De quando a mãe nasce

Para L.

Já falei em um post mais antigo, que para mim a mãe de um bebê real nasce na hora do parto. Antes disso somos mães de uma barriga saltitante, um sonho e uns par de planos.

O positivo, assustado ou esperado, parece muito mais duas-linhazinhas ou um número beta-HCG gigantescamente alto. É, assim, um acumulado de sintomas bizarros que se acumulam de maneira arbitrária.

Nunca fiz uma ultra antes de 11 semanas, mas ver uma forma humanóide em meu útero me trouxe orgulho de minha própria humanidade: sim, eu sou minha própria Deusa, eu gero vida, eu sou demais. Mas não muito mais do que isso, porque eu não tive muito mais tempo do que enjoar, passar mal e dormir.

Com 19~20 semanas, muitos chutes, e a coisa começa a ficar mais delineada. O segundo trimestre começa conosco não entrando em roupa nenhuma, a pochete que não se define como barriga de grávida. Interagimos melhor com a barriga-puladora, descobrimos o sexo, damos um nome para o futuro. É tudo muito gostoso, uma hora começamos até a ganhar a preferência nas filas e ônibus. Somos poderosas, Deusas geradoras da maior e mais perfeito dos segredos da vida. Somos gestantes, muito gestantes. O que e quando comprar, planos mirabolantes. E medo de não sermos boas mães, de repetirmos os mesmos erros.

Eu digo que em algum ponto entre 28 e 32 semanas entramos no terceiro trimestre: de repente somos extremamente sugestionáveis, vulneráveis, enormes, estabanadas, apavoradas com as perspectivas do parto que se aproxima. Tudo fica assustador, e chovem histórias de horror de todos os tipos.

Tudo dói: as costas, a bexiga, o estômago, as costelas. O bebê chuta e parece que reverbera até a cabeça; fazemos xixi de conta-gotas e conseguimos comer super pouco. Ou temos fomes arrebatadoras, ou medos gigantes. Agora vc é tratada como uma inválida: o que vc considerava educação agora enche a paciência. Praticamente uma bomba-relógio prestes a explodir ou entrar em trabalho de parto, o que vier primeiro. Não há posição para dormir ou cortar as unhas do pé. 'E quando que nasce?' Apaaaaaa!

E vem a monhanha-russa do trabalho de parto, e de repente as coisas fazem sentido: sim, eu preciso nascer mãe. É preciso chamar o filho, é preciso saber que ser mãe dói, dói saber que não podemos protegê-lo do mundo, dói saber que nem tudo são flores, que no mundo tem muita gente doida. É a hora da passagem, onde a maternidade nos pertence, onde cruzamos os rio para o qual tanto nos preparamos.

E os primeiros meses da maternidade mostram o seu poder, o seu ponto de transmutação. E passamos a ver tudo do outro lado do rio, com uma simplicidade invejável. Não temos mais tempo para os problemas simples, temos o mistério da vida para perpetuar.

A mãe nasce no parto e cresce com o bebê. Cresce colocando-se em seu lugar de cuidadora, cresce colocando os palpites no seu devido lugar: no lixo. Uma mãe aprende a amar seu bebezinho com os meses. Não dá para nascer em minutos: tudo tem o seu tempo.

Meu enxoval e seu enxoval

Algumas meninas falaram que estão 'podando' seus enxovais por conta do meu post anterior hehehe

Bom, eu gostaria de frisar que aquela foi apenas a minha experiência. Cada pessoa possui uma coletânea diferente de objetos úteis, e só a experiência vai definir isso.

Já ouvi algumas pessoas que gostaram muito dos kits de berço, que aqueceram o bebê e serviam para que ele não se batesse nas grades; para mim, só serviu de apoio para que ele pulasse do berço, rasgasse e juntasse pó.

Algumas pessoas preferem banheiras, para que se possa dar banho em pé nos primeiros meses; eu já prefiro o balde (oval). Depois dos 6 meses, a bagunça é tal que vc irá dar banho no banheiro, provavelmente.

Para algumas pessoas, o carrinho de passeio é importantíssimo: para mim, é um trambolho perto do sling.

Em regiões distintas do país, as roupas são outras; maioria dos bebês prefere não ser 'enrolado' depois dos 4 ou 5 meses. Muitos bebês dormem no quarto dos pais, então a babá eletrônica é supérfluo. Maioria das pessoas não precisaria de um berço desmontável. Muitas pessoas gostam dos saquinhos de dormir.

