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Violência contra bebês

Vou falar, falei. E esse post vai com disclaimer 'é minha opinião', não vou discutí-la que para mim é verdade absoluta. Não estou nem aí pro que pensam os outros, vou vomitar e nem ler as respostas hoje.

Deliberadamente não atender a necessidade de um bebê para mim é crueldade. Maus tratos. Um bebê e seu sistema neurológico imaturo precisam de pequenos cuidados repetidamente, até que o cérebro tenha um melhor desenvolvimento. Não vejo diferença entre necessidade de leite e necessidade de colo. É necessidade igual, válidas da mesma maneira. Até adultos precisamos de companhia, acalanto, apoio, que dirá um pequeno primata.

Para quem deixa chorando bebê 'para ser independente' eu desejo o mesmo; em caso de desespero, cansaço, tristeza absoluta, eu falaria com todas as letras: foda-se. Fique sozinha para aprender que a vida é cruel, que ninguém vai lhe ajudar. Estou fazendo isso pra vc ser 'independente', seja lá o que isso signifique. Chore até desmaiar de cansaço e desespero, porque eu não vou lhe dar o ombro.

Independência, autonomia? Eu não quero filhos independentes: quero-os antenados no mundo, na ecologia, crescimento sustentável, que se importe com os outros. Não use de escada, seja moral e correto. Independentes, nunca, jamais.

Fetos e mãe estão ligados fisica e emocionalmente, um enlace. A amamentação mantém esse laço fortemente; mas eles vão se distanciando. Cada vez mais para longe, num ímpeto que vem de dentro. A gente só faz aceitar, porque o crescimento é o segredo divino. Alguém já viu algum adolescente que queira fazer cama compartilhada com os pais? Desde que depositemos confiança nos filhos, eles se afastaram gradativamente.

Segurança. A certeza de que seremos apoiados se necessitarmos, que podemos ir cada vez mais longe e ainda assim teremos apoio. Consegue-se isso abandonando um bebê a sua própria sorte? Que segurança nos pais uma criança dessas terá, de que está sozinha no mundo?

Enoja profissionais da saúde que profetizam como deuses, que semeam sua ignorância como autoridades máximas da ciência. Enoja utilizarem-se dos títulos para repassar crendices que servem de desculpas para maus tratos contra as crianças e minar a pouca confiança na própria maternagem. Irrita tirarem as decisões básicas da vida da criança de seus pais.

Se dão uma palmada nas crianças que erram, eu devia encher essa criatura de porrada; quem sabe assim lesse mais artigos e se colocasse em seu lugar. Resolve?

Em tempo: hoje há consenso que leite humano deve ser ofertado em livre demanda, e que previne a obesidade na vida adulta. Eu não acredito que cérebros diminutos de bebê façam mais do que sobreviver; e deixar chorando sozinho aumenta os níveis de cortisol, estimulando a violência teoricamente. Também acredito que os PAIS devem decidir onde o bebê deve dormir, de acordo com o que for mais confortável para a família.

E admito que a maternidade cansa, amamentar cansa muito. Vida se alimenta de vida.

Mas nada justifica 'culpar' a mãe pela dependência nata dos bebês humanos. Culpe os deuses, a evolução, culpe quem quiser, mas a mãe é apenas mãe e humana.
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Amamentação e confiança

Já li no Criando Bebês que amamentar é um truque de confiança:

Nós sabemos que as mulheres que fazem isso [amamentar] bem e com facilidade são as que nunca consideraram que não conseguiriam. São mulheres que estão cercadas por pessoas que ensinam a elas como colocar o bebê no peito adequadamente e sempre dão a elas a impressão de que tudo vai dar certo.
Pesquisas feitas com mães novatas mostram que o simples fato de ensinar como se faz o leite artificial, antes que elas saiam do hospital, reduz de maneira significativa o número de mães que amamentam com sucesso. Isso manda um sinal silencioso para essas mulheres ansiosas que elas podem falhar na amamentação. Para a mãe, com o seu primeiro bebê aparentemente vulnerável e totalmente dependente, a amamentação é uma grande responsabilidade. Nem o peito, nem o bebê dizem quanto leite está entrando. As mães tem que assumir que é o suficiente.
Existem poucas coisas parecidas com isso no mundo. Normalmente, você pode checar as informações, ou pedir um conselho, ou chegar a uma conclusão sozinha... Mas aqui é só o peito e o bebê, fazendo o trabalho deles.

Lindo, não? Toda amamentação tem momentos críticos: três claríssimos que vejo é o início, a melhora da logística aos 2~3 meses, e o desenvolvimento de sono bebê aos 4 meses.

O início tem inúmeras possibilidades: o mamilo sensível, a demora do leite, o fluxo muito forte, bebê que não sabe pegar, recém-nascido que dorme muito, irriquieto, que dorme muito ao seio, mastites, leite empedrado. Nessa fase, ainda há bastante ajuda, na maternidade as enfermeiras usualmente sabem se utilizar das técnicas.

Para a maioria das mulheres, a produção inicial é inesperada e irracional: o leite vaza, os peitos ficam estufados. Como o corpo humano não é burro, em algum ponto essa falha de percurso é corrigida, e o peito torna-se a fábrica just-in-time, perfeita. Isso assusta muitas desavisadas, que deduzem que 'seu leite acabou'. Junte isso com um bebê que chora muito (e pode ser até sono ou saudades do útero) e você tem um vendaval. Ofereça leite artificial, a feijoada versão baby, e seu bebê ficará letárgico pela digestão e aparentemente 'melhor'. Isso provavelmente acontecerá antes dos 3 meses.

