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Generalizações: manuseie com cuidado, inflamável

O poder de abstração é certamente uma de nossas maiores característica como humanos. Criancinhas muito pequenas, nas primeiras palavras, já consegue ligar claramente um desenho ao item da vida real, por mais estilizado que o desenho possa ser. Bebês humanos nascem assim, com essa função de detecção de padrão e repetição ligada ininterruptamente. Uma coisa é clara: a gente nasceu é pra achar padrões. Nosso cérebro funciona baseado nisso! Nossos argumentos, experiências de vida e tudo o mais.

Mas isso é lindo até determinado ponto. Generalizações são meio que ODIADAS VEEMENTEMENTE por 98.7% dos adultos alfabetizados (invenções de estatísticas, quem nunca?). E pra concluir antes de começar, vou dizer que tem uma puta dose de umbiguismo nisso aí (sim, é óbvio que isso aí é a minha opinião, ia ser de quem, do meu vizinho?).

Generalizações vem em caixinhas mais ou menos assim: 'cadeiras tem 4 pernas'. O que isso significa? É o nosso cérebro fazendo um agrupamento de todas as cadeiras que vimos na nossa vida toda, faz um balanço, tira os pontos extremos, e gera uma frase que se aplica na grande parte dos contextos gerados. Aí, nossa excelentíssima cadeira elaborada pelo Oscar Niemeyer tem uma perna só (vai por mim, ele faz ser possível); obviamente, como todos os objetos falam, esta cadeira, adepta do cadeirismo livre, começa:

'O QUE??? COMO ASSIM, QUE GENERALIZAÇÃO É ESSA?? EU NÃO SOU CADEIRA, ISSO???? QUE ABSURDO, ISSO AÍ É PRECONCEITO CONTRA CADEIRAS-SACI!!!!'

Aí você tem que ficar toda toda pisando em ovos, pra poder falar que 'a maior parte das cadeiras tem 4 pernas' ou 'as cadeiras tem a tendência a ter 4 pernas'. Esta cadeira, num ímpeto de quem não curte estatística, deu xilique porque o umbigo dela era grande demais para reparar que, olha só, ela pode ser exceção e/ou menor parte. E a generalização inclui e não exclui! 'Cadeiras tem 4 pernas' é totalmente diferente de 'TODA cadeira tem 4 pernas'. Lógicas como 'se eu não tenho 4 pernas não sou uma cadeira' ou 'se eu sou uma cadeira tenho 4 pernas' são toscas, erradas, absurdas.

Existem então dois problemas: generalizações erradas mesmo (exemplo: negro é ladrão. Daonde isso?) e gente que extrapola coisa que não devia das generalizações. Quer ver eu nem mexer a pestana com generalizações corretas?

'Mulheres são mais emotivas que homens' - ah não, cejura?
'Mulheres escolhem áreas de saúde ou humanas' - né? Vou discordar se sou a ÚNICA programadora da sala?
'Mulheres falam mais que homens' - deve ser verdade, eu pelo menos FAÇO MINHA PARTE! hahahaha

Muitas vezes as generalizações NÃO são verdadeiras dependendo do contexto. Toda nossa experiência pessoal, por mais importante que seja, não representa o mundo. Representa a realidade mais parecida conosco - a gente só convive com quem é parecido conosco. Sempre é justo questionar se a generalização se aplica, porque de algum modo ela muda os caminhos dos pensamentos. Exemplos:

'Amizades femininas são falsas' - sério que vocês vêem isso? Não chega nem perto do que eu vejo desse lado
'Mulheres são fúteis' - gente, pode ser. Deve ter muita gente fútil nesse mundo. Mas será que numa porcentagem pra podermos generalizar sem ofender os dados mais que o normal?


Eu adoro generalizações, simplifica o pensamento, nos ajuda a compreender mais, nos dá diretrizes caso reencontremos esses padrões. Não precisa ser Einstein pra notar que as generalizações não nos representam individualmente, mas dá pra fazer um esforço e olhar o todo? Rola perceber que a gente é parte da coisa - e não a maior parte? Rola se aproveitar da generalização correta para identificar padrões em outras pessoas?


