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Coisa de doido

Para cuidar de um bebê precisa de roupas, fraldas, 2 slings, 2 seios e muito colo.

Para dar banho, água, 'brinquedinhos', um balde e uma toalha.
Para dormir, qualquer cantinho limpo e confortável.

E hoje me olharam como a maior ET do mundo porque, PASMÉM, eu falei que o bebê tomava banho no balde. Ué, não é assim que nossas avós tomaram banho, que banharam nossas mães e pais?

Os bebês não mudaram de necessidades desde sempre!
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Rapidinha

Li na GPM, esses dias.

Dizer que a placenta grau 3 não passa mais nutrientes é julgar pela aparência. É como dizer 'Fulano é tão feio que com certeza é muito chato!'

Amei!
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Banalização da sexualidade na linguagem

Se tem um troço que me incomoda é a vulgaridade com a qual os rapazes em grupo se referem às mulheres. Mesmo os 'compromissados' passam o dia falando de meninas que não conhecem como 'gostosas', sobre os adornos físicos de uma ou outra.

Falam do belíssimo carro que teriam e quantas mulheres 'pulariam' em seu colo com grana no bolso. Namorada é 'patroa', e o que dá orgulho é fingir que é o tal, que teria N mulheres a seus pés.

E detalhe: com meninas 'conhecidas', são respeitosos, carinhosos e inteligentes. Eles tratam as mulheres como inferiores o objetos de status e poder apenas no caso geral, porque no particular são uns amores.

Quando você quer o mal de alguém, manda tomar onde o sol não bate. Quando uma coisa não dá certo, você 'se f*deu'. Quando alguém pede um favor, mais referências à sexo com 'e na bundinha, não vai nada', ou então similares. Afirmar que o outro é homossexual é uma brincadeira por qualquer item em que se seja ligeiramente dissidente.

Porque tratar as mulheres como burras, interesseiras, gostosas? Porque tratar o que é ruim, chato com esses termos pejorativos da sexualidade? Mais importante, como posso ajudar meus filhos a terem uma visão mais bela tanto da sexualidade quanto do feminino?

Depilação íntima?

Rolam por aí textos engraçadérrimos sobre depilação íntima, das dores insanas, absurdas, inacreditáveis que a cera coloca na virilha. Claro, todas concordam, mas 'vale a pena', porque fica lisinho, bonitinho e higiênico. Estético, né?

Agora a dor do parto não vale a pena! 'Ah, fiz cesárea porque sou fresca para dor, tomo analgésico até para dor de cabeça!'

Para deixar a vulva lisinha por mais tempo, vale a pena ter uma dor insana. Para ter um filho, deixar a vida nascer, não vale a pena esperar para ver se haverá dor.

Tem jeito?

... porque barriga de grávida não é corrimão!

Para A.


Sou dessas criaturas antissociais (seja lá como se escreva isso nas novas normas gramaticais). Não sou de abraços e beijinhos com qualquer pessoa sem intimidade, respeito a integridade física e emocional dos outros.

Eu não imagino em que ponto do percurso a grávida vira patrimônio público; já li que o desejo enorme de as pessoas participarem um pouco da vida do bebê, uma criatura que inspira cuidados. Pode ser também o desejo de parecer importante, inteligente, vivido. Não sei, mas é irritante.


http://www.mama-is.com/page/46/

Afinal, todo mundo é vidente. Todos tem uma mandinga ou simpatia para descobrir o sexo do feto, ou então seu peso atual. E não importa o que foi visto na ecografia, sempre há o caso da vizinha-da-manicure-do-cachorro-da-vizinha com um causo peculiar.

Não somos mais uma pessoa 'humana'. Somos uma barriga ambulante. Param o tempo todo para comentar o tamanho do bebê, qual via de nascimento deveríamos escolher (????), assustam com todas as histórias possíveis de partos mal-sucessidos e bebês inacreditavelmente difíceis de lidar. Como se tivéssemos dado alguma intimidade!

Pintam com cores grotescas o quão terrível e difícil foi a sina dessas mulheres. Não entendo. Como é que a humanidade sobreviveu a todos esses séculos, todo esse tempo? Porque a natureza é uma burra, nosso corpo é um zero à esquerda nessa coisa de sobrevivência. Se o parto é um evento assim tão terrível, por que é que se continua a fazer filhos?

Se não quer acordar a noite, dar mamá, vai botar filho no mundo pra que? Pra deixar chorando abandonado? Pra bater e xingar? É pacote completo: quem é mãe é mãe por inteiro, não tem como ser menos.

E a barriga, então? Deve ter ímã, porque muita gente passa a mão até sem pedir. Aff. A barriga é minha, o filho é meu, tire as patinhas cheias de germes que desconheço do meu território. Como eu tenho que me sentir sou eu que decido. E, é claro, sempre podemos passar a mão na barriga da outra pessoa para ver se ela se toca.

