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8 de março - quero minha cota em chocolates

Daí que eu amo chocolate. Adoro. Não carece desculpa pra me dar um chocolate, não! Mas se a pessoa do outro lado preferir ter uma desculpa qualquer, eu aceito. Dia de quem já teve gato preto? Aceito. Páscoa? Aceito. Primeira segunda-feira de abril? Aceito. Chocolate é presente certo e que não há contraindicação.

Então, a cada 8 de março, tem aquela forçada de sorriso amarelo, e parabéns esquisitos. Parabéns por eu ser mulher? Bizarro. Porque eu não ESCOLHI ser mulher, eu não fiz nada para isso. Eu nasci assim, e do mesmo jeito que ninguém me dá parabéns por eu ser branca ou ter miopia; ou quem sabe, por ter lindas mãos.

A gente não queria exatamente receber parabéns por ser mulher. E fica super chato aquele tipo de 'elogio' que a gente preferiria não ter que ouvir. Exemplos:

  • Parabéns por trabalhar fora e ainda dar conta da casa e da família: gente, cadê a outra parte do casal, digamos, a parte que não é mulher? Casa e família é só da mulher, isso? 
  • Parabéns por conseguir gerar vida, o bem mais belo: ok, só é mulher se for mãe, senão não merece homenagem? 
  • Parabéns por ser sempre linda e vaidosa, delicada e bela, etc: quer dizer, mulher só é relevante se for bibelô pra enfeitar a sala. Só faltou o quietinha. 

Eu peço que todos olhem todos esses mil parabéns com um simples olhar: mulher só é elogiada se for delicada, bonita, vaidosa, boa amante e mãe? Que é a mulher-maravilha, com dupla, tripla jornada? Mulher solteira e sem desejo de ter filhos não merece parabéns? A data é para ser uma data FEMINISTA, ativista, e não de parabéns forçados. Lembrem-se que feminismo é aquela idéia radical que mulher também é gente.

Vou aqui fazer o meu parabéns. Hoje, eu acho que todas as mulheres batalhadoras merecem um grande e enorme parabéns. A lista é ilustrativa e de modo algum tem a pretensão de ser exaustiva.
À todas as mulheres que assumem seus filhos, à todas as mulheres que enfrentam nosso sistema obstétrico, à todas as mulheres que enfrentam os assédios nas ruas, à todas as mulheres que se sentem deslocadas no trabalho. Àquelas aguentam piadinhas machistas no trabalho, que tem sua competência questionada pela sua aparência. Para todas as mulheres que  À todas as meninas que lutam para ter uma vida sexual bem resolvida, à todas que não querem casar, à todas que não querem ter filhos, à todas que questionam a vida, que estudam, trabalham, que batalham por um lugar ao sol.

(Para todas as mulheres que sofreram violência obstétrica, por favor, passe no blog da Cientista Que Virou Mãe e veja o teste e também a pesquisa dela. Contribua. Precisamos combater esta violência contra a parturiente que acontece no Brasil todo.)

Aos homens que estão juntos conosco, que nos respeitam como ser humano, um muito obrigado.

Então, a partir de hoje vai ser assim: cada conhecido que falar uma frase machista, me deve um chocolate. Pelo menos não passo mais raiva! Tomara que eu não engorde demais pelo meu bem e da felicidade geral da nação.
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Saber ouvir 'não'

Eu não sei jogar muitas coisas. Video-game é uma delas. Outra é o joguinho do sim-ou-não. Você fala 'não' querendo dizer 'sim', torcendo para que o interlocutor insista e esqueça o seu 'não' - viceversa, versavice. Tudo muito complexo, elaborado, e tri embaralhado, desisto 3 dias antes de conseguir começar.

E que no meu mundinho, 'sim' e 'não' são palavras binárias. E são sempre respostas plausíveis para perguntas. Exemplos práticos:

'Quer ajuda?'
'Quer mais macarrão?'

Perguntas que enfim, podem e devem ser feitas à crianças. Crianças, por conta de sua comunicação e habilidades sociais diferenciadas, não vão conseguir expressar seus sentimentos em forma de palavras. Logo, manda a boa educação que você, a pessoa equilibrada, madura e sensata da relação pergunte. Às vezes a gente, na pressa e na falta de costume, esquece. Mas faça um esforço, vale a pena. 