O que cada um vai querer é uma incógnita. O que eu acho que vale a pena é comprar os 'panos' (roupas, paninhos de boca, cobertores, sling, toalhas); pensar onde vc acredita que o bebê irá dormir (berço, moisés, whatever), onde vc irá trocar as fraldas e onde guardará os itens de vestuário e higiene.

Faça o plano; pense na disposição ideal, mas tenha certeza que os panos mudam. Seu bebê pode não se acostumar ao berço, ou então preferir banho no chuveiro....

Melhor é guardar dinheiro e ir comprando conforme a necessidade. Porque, de necessário mesmo só o colo dos papais, o leite de mamãe, roupa quentinho, além do bebê conforto do carro. Os itens seguintes, eu coloco o sling e a concha de amamentação.

Mas tudo isso é tão pessoal que vale apenas como isso: experiência pessoal. O necessário é pouquíssimo, o útil é maiorzinho: mas o que tem de troço que vc não vai usar e caro não está escrito no gibi. O enxoval de um bebê nunca é mais caro do que podemos pagar.

Como eu sempre afirmo, de nada adianta fazer o quarto em rosa-degradê-com-borboletas, a bebê não irá gostar de ficar sozinha e abandonada sem colo ou leite. Certamente a seleção natural não selecionou os bebês humanos que se deixavam ficar sozinhos.




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Enxoval minimalista

Se vc já teve filho, pule esse post. Inútil.

Fato é que cada um terá um conjunto potencialmente distinto de objetos úteis na maternagem. Se ajuda alguém, aí vai meu centavo (lembrem-se, aqui é frio):

Necessários

  • Roupas - principalmente M e G, maioria das visitas dá P e RN. Meus filhos que são pequenos, deixaram de usar RN com um mês, P com 3 meses, M com 6 meses. Sempre dá pra usar o tamanho maior em caso de necessidade, mas conte umas 3 mudas por dia pelos menos nos primeiros meses.
    • Bodys e camisetas - manga curta e longa
    • Calças de malha, para usar por baixo
    • Meias (finas e grossas)
    • Blusas de lã para usar por baixo, ou casacos
    • Tiptops ou conjuntos mais quentes e mais frescos - preferi com pezinhos, melhor para levantar
    • luvas/tocas - já falei que aqui é mega frio?

  • Fraldas - optei pelas descartáveis, mas muitas pessoas se dão incrivelmente bem com as de pano (tanto as tradicionais quadradas quanto as do tipo 'calcinha')
  • Cobertores e mantinhas - umas 3 ou 4, no máximo
  • Bebê conforto - se vc for usar carro, SEMPRE no bebê conforto!

Foram mega úteis pra mim

  • Toalha de banho - preferi comprar fraldas em casa de tecidos e fazer uma toalhoona =)
  • Berço - optei por levar o bebê adormecido ao berço, logo necessitei de jogos de lençóis também. Sim, usamos travesseiro.
  • Balde para banho - de todas as opções (banheira com redinha, banheira com suporte, chuveirão), adaptamos-nos melhor ao balde oval
  • Sling - temos 2 ring slings, um no corpo outro no varal. Não saímos sem ele
  • Paninhos de boca e fraldas de pano - são muito uso, dá pra limpar qualquer bagunça que o bebê faça, leite que volta, baba, etc
  • Cueiros - usamos muito e por muito tempo para fazer 'cartuchinhos'
  • Cômoda com trocador ou banheira com trocador - adaptamos-nos melhor do que trocar em lugares mais baixos. A vantagem da banheira é que tem uma pequena 'barreira' lateral.
  • Brinquedos de plástico e mordedores (6 meses ou +)- de pouco em pouco, junta-se uma quantidade absurda deles, mas eles adoram
  • Concha de amamentação - ajudou muito no primeiro mês principalmente, deixando com que o mamilo se recuperasse entre uma mamada e outra e que eu não ficasse vazando o dia todo!
  • Copinho de transição com válvula antivazamento - usamos para administrar qualquer líquido ao bebê (por exemplo, leite na ausência da mãe)
  • Babadores com plástico (1 ano ou +) - sim, experimente deixar um bebê aprendendo a comer sem ele hehe
  • Cadeirão de alimentação - idem item anterior
  • Babá eletrônica - se vc pretende dormir em outro quarto ou tem um irmão mais velho que faz muita bagunça na hora da soneca do mais novo, ajuda a manter a porta fechada
  • Berço desmontável - é interessante se não há espaço na casa para um berço (aconteceu comigo) ou em caso de viagens.
  • Abajur - eu acho interessante, inclusive para trocar a fralda de madrugada sem acordar totalmente o bebê.
  • 'cheirinho' - eu ganhei umas fraldas de pano cheias de frufrus, que meu filho adotou como o primeiro objeto transacional dele.
  • chupeta - meus filhos sempre tiveram dificuldades em dormir. Sim, eu já xinguei a chupeta várias vezes (inclusive nesse blog), é ruim. Mas ajudou ali (alguma coisa de bom tem que ter).
  • protetor de tomada - com uns 10 meses, estou começando a sentir falta....

