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Ateísmo

Estou acompanhando um blog interessante sobre o tema, que é o bule voador. E trouxe esse texto porque religião (ou ausência de) é sim um pedaço da maternagem e passagem de valores.

Há um preconceito absurdo contra ateus. Já senti, já vi, já ouvi. Afirmar que é ateu é ser taxado de imoral, perverso, maldoso, egoísta, sem coração. Que um mundo com ateus seria caótico e sem amor. Eu, que conheço alguns vários ateus, posso afirmar que isso é uma mentira e preconceito sem tamanho. Vou falar como meus conhecidos são.

Ateus acreditam na vida. Dão a ela seu valor completo. Amam seus pais, seus parentes. Agem conforme as leis não porque uma divindade mandou, mas porque sabem que a sociedade precisa das leis. Acreditam nos humanos, onde cada um pode melhorar a vida - um dia de cada vez. Não fazem apologia à violência, à intolerância porque acreditam que a vida é única - e finita. Respeitam a natureza e as pessoas porque sabe que é parte desse todo. Eles não precisam de deus nenhum para seguirem as leis, serem bondosos e generosos.

Por que falo isso? Sou muito solidária aos ateus. Da mesma maneira que todos tem o direito de escolher a sua religião, eles tem o direito de não tê-la. Nossos filhos precisam de um mundo melhor, um mundo em que as pessoas não precisem do controle de uma divindade para fazerem seu melhor.

Ainda não tenho opinião formada sobre o quanto de religião devemos ou não passar a nossos filhos; mas sei que é impossível não passar absolutamente nada. De qualquer maneira, nossos filhos podem sim ser ateus, e isso deve ser respeitado.

Machismo

Uns meses atrás, um amiga virtual ajudou com o meu conceito: eu sou super feminista. Muito mesmo.

Vivo com homens, sou rodeada deles. Trabalho com vários, casada com um, pari outros dois. O mínimo que tenho que fazer é confiar neles.

Adoro homens. Até ser uma combinação de mãe e bruxa, a minha visão do feminino era de que tudo era uma bobeira sem tamanho: namoricos, paqueras, cabelo/roupa/maquiagem, celebridades, fuxicos e novelas era tudo tão artificial e dispensável. O mundo dos homens era tremendamente mais interessante, as áreas matemáticas, os problemas lógicos.

Sou Ártemis, sou Atenas. Mas Deméter fez uma mudança radical em minha vida; Perséfone chegou e me mostrou o REAL feminino: menstruar, conceber, gestar, parir, amamentar, maternar, 'menopausar'. O ciclo feminino é belo, complexo e completo. Eu sou uma fã das Deusas, das mamíferas que somos - um orgulho. Como já vi escrito, 'a gente pode tanto, né?'

Mas não é porque somos poderosas que os homens são incapazes. Embora eles não possam fazer nenhum dos pontos do ciclo acima, todas as demais coisas eles podem fazer sim! Não entendo que dificuldade absurda há em cuidar de um bebê: é cansativo sim, mas um pai ou uma mãe conseguem fazer da mesma maneira.

Eu chego ao ponto de não acreditar em 'instinto maternal'. Não acredito. Acredito em níveis diferentes de relacionamentos e intimidades. Acredito que os hormônios da gravidez e parto ajudem a paixonite pelo bebê. Acredito que muitos homens possuam um medo gigante de fracassar. Acredito que muitas mães e avós atrapalham o relacionamento do pai com os filhos.

A gestante pode envolver o pai nessa onda hormonal, ajudá-lo a se apaixonar. O pai pode dar apoio emocional no tempo que ainda não pode 'fazer' nada além de esperar a natureza feminina agir. Mas não entende essa de 'o pai ajuda'. Não. O pai FAZ.

Hipoteticamente falando, se uma criança não tem mãe nenhuma e um pai, dá quase na mesma. Embora eu também concorde que a transição útero-externa pode ser mais fácil com o ponto de apoio mãe-amamentação, o bebê irá se apegar ao pai.

Sou muito feminista: igualdade aos sexos. Um homem é totalmente capaz de cuidar de uma criança, trocar uma fralda ou levar ao pediatra. Mais do que capaz, é no mínimo obrigação moral.
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Procura-se pagãs partocêntricas

Ouvir desnecesáreas e fazer cara de paisagem não é meu forte. E vou dizer que bem que tento, mas a coisa degringola, empaca aqui e eu tenho que cuspir. Tento comer pelas beiradas, falar que a pessoa não deve ter entendido direito, que a coisa deveria ter sido outra, que tem outra razão e que aquilo é fake: mas enxerga quem quer, quando quer.

Eu sei que a tal dor do parto tá na bíblia, no imaginário coletivo, mas se tem uma coisa que me irrita são as mulheres que se afirmam pagãs e idolatram suas desnecesáreas. Quer coisa mais sagrada, mas feminina, mais divina que PARIR? Que pagão decente se baseará na bíblia?

As três faces, a donzela, a mãe, a anciã. O rito de passagem da donzela para a mãe, e é deliberadamente ignorado. Idolatra-se a menstruação, a menopausa, o sexo: que algo mais forte que um parto? A Deusa em nós, a iniciação, o estado alterado de consciência, o ritual mais determinante, ciclo de vida e morte por nós.

E só vêem a cirurgia 'limpa', 'civilizada'. É pagão quem quer, mas sejamos por inteiro!

P.S. - Procurei, procurei, e ainda não encontrei =/
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