'Você quer que eu amarre o seu tênis?'
'Você quer que eu corte a carne?'
'Você quer ajuda para montar o quebra-cabeças?'
'Posso te pegar no colo?'
'Posso te abraçar/beijar?'

E mais importante do que perguntar (afinal, uma criança AINDA é uma pessoa), é aceitar a resposta. 

Não é não. Aceite. Se você NÃO consegue lidar com um 'não', acho melhor você ir se tratar. Insistir quando a criança já falou 'não' é falta de educação, perda de tempo e um desserviço à educação emocional da criança. 
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Das fases de desenvolvimento

Gabriel, como eu já previamente anunciei, já lê. Lê o que eu considero suficiente, escreve com vários erros ortográficos, mas com convicção. Seja por conta da alfabetização ou da idade, Gabriel parece que mudou completamente o seu foco.

É fato conhecido que crianças pequenas repetem. Repetem tudo à exaustão, repetem desenhos, imitam padrões, imitam adultos, imitam qualquer coisa que pareça imitável. Eu imagino que, como o cérebro está 'vazio' daquela cultura, eles fazem um esforço homérico de replicar, replicar, repetir, repetir, até decorar. Criancinhas pequenas decorariam com facilidade nomes de países, emblemas, sinais - se bobear, até tabuada eles decorariam sem entender nada do que aquilo significa. Decoram histórias, idiomas, palavras, trejeitos, expressões. Tudo meio descontextualizado para nós, mas para as crianças tudo está num emaranhado emocional denso.

Fato é que nos últimos meses tem acontecido uma mudança muito forte no jeito do Gabriel. Ele perdeu o padrão de repetição, o trabalho dele é todo focado em comparações, em abstrações. Não gosta de ficar assistindo e reassistindo episódios que já viu. Qualquer acontecimento gera uma cascata de explicações que tem se tornado cada vez mais elaboradas e 'próximas' da realidade. Embora não sejam verossímeis na vida real, tem uma lógica bem elaborada.

Alguns meses atrás comprei vários quebra-cabeças, incluindo um de 150 peças. Gabriel com maestria comparava cada peça com o desenho na caixa, tentando buscar os padrões de onde a peça deveria ser encaixada. Já Leonardo, ia no algoritmo de força bruta, tentando uma por uma das posições. Após 3 ou 4 montagens, quando já se meio que decora as posições, Gabriel desinteressou. Leonardo, por outro lado, se especializou e decorou a posição de cada uma das peças nas semanas seguintes. Interessante como um simples quebra-cabeças pode ser usado em tipos de aprendizados tão diferentes.

A criança SABE o melhor método para aprender o que precisa naquele momento. Bobeira tentar pular fases.

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Legendas e reflexões

Legendei (com todo o amor e carinho, mas né) dois lindos vídeos.
São antigos, mas acho que não existia versão legendada.

Reflexões da maternidade/maternagem


Reflexões da amamentação

Se as legendas não aparecerem de cara, aperte o 'CC' vermelho que fica à direita, embaixo no vídeo e selecione 'Português (Brasil)'. Aproveitem e repassem :)

Sono comprido

E aí que Gabriel é veementemente acordado e derrubado da cama pra lá de 10:30 da manhã. Depois de muita insistência, diga-se de passagem.

'Mãe, sabe por que eu dormi muito hoje?'
'Por que, meu filho?'
'Porque eu tive um sonho muuuuuuuuuuuuito comprido. E aí eu queria ver o sonho inteiro, e por isso eu dormi muito'.

Então tá. As explicações estão cada vez mais elaboradas.
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Mudancinhas e mudanções

Por uma questão de logística, faz coisa de um mês que estamos na casa da sogra.

O que significa que agora não temos mais a *nossa* casa, os meninos perderam quarto, cama, etc etc etc. Doei também boa parte dos brinquedos e assim por diante.

Achei que os meninos iam sentir, sentir a falta do outro chuveiro, dos brinquedos maiores, do quarto, dos objetos deles. Nem lembraram da existência.

Criança precisa de quase nada nessa vida. Comida, uma higiene básica, um canto pra dormir, muito amor, carinho e doses cavalares de paciência resolvem tudo. Cada vez me convenço mais que é a maior besteira do mundo decorar quartinho de criança se ELES não se importam uma vírgula com isso.
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Saí no Blogueiras Feministas

http://blogueirasfeministas.com/2012/02/cade-a-mae-dessa-crianca/

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