Nem tão útil, mas comprei e uso

  • Porta trecos - bom, facilita ter as coisas
  • lixeira - pra lançar as fraldas
  • tapete - é fofo, viu =D
  • cesto roupa suja - eu prefiro lavar as roupas do bebê separadamente (inclusive pelo volume absurdo)
  • tesoura de unha - eu comprei uma que tem uma capinha protetora... Fofa!
  • saboneteira/pente/escova cabelo - é, é bom, bonetEnho.
Comprei/ganhei e (quase) não usei

  • Carrinho - com sling, fica pegando pó
  • Cercadinho - é inviável ficar montando e desmontando, é enorme e trabalhoso. Fora que não é correto deixar a criança presa o tempo todo.
  • Bomba extratora de leite elétrica - como eu voltei a trabalhar no período da lactação exclusiva, ajudou a retirar o leite mais rapidamente. Valeu a pena, mas pouco usei
  • Potes de vidro com tampa de plástico de rosca - dificílimo de encontrar, serve para congelar leite materno
  • Limpador nasal/spray nasal - nunca consegui acertar o nariz de um bebê se debatendo.
  • poltrona - nos primeiros tempos usei legal, ficava com o bebê no colo adormecido, sentada lá. Mas hoje está no meu quarto e sustenta todas as roupas para dobrar =)
  • kit higiene - no mais velho comprei todos os conjuntinhos combinandinho, farmacinha e etc. Só pra pegar pó, né? Segundo filho comprei uma garrafa térmica, pote e etc na havan, setor de cozinha. Serve melhor, bem melhor. Nada melhor para limpar um bumbum que água morninha no quadradinho de algodão!
  • mosquiteiro/kit berço - só serviu para mim para juntar pó. Sequer tem pernilongos na minha casa!
  • álbum fotos - pergunta se eu imprimi alguma?
  • lembrancinhas maternidade/nascimento - eu passei pouquíssimas horas na maternidade. Lembrancinha só pra gastar dinheiro, e atrair as visitas dando palpite??
  • mamadeira - nunca dei. Direto pro copinho, melhor e não desmama!
  • rolinho para dormir - na minha santa inocência, achava a posição que os bebês deveriam dormir era de lado! De barriga para cima, nada de rolinhos.

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Roadmap

Para J.

Maioria dos links que vou passar de parto são da comunidade do orkut Gravidez, Parto & Maternidade (GPM). Além disso, o blog das mamíferas sempre tem textos lindos, como 'Cesárea não é parto', e neste mesmo blog tem a tag 'partos'; veja toda a tag, principalmente a Montanha Russa

A dor boa e a dor má: o parto e a ginástica e também sua discussão na GPM
O que queremos num parto? e também sua discussão na GPM
O verdadeiro parto normal e sua discussão na GPM
Amigas do Parto, notoriamente comparando o parto de hoje e o parto humanizado.
Cesárea, escolher e perder
Indicações das desnecesáreas, uma coletânea de falsas indicações de cesárea recolhidas por aí

O que é doula? - é muito, muito bom ter =D



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Maternidade inútil

Adicionei uma fulaninha de um portal 'gravídico' no meu orkut para que amiga minha concorresse à um banner no referido site. Assim, amizade, "add ela perfavore", o que custava adicionar a criatura, né?