O ponto é: e aí, a gente tem generalizações razoavelmente corretas (i.e. - devem representar mais de 90% das situações). O que fazemos a partir de então?

Por que as mulheres são mais emotivas que os homens? Alguém ainda vai ficar de palhaçada dizendo que é por causa dos hormônios ou vamos aqui de mea culpa assumir que nós como sociedade criamos meninos e meninas de maneiras diferentes?
Por que as mulheres são as que param de trabalhar quando se tem crianças em casa? Por que o homem é escolhido como tendo mais potencial no emprego? Por que as mulheres ganham menos que os homens?

Não tenho nenhum nenhumzinho problema de assumir que as mulheres são biologicamente diferentes dos homens (helloooooooooow, não matei essa aula porque era de reprodução humana! Aprendi muito bem essa parada). Agora nós temos um monte de mulher que culturalmente é diferente dos homens, e que nota-se que a gente tem que fazer algo. Generalizações são amigas - podem servir de ponto de partida pra mudança - e não -comida- algo a odiar.

Ah, pra lembrar porque nunca é demais: a gente não quer direitos iguais, a gente quer direitos IGUALITÁRIOS.

Pára o mundo que eu quero descer!

Tem algo MUITO errado com os essa espécie humana, os *homens do sexo masculino*. Gente, eles vem pre-programados para serem idiotas ou é a água que dão pra eles? Alguém me conte, porque eu tenho 3 unidades aqui (2 trial e uma full) em casa e elas não tem apresentado falha ainda.

Eu não sei se é predisposição genética, mas tem muito homem babaca nessa vida, viu. :(

Meus meninos podem ser artistas de rua, podem ser músicos, podem ser gays, podem ser até políticos ou mesmo advogados. Mas machistas eu não suporto não, viu?
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Maternidade e feminismo

Já falei disso aqui e aqui.

Uma das coisas MAIS feministas que já fiz na minha vida foi virar mãe.
A gravidez, o parto e amamentação, toda a maternagem em si, me trouxeram uma visão que nunca imaginei. Todo o processo é intrinsecamente feminino, é o poder feminino, é a força de nós mesmas. Temos que nos redescobrir, descobrir uma força que nem sabíamos.

Precisamos lutar contra uma machismo absurdo de que somos defeituosas e não somos capazes de conceber ou gestar e parir, o machismo de que 'pariremos em dores', o machismo de que não conseguiremos amamentar, o machismo de que somos obrigadas a voltar a trabalhar imediatamente para servir AOS homens. O sistema médico de obstetra/hospital/pediatra decidindo tudo na vida do bebê tira toda e qualquer autonomia da mãe (e do pai). É um sistema em que mães inseguras são alimentadas por médicos e dotôres, para as decisões mais estúpidas e variadas.

O processo de aceitar seu corpo como perfeito, de aceitar que somos TÃO capazes quanto o corpo masculino, que temos todo o direito de nos deliciarmos com o bebê pequeno, que podemos amar imensamente é de um feminismo enorme.

Para mim, não amamentar para 'não cair os peitos', ou não ficar sendo 'parasitada', dar mamadeira pra ficar 'livre', deixar chorando pra 'acostumar' ou não quer ter parto normal para não 'sofrer' é tudo pensamento machista e/ou egoísta: porque o corpo feminino é defeituoso é precisa de ajuda da medicina ou da indústria de leites pra sermos 'iguais' aos homens.  Ser mãe é uma responsabilidade biológica maior que ser pai (na primeira infância), e isso não tem o que fazer.

O único motivo mais plausível é: não querer cuidar de crianças (dã!). Não dá pra ser mãe ou pai pela metade.
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Corpo de mãe

Dei uma entrevista (morrendo de medo que deturpassem o que falei, admito, mas achei que valia o risco) e saí aqui, ó: http://delas.ig.com.br/comportamento/corpo+de+mae/n1237856096515.html. Ficou muito boa. Daí, sigo o meu caminho habitual com todas as pirações que fazem parte do meu ser.

