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Xiita

Ler muitos relatos de parto tem sua fraqueza: a gente fica cada vez mais exigente.
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O clero de jaleco

Como nada se cria tudo se copia, o título não é idéia minha; foi retirado do livro do Ric Jones, 'Memórias do Homem de Vidro'.

Sim, porque agora vejo claramente o quão medicalizado é a cultura brasileira, e nunca percebi antes. Como a palavra do médico nunca é questionada; como a revolução da informação pouco mexeu na nossa estrutura 'hierárquica'.

Os médicos podem se dar ao luxo de nunca se atualizarem e ainda serem vistos como autoridades máximas nos cuidados da gestante e criança. Palavra de médico é lei, mesmo que contrarie o bom senso, a sociedade brasileira de pediatria, a organização mundial de saúde, a unicef e o raio.

Como é que as pessoas não reparam que apenas porque o médico é legal/divertido, ele não possui a capacidade de conhecer em 20 minutos uma criança que os pais convivem dia-a-dia? Sem bola de cristal, claro.

As pessoas não lêem a bula?

Não é questão de se automedicar, a medicina estuda grandes patologias e etc; ninguém melhor que ele para ter melhor direcionamento das atitudes. Agora, questões comportamentais, nutricionais, emocionais, de sono, de amamentação, mil desculpas, mas eles não servem pra isso. Alguns se esforçaram e estudaram por fora, mas são minoria e é um 'plus a mais adicional': não estava na descrição do serviço.

Eu respeito médicos que se colocam em seus lugares: prestadores de serviços. Devem se atualizar; não são deuses, são pessoas que merecem o descanso dos justos. Não são responsáveis.

As crianças crescem bem com, sem ou apesar dos pediatras. E como li da Dr. Carla na GOBE, a medicina é a ciência das verdades temporárias. É uma questão de respeito se atualizar.
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Pensamentos soltos

No fim de uma sexta, uma coleção de pensamentos sem nenhuma relação (não couberam nos 140 caracteres do twitter...):

* Toda vez que chega um anúncio de nascimento pelo e-mail da empresa, já vejo clarinho: cesárea. Certeza!
* Ainda não consigo acreditar que Michael Jackson morreu. Gente, ele na melhor das hipóteses foi pra casa do Elvis. Daqui uns anos vou contar que 'no meu tempo' tinha um cara que mudou de cor....
* Mudou-se uma slinguista para meu prédio \o/ Fato é que não sou mais a 'maluca que carrega o filho nuns panos', a quantidade de malucos por m² está aumentando
* Estou me perguntando como é que minha gata teve a capacidade de manter minha diarista de refém. Estou assustada =O
* Teve gestaCuritiba ontem e eu não pude ir =/


Viu, eu tenho Twitter. Não falo nada de útil lá, mas lá sou moderada (ou finjo ao menos).
http://twitter.com/CintiaDR

Televisão

Já falei isso a várias pessoas, mas ainda causa muito espanto: sim, não há TVs na minha casa. Não é figura de linguagem não, deixa eu repetir - na minha casa, não há nenhuma televisão.

Não é nada religioso, nem nenhuma filosofia alternativa; a razão é bem simples: nosso 'algoritmo' de seleção de itens para compra simplesmente ainda não retornou uma TV. Aliás, a prioridade é baixa o suficiente para eu afirmar que pelos próximos dois anos provavelmente não teremos uma. E além disso eu teria que pelo menos ter TV a cabo, o que seria um gasto a mais. Nem é pelo preço, porque as analógicas estão em conta mas a pergunta é: para que TV?

* Para notícias - o google news/igoogle é muito melhor, afinal todos os jornais da TV são massificados pelas notícias da Reuters. Fora que tenho a meu alcance blogs específicos que mostram coisas que eu tenho muito mais interesse. Aliás, na comunidade 'anão vestido de palhaço mata 8' eu posso sim dar muitas risadas e saber as bizarrices do dia. No 'Blue Bus', notícias de publicidade. No 'SlashDot', 'Geek', 'Br-linux', notícias de informática. Nas listas de discussões e comunidades de gestantes/mamães, notícias sobre crianças. Ainda participo de uma ou outra newsletter e twitter o que me dá notícias de todos os tipos e seus comentários. Fora as notícias de cultura da BBC Brasil.
* Para entender as piadas do charges - precisa? Sempre tem alguém pra explicar, nem que seja o ego.com
* Para ver seriados, filmes, etc - Precisa de uma TV mesmo? Cinema, locadora, teatro, youtube/internet fazem as vezes e melhor: escolho o que e quando assistir. Pelos meus colegas de trabalho e fontes acima sempre surgem sugestões de coisas a assistir.
* De passatempo: na internet eu tenho voz e muito mais opções.