E aos 4, o sono enlouquece. Seu bebê terá alguns dias que você duvida muito que sobreviverá ilesa. E a amamentação paga o pato novamente.

E agora, o que distingue a mãe que parte para o leite artificial da mãe que insiste em outras coisas? Para mim é conhecimento, apoio e confiança no corpo. E vcs, o que acham?
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Cesárea não é parto III

Passarinho me contou que foi AGORINHA pro ar uma matéria no domingo espetacular da record denunciando em que ponto está a cesárea no Brasil.

E passarinho 2 me contou que tá pra passar mais uma no JN!

Nessas horas eu queria ter TV !
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AMAmente.

Uma postagem minha do orkut.

Eu sei que ser mãe de bebê cansa. Cansa e muito, eu tenho dois e nenhum era um bebê 'calmo'. Os primeiros 4 meses dá a sensação que nunca mais poderemos fazer algo que gostamos além de ficar com o bebê. É uma fase difícil, acho que dormir de picado faz a coisa ficar esquisita. É uma fase de adaptação.

Mas é além disso uma experiência única, somos amadas pelos nossos bebês simplesmente por existirmos: parece que eles se alimentam mais do que de nosso leite, se apoiam em nossas vidas. Já li uma frase que é 'o bebê não existe sem a mãe'. O emocional do bebê no primeiro ano se apóia na mãe. É uma fase cansativa, mas divina. Nos faz perceber ali, o quanto podemos ser importantes para alguém.

Enquanto ele é novinho (antes de engatinhar), há mil coisas que vc pode fazer com ele no sling para recuperar um pouquinho da sua 'identidade'. Com o passar dos meses, anos, cada vez os filhos se distanciam mais emocionalmente dos pais.

Com três ou quatro anos, a criança 'pode' ficar longe de vc por algumas horas ou dias. Mas pergunta se você quererá ficar longe de seu filho? Coloque-se nesse lugar, mesmo que vc não amamentasse vc deixaria seu bebê com outro para sair, viajar ou alguma coisa? Mesmo que fizesse, ia ficar despreocupada? Suas prioriades mudaram. Vc ainda terá anos para voltar a fazer o que vc fazia antes de ter seu bebê. A pergunta é: vc quer mesmo?

O tempo não volta, nunca volta. Não deixe que te escondam a beleza de cuidar de uma criança. Sua 'vida social' pode voltar se vc desejar, mas vc tem todo o tempo da infância dele para retomá-la. Eu não tenho pressa, degusto uma coisa de cada vez, adapto meus passeios a meus filhos. Eu amo amamentar, vou conseguir fazer isso por tão pouco tempo. O que é dois anos perto de uma vida inteira.
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E a culpa é da amamentação.

Se a criança não engorda, a culpa é da amamentação.
Se a mãe se sente presa à maternidade, a culpa é da amamentação.
Se o bebê não dorme 1231123 horas seguidas, a culpa é do 'leite aguado'.
Se não bate um prato caminhoneiro, a culpa é o leite humano.

Inacreditável. Depois de desmamar, o bebê irá dormir sozinho, não vai sentir falta de carinho, não vai mais querer colo, vai preparar sua mamadeira sozinho a noite - claro, né, no mínimo - e começar a comer todos os inúmeros vegetais que nem deve caber no seu estômago e ainda falar obrigado. Melhor ainda é desmamar abruptamente, pro bebê se sentir logo abandonado e não torrar o saco. Se vira nenê.

Investigar rotina, alergias ou ajudar a mãe é para os fracos. O lance é desmamar logo, que é arcaico e antiquado, animalesco.

Se a criança já come pouco, porque tirar uma fonte tão rica quanto o LH? Cadê a lógica?
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De carona

Eu já falei que amo o blog das mamíferas??

Por que será que as campanhas não funcionam?


Sou obrigada a deixar aqui o link, o texto é maravilhoso. O que não toca no coração das pessoas? O que podemos fazer a respeito?

Tentarei digerir.
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Procura-se pagãs partocêntricas

Ouvir desnecesáreas e fazer cara de paisagem não é meu forte. E vou dizer que bem que tento, mas a coisa degringola, empaca aqui e eu tenho que cuspir. Tento comer pelas beiradas, falar que a pessoa não deve ter entendido direito, que a coisa deveria ter sido outra, que tem outra razão e que aquilo é fake: mas enxerga quem quer, quando quer.

Eu sei que a tal dor do parto tá na bíblia, no imaginário coletivo, mas se tem uma coisa que me irrita são as mulheres que se afirmam pagãs e idolatram suas desnecesáreas. Quer coisa mais sagrada, mas feminina, mais divina que PARIR? Que pagão decente se baseará na bíblia?

As três faces, a donzela, a mãe, a anciã. O rito de passagem da donzela para a mãe, e é deliberadamente ignorado. Idolatra-se a menstruação, a menopausa, o sexo: que algo mais forte que um parto? A Deusa em nós, a iniciação, o estado alterado de consciência, o ritual mais determinante, ciclo de vida e morte por nós.

E só vêem a cirurgia 'limpa', 'civilizada'. É pagão quem quer, mas sejamos por inteiro!

P.S. - Procurei, procurei, e ainda não encontrei =/
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