Primeiro de tudo, o disclaimer: eu não me arrependo em nada de ter meus filhos, e faria tudo novamente. Se rolar um comentário do tipo 'menas-main', falando que aceitar o corpo pós-parto é mãezímetro, vou deletar solenemente.

Existe uma busca, desenfreada muitas vezes, para ser jovem. E o pior: existe uma cobrança para que os outros, e principalmente as mulheres, sejamos jovens. Cremes antirrugas, cremes antiestrias, cremes que desconheço para que servem. Cirurgias, silicone, botox, infinitos tratamentos de pele, tinta para cobrir os fios brancos. Academia, pilates. Sutiã com enchimento, modelador, maquiagem. Chega um ponto tal que simplesmente uma mulher 'natural' não é vista como bela - na verdade, é culpada de não o ser, porque é 'desleixada'.

(Adendo: Já viram este documentário, sobre o corpo das mulheres? http://www.ilcorpodelledonne.net/?page_id=209)

Durante a gravidez, recebemos todo o tipo de conselho a este respeito: comer pouco, engordar pouco, passar todos os milhares de cremes que em tese deveriam servem para algo, não amamentar, não comer isso ou aquilo, dormir assim ou assado. E ainda temos que ouvir 'fulana não passou os cremes como eu recomendei, ficou parecendo um mapa de tanta estria!' ou 'sicrana não se cuidou e engordou, agora tá com uma barriga horrorosa'. Isto é, minhas queridas: vocês tem que estar em 'estado de graça', mas a culpa é toda de vocês se perderem o corpo adolescente!

O que gera uma corrida pós-parto surreal. Muitas, muitas mulheres tiram fotos da barriga com 20 dias, 1 mês para ver como 'voltou' e postar em fóruns. Voltam para academia cedíssimo, ao invés de ficarem com os bebês. Fazem todo o tipo de tratamento estético. Deixam de amamentar achando que isso pode atrapalhar o seu corpo. E as celebridades parecem que só pioram isso, saem em revistas dando entrevista de todos os inúmeros recursos que lançarão para 'voltar à forma'. A própria cinta pós-parto, a escolha da roupa para sair da maternidade. Se você não está mais grávida, não tem desculpa para não estar magra - é uma corrida contra o tempo. Será que não é óbvio, dada a quantidade de malabarismos que se faz, que é inevitável que marcas ficarão para várias mulheres? E que isso não é culpa delas, não é falta de 'cuidado' e que - sim, *nenhuma* está fora da loteria?

Por outro lado, falando em 'estado de graça', que raios é essa romantização da gravidez e maternidade, hein?
Porque né, não basta a gente amar e cuidar daquela bolinha reclamona, a gente tem que adorar tudo o que vem junto no pacote - estria inclusive! Mãe não pode reclamar nunca, porque tudo é lindo, colorido e perfumado. Mãe não pode ter desejos ou vontades. Escuta, não tenho vocação pra santa, não.

Resumo, vão te cobrar que você tenha o corpo lindo. Mas se você não tiver, não tem problema, como mãe você não tem o direito de reclamar ou achar ruim. Então tá tudo certo.
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Grupo Cria

Vocês já viram que delícia essa iniciativa?

http://www.grupocria.com.br/

http://www.grupocria.com.br/index.php/ajude-a-divulgar/imagens/




A carnificina das maternidades brasileiras - Simone G. Diniz

Algumas pessoas não imaginam a violência sexual pela qual muitas mulheres passam numa maternidade. Acho que o artigo a seguir (indicado pela parto no brasil) dá uma clara noção.

http://www.mulheres.org.br/rhm1/revista1/80-91.pdf
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O que penso do dia da mulher

Vou publicar esse texto propositalmente depois do dia 08/03, para que as pessoas que sentem vontade de desejar 'feliz dia das mulheres' não fiquem envergonhados. Não tenho dúvidas que sim, mulheres ainda tem muitas lutas pela frente.