Nem sempre foi assim, estou nessa a quase um ano e meio. Meu primogênito não sentiu falta, não, aliás na internet ele pode ter escolher exatamente o que quer assistir a que horas assistir - uma autonomia sem igual. Fora uma coleção de joguinhos em flash. Na casa dos avós ele assiste Discovery Kids sim, pede sempre; mas levou um tempo para que ele entendesse que não temos controle da programação.

Pior de tudo, sei de tudo o que anda rolando na globo: BBB, Dalits, JN, Fantástico... Sempre rola no orkut discussões sobre as cenas das novelas, sobre as reportagens, etc. Fora isso, ouvimos no ônibus sempre sobre quem saiu do BBB, quem casou com quem; passamos na banca de jornal, no mercado pipocam revistas de 'fofoca' das 'celebridades'.

Quando a gente não tem, percebe o impacto inacreditável dela na cultura brasileira; não importa o que o SBP diz, o que a OMS recomenda, os resultados de variados artigos científicos e revisões sistemáticas: o povo só acredita que uma coisa é verdade quando passa na Globo .Foi assim com o sling na Ana Maria Braga, as técnicas do Dr. Karp no Fantástico, e mil outras coisas. Falta o parto domiciliar, a hora que a Globo abraçar de verdade, vai bombar. A hora que as novelas mostrarem de verdade parto e amamentação, o Brasil vai ser outro.

Sim, já me falaram que toda casa brasileira tem TV, então acho que minha casa fica fora do Brasil, então hehe Agora pode falar a piadinha besta - sim, arranjei filho porque não tenho TV. Se sua TV atrapalha sua vida sexual, ou vc esta achando que está com pouco tempo, jogue fora a sua também.

#prontofalei

4 anos

Sim, hoje exatamente meu primogênito completa 4 anos.
Aniversários deles me lembram até o cheiro dos partos. Será que o tempo irá apagar ou apenas modificar?

Cruzar o rio é mágico.

Depois de recolher a 'pequena' quantidade de brinquedos novos que foi devidamente espalhada por todo o meu tapete, não imagino o que faria da minha vida além de ter filhos. Nada melhor nessa vida, nada mais emocionante e completo.

P.S. - Meninas, obrigadas pelos elogios ao brógui!
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Amor materno e a quem amamos

Estive essa madrugada pensando sobre o amor materno (sim, lembrem-se que eu tenho um bebê em casa...). Não tenho dúvidas que amo meus filhos, mas pensando retroativamente, quando é que comecei a amá-los?

Podemos amar alguém que não conhecemos? Por definição, se o amor é construído dia-a-dia. Como é que podemos amar um feto que nunca olhamos nos olhos, fizemos carinho, não sabemos como gosta de ser abraçado, se gosta de dormir...

Cheguei à conclusão que amamos uma barriga. Sim, é uma barriga com vida - que chuta, amamos com intensidade os planos de futuro. Sonhamos com a perspectiva de amar alguém que virá de longe, e que aprenderemos a amar. Amamos a possibilidade de gerar vida, de ser dois-em-um, de sermos o portal do milagre da vida.

Vem o parto, e muitas de nós temos a chance de nos apaixonarmos pelo bebê. Mas não dá pra esperar muito mais que isso, porque é radicalmente diferente de amar uma barriga. Muitas vezes, madrugada afora, é apenas o senso de responsabilidade e nossa solidariedade que nos impele a consolar o bebê choroso.

E com o passar dos dias, meses, aquele bichinho-de-peito começa a interagir, e o amor vai florescendo. Mas todo o primeiro ano, vc ainda ama alguém que vc não conhece muito bem.

O primeiro aniversário é meio avassalador, de repente seu bebê é um toddler. Alguém que pouco fala, mas que tem sentimentos confusos e os expressa da melhor maneira que consegue. Amar um toddler é fácil, mas é um relacionamento conturbado, de comunicação restrita. Até perto dos 2 anos, seu filho parece uma obra em auto-construção, demolindo nossos conceitos sobre nós mesmos, aprendendo o quanto imaturos podemos ser.

E aí sim, podemos dizer que os conhecemos, e nos conhecemos melhor. E os amamos, amamos pelo que eles foram, pelo que nós nos tornamos, os amamos por toda a experiência.

Sim, nós sobrevivemos. E crescemos mais do que eles.
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Fim dos tempos /o\

Algumas coisas sempre me surpreendem.
Fiquei sabendo que no Fantástico apareceu sobre a 'síndrome da alienação parental' e no Jornal Nacional sobre a campanha da Pastoral para diminuição da 'Síndrome de Morte Súbita no Berço' - colocando os bebês para dormir de barriga para cima (seguindo a rabeira dos países desenvolvidos).

Tudo bem que levou mais de dois anos de que vejo isso no orkut! Mas é TV aberta, né?
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