Sim, caí na newsletter do site. Geeeeeeeeeente, abafa, que que é aquilo??? E eu que me acho fútil às vezes, mas aquilo chega a um cúmulo inimaginável. Agora, o que me deixa ainda mais curiosa é que eu não consigo pedir para deixar de receber, é uma coisa tão fora da casinha que eu fico ansiosa qual vai ser a próxima mensagem-sem-noção.

Primeiro, conta com opiniões de 'especialistas'. Vamos combinar, opinião deve ser expressa por quem TEM opinião, e não qualquer maria-vai-com-as-outras que tem um diploma. Mas ok, ignoramos isso, os 'dotores' são tratamos como deuses na Terra, e a OMS (Organização Mundial de Saúde) ou SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) ignoradas deliberadamente. É, é a vida.

Segundo, recebo dezenas de e-mails sobre decoração de quartinho de bebê. Deixa eu repetir: sabe aquele quarto que praticamente não vai ser usado? Então, esse mesmo. Deixa eu contar mais: tem ateliês especializados em fazer todos os móveis em cor-de-rosa-com-ursinhos. Ou bolas-e-carrinho, dependendo do sexo do bebê. Fato, se existem essas pencas de ateliês, é porque as pessoas compram! Uma pequena fortuna em móveis que em uns 2 anos vão ser descartados...

Mas a última foi a melhor: sim, mostrou um 'sonho de consumo', um frigobar com motivos infantis. Claaaaaaaaro, para colocar no quarto do bebê! Mostrado com a décima maravilha da humanidade, 'super prático', pode colocar leite, papinha, frutas.

Páaaaaaaaaara o carrossel, tio, que eu quero descer agora! Não sou uma analfabeta, mesmo que o bebê tenha sido desmamado precocemente, na embalagem do leite artificial tá escrito assim: consumir IMEDIATAMENTE após o preparo. Não diz pra colocar na geladeira, no frigobar cor-de-rosa-choque. Diz pra tomar.

Papinha gelada? MenAs, né, bem menAs. Vai fazer o que, ter microondas no quarto, tb? Escute, mora-se em mansões, agora, que a cozinha é tão distante? Ou pretende-se deixar o bebê o dia inteiro no quarto, preso?

Fruta no frigobar? Aff. Affãaaaaaaao.

Pode ser linda, mas é completamente inútil. Bom, como tem rodinha, pode servir de andador, ou uma caixa para escalar, sei lá. O pior é que se alguém vende, é porque compram.

Meu marido sugeriu colocar umas cervejas, pra enquanto vc está no quarto com o bebê adormecido no colo, tomar umas e outras. É uma idéia, hein? Pelo menos passa o tempo.
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Trabalho infantil

A PR de vez em quando me traz surpresas: e a de ontem eu fiquei abismada.

Em nossos vários Brasis, descobri que em São Luiz (sim, CAPITAL) o trabalho infantil doméstico é super bem aceito, normal. As meninas de 8, 10 anos são trazidas do interior, de famílias pobres e trabalham como empregadas e babás. Muitas com salários ridículos, num regime de quase escravidão. Essas garotas não tem nenhuma segurança, não preciso muita imaginação para prever que tipo de problemas elas enfrentam numa casa desconhecida, desamparadas por todos.

Não é cuidar uma horinha dos irmãos no parquinho. Não é ajudar a tirar o lixo, arrumar a cama. Não é ajudar os irmãos, não é ajudar na roça dos pais: é uma enorme carga de trabalho. Numa cidade longínqua, sem família. Além de a criança trabalhar, ainda está distante de sua família, passando por apuros sem uma alma viva para defendê-la, sem os vínculos do passado.

Eu não imagino como alguém aceita tal coisa, se aproveita da situação terrível de outros para ter mão-de-obra barata. É imoral. Eu não sou inocente a ponto de não saber que isso acontece, mas admito que me surpreende ver isso à luz do dia, numa capital.

Não é adotar, não é cuidar. É se aproveitar da situação dos outros. Não é caridade, é ilegalidade. Nem consigo entrar no mérito do que é melhor ou não é, o que fazer, o que faria o conselho tutelar. As meninas se oferecem porque há quem aceite a proposta.
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Semana (re)produtiva

Essa foi uma grande semana na GPM: 3 trabalhos de parto online, os três culminaram em partos. Belíssimo.

Parabéns à Anne, à Cintia e à Délia, que ainda ligou ao cesarista avisando que já tinha nascido =D
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