, homem-aranha, super-homem, power rangers. Teve uma longa fase em que o Pablo (do Backyardigans) foi seu 'amigo' (o Pablo é versão pinguim azul do Biel). Tietagem essa ajudada por mim - dos Backyardigans, há uma coleção de DVDs e livros, além de boneco de pelúcia e outros itens.

A uns meses atrás, ele chegou falando do 'Raio Gato'. Sabe quem? Nem eu. Ele é vermelho e poderoso.
Depois ele chegou com um tal 'Bakugan'. Bakugan daqui, Bakugan de lá. Sabe quem é? Googla. Sim, não é o amigo imaginário, é um personagem de um desenho enlatado qualquer que passa em um canal aberto qualquer. Levei semanas para descobrir.

A gente esquece que o poder da mídia sobre as nossas crianças. Simplesmente não é possível se esquivar apenas impedindo o acesso à propagandas apelativas ou desenhos, ela está lá, como objeto de desejo de uma criança que não sabe o que é. Uma criança é um alvo perfeito, ela ama o produto e ainda faz campanha para outras, numa espécie de viral. Bem cruel, diga-se de passagem.

Maior parte das vezes, Biel passa pela corrente e sai ileso. Algumas vezes não, e eventualmente um desses 'pseudo objetos de desejo' são comprados. Não me iludo que o brinquedo o fará mais confiante, mais realizado: mas um presente, um agrado, faz tão bem pro ego.

Mas o brinquedo já está lá, junto com todos os outros. Acho que ele parece gostar mais de trocar de Bakugan com os amigos do que do Bakugan em si.
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