É uma comemoração morna. É, para mim, ogrisse (é, o ato de ser ogro!) essa coisa de 'eu amo mulher'. Não, criatura, não quero saber se vc é heterossexual, eu tb sou e isso não importa. Odeio essas ogrisses. 'Aquela gostosa' é uma mulher, não uma vagina ambulante; alguém que tem vida, história e emoções. 'Aquela que vc comeu' não é tua propriedade, tão pouco alguém que compartilhou momentos com você. Mulher não é escambo nem trofeu, é companheira. Bundas, seios e decotes são uma das facetas de um ser humano único, que merece respeito.


Vou falar do que me atinge mais diretamente: filhos. O que vc faz? Entre contratar uma mulher que pode ter filhos e um homem que pode ter filhos, com quem vc fica? E você cuida dias e dias do bebê de madrugada ou o 'instinto materno' é melhor? Você vai no pediatra, no pronto-socorro, dar banho, ou é muito 'desajeitado'? Quem tem que lavar a roupa, o banheiro, cozinhar? De que adianta falar 'feliz dia das mulheres', com rosas poemas mil, e... não dividir em 50/50 as lides domésticas? Ou contratar uma mulher com medo que ela engravide?

É desleal de todos os modos. Não há razão para pensar de outro modo, a sociedade só mudará se cuidarmos muito bem das próximas gerações. E cuidar, implica em não ser omisso, em estar presente tanto quanto possível ou desejável. Para qualquer pessoa que estude minimamente o desenvolvimento humano, percebe que o bebê se beneficia enormemente ao ficar em casa com a mãe ou o pai até uns 3 anos. Mas essa não é a realidade como um todo, e cada família se adequa a sua realidade própria.

Isto é, todos sabemos que o bebê fica melhor se em contato com a mãe; que a sociedade só melhorará assim. E... ainda oprimimos a mãe que trabalha e deseja ter filhos, deseja o melhor para seus filhos? Hipocrisia pouca é bobagem.

E o pai? Cadê ele nas consultas pediatricas, nas noites insones, nas alimentações, nas estadias em casa por conta de resfriados? Os homens são tão burros assim que não possuem capacidade de ficar com seus filhos? Nego a acreditar. Por que um pai é melhor visto profissionalmente que uma mãe?

Eu luto por uma sociedade em que os direitos de gestar, parir e maternar sejam sagrados. Para aquelas que assim desejarem.
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Dispenso a rosa

http://www.cassunca.com/2010/03/dia-internacional-da-mulher.html

Por Marjore Rodrigues
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Direito ao acompanhante no parto

Ao se internar na maternidade mais próxima, cheia de contrações, parturiente é informada que tem que tirar suas roupas, brincos, anéis e qualquer rastro de identidade que eventualmente quissesse levar.

Já vai apavorada, mas agora irá passar por uma sequência bizarra de intervenções de caráter duvidoso, como explico aqui.  E terá que enfrentar tudo sozinha, sem apoio emocional ou qualquer pessoa que conheça ao seu lado. Quisera eu fosse uma ficção, mas é isso mesmo que acontece hoje. Pior, há uma lei com quase 5 anos de idade que garante o direito de acompanhante à escolha da parturiente durante todo o processo.

Essa lei é ignorada. Se alguma parturiente pergunta, as maternidades falam que não possuem espaço, ou não possuem separação entre os leitos - anos a fio. Dizem que somente mulheres podem entrar, ou que então obrigatoriamente tem que ser o pai da criança. Afirmam que só podem entrar segundos antes do parto, ou que os pais são 'frescos' e não suportariam. Ou que os acompanhantes só atrapalham, que é um ato médico e não um circo.

Se você acha bobeira, pense em sentir medo, pavor de morrer, uma dor frequente, uma fragilidade imensa, e ainda ter enfermeiras lhe falando que é bobeira. Ou não ter uma mão amiga e palavras de conforto.
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Uma mãe que nasce.

Algumas pessoas não gostam da alegoria, mas eu amo: uma mãe nasce. Sim, a maternidade TAMBÉM é uma construção cultural, também é influenciado pelos que os parentes acham, o que os velhinhos palpitam e o que os outros esperam de você. Mas mesmo assim, o processo de nascer mãe, é tão grande, tão importante, tão arrebatador, que é um parto. E num não-parto, o mãe nasce de outro jeito.