De médico e técnico de futebol todo mundo acha que tem um pouco. Agora no campo maternagem, acreditam piamente que sabem mais do seu bebê do que você e mesma- que, por sinal, nem bebê é, e sim uma barriga saltitante.

Ah, claro, fofa. Não é porque seus 2937192836 filhos sobreviveram à você que você fez do melhor jeito.

Recomendo a todos que leiam meu relato de parto. Dá para ter uma noção do meu estado =D

Para que assustar a gestante?

O que são essas histórias de terror? Qual o SADISMO das pessoas de contarem todos os casos mal-contados de placentas ineficientes, cordões enforcadores, úteros-bomba; bebês que 'se afogaram' (???), 'passaram do tempo', vaginas que 'não dilatam' (????? 2x), sangue. Dores maquiavélicas, episiotomias insanas, sequelas, fórceps. Anestesias que não pegam, mortes. Infecções, UTI, abortos, má-formações.


http://www.mama-is.com/page/27/


Todos os detalhes sórdidos, com muitos requintes de imaginação dantesca, pintados à cada gestante. Eu acho que deveria ser proibido por lei falar bobagem para as já sugestionáveis gestantes.


http://www.mama-is.com/page/28/


Sorte ou azar é meramente estar do lado muito menor da estatística. Mas propagar mitos é desaforo!

Não tem nada de bom para falar, cale a boca.
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Tiro no Pé - Ric Jones

O médico é o único indivíduo nesta sociedade que pode causar dano físico a outrem sem que isso incorra em crime. Isto é: é o único que passa uma faca na sua barriga e você ainda tem que pagar!! Desta forma, o médico goza de um status especial. Algo como o James Bond e sua "licence to kill". Parecido apenas, tá?

Entretanto, essa sua licença especial para "causar dano físico" tem seus limites, e eles se situam na fronteira do necessário.

Se for preciso infringir dano PARA SALVAR a vida, ou estimular a saúde (como uma cirurgia, uma droga potente, etc...) este tipo de atitude (que poderia ser vista como agressão) é entendida como válida. Até mesmo salvadora. Acima de tudo, nobre.

Daí se percebe que um procedimento médico deve estar embasado na superação dos benefícios estimados sobre os malefícios inerentes à qualquer intervenção.

Se sabidamente estes transtornos inevitáveis não apresentam uma contrapartida explícita de vantagens em torno da saúde, existe uma inadequação de ordem ética.

O adágio primeiro da medicina (o Hipócrates havia previsto isso) é "Primum non nocere", isto é, "Primeiro não cause dano". Com isso se estabelecia um dos pilares fundamentais da medicina: o princípio da não maleficência.

Cesarianas sem justificativa médica agridem este pressuposto mas....

E as cirurgias plásticas estéticas? Não agridem também?

Se existe uma justificativa "médica" para ter seios apontando para o teto, deve existir também para não ter dores no pré-parto e para diminuir a ansiedade.

A realidade é que tais razões são de ordem subjetiva, não quantificáveis...

Se achamos crime cesarianas com hora marcada, deveríamos achar também as plásticas estéticas.

Se acreditarmos que uma mulher pode arriscar sua vida para ter um nariz menorzinho, podemos também crer que elas podem escolher ter seus filhos da maneira mais arriscada. Como diria o arquiteto a Neo "Tudo se resume a escolhas".

Em função disso eu, mesmo reconhecendo a questão ética delicada envolvendo cesarianas por demanda materna, prefiro acreditar que as mulheres têm o direito de escolher. Maximilian me ensinou muito cedo isso (mas como sempre eu aprendi tarde): "Humanizar o nascimento é restituir o protagonismo à mulher. O resto é sofisticação de tutela". Impedir o nascimento por via cirúrgica sem indicação, usando o poder da lei para proteger mães e bebês, é uma linda sofisticação de tutela, mas continua entendendo as mulheres como seres inferiores, que precisam ser tutelados para adotar o melhor caminho a seguir.

Proibir cesarianas, e com isso impedir escolhas ruins, pode ser um tiro no pé. Ao mesmo tempo em que protegemos as mulheres dos problemas de uma cirurgia as colocamos num patamar inferior da sociedade. Incapazes de fazer escolhas por si acabam se tornando como crianças, que precisam de uma mão forte a guiá-las.

É preferível a liberdade extravagante à prisão ajuizada.

Acredito que as mulheres devem escolher livremente as suas opções, mesmo que isso as conduza a escolhas tolas, como uma cesariana, na qual acabam perdendo o "melhor da festa".

03/09/2009 - Partonosso
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