Não tenho nem dúvidas que a maior dificuldade na maternagem do primogênito foi me impôr. Sim, mãe fresca deve ser uma espécie de desastre ambulante, que requer que toda a sociedade a encha de palpites sem-noção não solicitados a fim que o bebê sobreviva. Vá entender.

Eu peitei muita gente. Ignorei, deixei entrar por um ouvido e sair por outro, fingir que iria seguir aquilo, ou dizer que o 'obstetra/pediatra/benzedeira/figura divina' disse que era errado, revidei. Fiz de tudo um pouco, na medida de intimidade, sem-noçãozisse ou insistência do interlocutor.

Temos que ser poderosas, aprender que 'diz-que' 'diz-que' dizem muita besteira. Tem que ter confiança no seu taco, e ter grupos de apoios para mães-doidas-quer-tem-parto e mães-malucas-que-amamentam podem ajudar. Sim, enfrentar desaforos, confiar que tudo está certo mesmo quando as pessoas tentam desesperadamente te convencer que você e seu filho são doentes, e você uma incapaz.

Não tem mãe que te ensine a 'cuidar de bebê': cada bebê é tão único, que dicas podem te dar mais tentativas, e só. Se você não decidir, não se impor, não será você que cuidará de seu filho, e sim ilustres desconhecidos e parentes: na melhor das intenções, diga-se de passagem. Mas não será você.

No parto, passamos de filha a mãe, é o ápice da gravidez. Com todas as responsabilidades, decisões, coragem e medo. Se enfrentar de verdade, sem ninguém que possa resolver por você. Nem médico, nem mãe, nem marido. O filho foi gestado por você, seu útero, sua vagina, seu corpo e mente lhe pertencem. E você será a fortaleza de alguém.

Parabéns a todas que nascem. Não é fácil nem indolor, mas profundamente perfeito.

Mãe de menina, mãe de menino.

Eu nunca fui uma menina 'padrão'. Não sou dessas cabelo-shopping-maquiagem. Aliás, você se surpreenderia ao saber que na minha casa não há um esmalte; na minha bolsa não há espelho, batom ou maquilagem. Brincam comigo que nasci homem e só esqueceram de me avisar. Na minha casa, sou rainha soberana, e só pari piás.

Já me perguntei: será que eu saberia ser mãe de menina? Será que realmente tem tanta diferença?

Será que um dia eu saberei?
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Banalização da sexualidade na linguagem

Se tem um troço que me incomoda é a vulgaridade com a qual os rapazes em grupo se referem às mulheres. Mesmo os 'compromissados' passam o dia falando de meninas que não conhecem como 'gostosas', sobre os adornos físicos de uma ou outra.

Falam do belíssimo carro que teriam e quantas mulheres 'pulariam' em seu colo com grana no bolso. Namorada é 'patroa', e o que dá orgulho é fingir que é o tal, que teria N mulheres a seus pés.

E detalhe: com meninas 'conhecidas', são respeitosos, carinhosos e inteligentes. Eles tratam as mulheres como inferiores o objetos de status e poder apenas no caso geral, porque no particular são uns amores.

Quando você quer o mal de alguém, manda tomar onde o sol não bate. Quando uma coisa não dá certo, você 'se f*deu'. Quando alguém pede um favor, mais referências à sexo com 'e na bundinha, não vai nada', ou então similares. Afirmar que o outro é homossexual é uma brincadeira por qualquer item em que se seja ligeiramente dissidente.

Porque tratar as mulheres como burras, interesseiras, gostosas? Porque tratar o que é ruim, chato com esses termos pejorativos da sexualidade? Mais importante, como posso ajudar meus filhos a terem uma visão mais bela tanto da sexualidade quanto do feminino?
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Protagonismo no Parto

Do Orkut, GPM

O que a gente tem visto por aí é muitas vezes não dão à mulher seu valor no processo, da mesma maneira que ela mesma.

É o marido que decide que a mulher vai ter cesárea porque ELE tem medo; é o obstetra que escolhe o que qual a via de nascimento que aquela mulher está 'preparada' (como assim, bial???). Já vi 'revista' falando que é o médico ginecologista que deve decidir a melhor hora de uma mulher ter filhos (hã???).

É a ecografia que mostra para a mulher que ela está grávida. É a vó que vai ensinar como é que se cuida da criança. É a psicóloga/pediatra que vai decidir quando e onde a mulher deve amamentar.

O que é um absurdo. A mulher pode ouvir conselhos de saúde baseado em evidências de seu ginecologista, mas deve saber que até prova do contrário ela É PERFEITA E FÉRTIL. O corpo nasceu para isso, sexo, gestar, parir, amamentar. Raros são os pontos fora da escala, a natureza mais acerta do que erra.

Temos então uma mulher que não escolhe quando engravidar, vive com o fantasma de um bebê imperfeito com tantos exames, um útero imaturo. O obstetra escolhe quando e como aquele bebê deve nascer, o pediatra escolhe como a mãe cuida dele.

O parto é de todos; e a parturiente um mero 'container' de bebê que deve ser esvaziado rapidamente (com créditos, Ric).

A mulher tem sim o poder de engravidar e manter esse sadio bebê; tem o poder de parí-lo sem interferências (não confunda interferências com assistência) e então amamentá-lo e materná-lo. Como a humanidade tem feito a séculos.

O normal é regra, o anormal exceção. E todos os demais, inclusive marido, podem assistir de camarote o espetáculo da vida, pelo poder gerador FEMININO. =)

E todas nós somos Deusas.

Machismo

Uns meses atrás, um amiga virtual ajudou com o meu conceito: eu sou super feminista. Muito mesmo.

Vivo com homens, sou rodeada deles. Trabalho com vários, casada com um, pari outros dois. O mínimo que tenho que fazer é confiar neles.

Adoro homens. Até ser uma combinação de mãe e bruxa, a minha visão do feminino era de que tudo era uma bobeira sem tamanho: namoricos, paqueras, cabelo/roupa/maquiagem, celebridades, fuxicos e novelas era tudo tão artificial e dispensável. O mundo dos homens era tremendamente mais interessante, as áreas matemáticas, os problemas lógicos.

Sou Ártemis, sou Atenas. Mas Deméter fez uma mudança radical em minha vida; Perséfone chegou e me mostrou o REAL feminino: menstruar, conceber, gestar, parir, amamentar, maternar, 'menopausar'. O ciclo feminino é belo, complexo e completo. Eu sou uma fã das Deusas, das mamíferas que somos - um orgulho. Como já vi escrito, 'a gente pode tanto, né?'

Mas não é porque somos poderosas que os homens são incapazes. Embora eles não possam fazer nenhum dos pontos do ciclo acima, todas as demais coisas eles podem fazer sim! Não entendo que dificuldade absurda há em cuidar de um bebê: é cansativo sim, mas um pai ou uma mãe conseguem fazer da mesma maneira.

Eu chego ao ponto de não acreditar em 'instinto maternal'. Não acredito. Acredito em níveis diferentes de relacionamentos e intimidades. Acredito que os hormônios da gravidez e parto ajudem a paixonite pelo bebê. Acredito que muitos homens possuam um medo gigante de fracassar. Acredito que muitas mães e avós atrapalham o relacionamento do pai com os filhos.

A gestante pode envolver o pai nessa onda hormonal, ajudá-lo a se apaixonar. O pai pode dar apoio emocional no tempo que ainda não pode 'fazer' nada além de esperar a natureza feminina agir. Mas não entende essa de 'o pai ajuda'. Não. O pai FAZ.

Hipoteticamente falando, se uma criança não tem mãe nenhuma e um pai, dá quase na mesma. Embora eu também concorde que a transição útero-externa pode ser mais fácil com o ponto de apoio mãe-amamentação, o bebê irá se apegar ao pai.

Sou muito feminista: igualdade aos sexos. Um homem é totalmente capaz de cuidar de uma criança, trocar uma fralda ou levar ao pediatra. Mais do que capaz, é no mínimo obrigação moral.
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