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Biel, o filósofo


No carro, Biel manda:

- oh mãe, né que você usa óculos pra não ficar feia?

Cumequié??

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Hoje ele me falou:

- Mãe, né que você me ama mesmo quando eu desobedeço?
- Isso mesmo, meu amor. Eu te amo mesmo assim, mas NÃO FAÇA ISSO.
Aí ele dá risada a ainda fala:
- Ah, vou desobedecer sim...

Mereço?

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Relapsa é meu sobrenome

Admito. Sou a pessoa mais preguiçosa do planeta. Eu e o marido fazemos o mínimo necessário para que a casa só fique suja, e não nojenta. Nosso algoritmo é sempre limpar o que tá pior e fim.

Então você deduz que eu sou desencanada. Meio que ao extremo haha.

Perguntaram peso e altura dos meninos e eu não sabia. Juro gente, altura eu chutaria uns 10 cms a mais ou a menos, e o peso uns 3 quilos a mais ou a menos. Sou do tipo que não tem termômetro em casa, que avalia a febre entre 'alta' e 'baixa'. Sou do tipo que, quando a criança tá doente, vai no pediatra só pra pegar atestado.

De alguma maneira penso que eu deveria me preocupar mais, mas por esta mesma razão eu não consigo me preocupar com não me preocupar.

O ajudante

Eu lá, tentando limpar a cozinha, vem Gabriel:

'Mãe, posso te ajudar a limpar?'

Tem como não amar?
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Gabriel lê.

Chegou um dia que ele descobriu que sabia ler todas as sílabas, todos os 'lhas' e 'bris'. 'Pão', 'também'. E ficou lendo, lendo, lendo, cada outdoor.

Mas as minúsculas ainda representam um desafio, a velocidade desmotiva um pouco. Fui lá na livraria e peguei esse:
http://www.livrariascuritiba.com.br/vocebrinquebook,product,LV286163,3430.aspx

Bem bacana, lindo lindo. Uma frase pequena por frase, palavras fáceis, em maiúsculas.

Gabriel tem 6 anos. Seis anos e pouquinho de gabrielices, sendo exata. Está no 1º ano, o 1º de 9 do ensino fundamental. Conheço crianças que lêem a anos, que com 4 anos sabem ler. Nunca fiz a menor questão de ensinar antes, de adiantar essa fase tão importante que é a preparação. O cérebro muda com a alfabetização, e eu gostaria que todo o tempo anterior a isso fosse deliberadamente aproveitado.

Mas agora, Gabriel lê. Sem ajuda. Sílaba a sílaba, devorando o mundo todo.
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Leo, o biólogo

Leonardo chega com um bichinho de latéx que claramente é uma rã:

- Que que é isso?
- Uma rã
- Não, é caié (jacaré)
- Não, Leo, é uma rã!
- Não, caié.
- Tá bom, é um sapo!
- Não, é caiéeeeeeéeeeeé.
- Ok, Leo, é um jacaré.
- Caié (fazendo cara de aprovação).

É, biologia também não é o forte da mamãe....
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Mamadeira

Para M.

Usualmente eu não sou do tipo que 'acusa' complemento, porque sei exatamente que o calo aperta, que estamos sensíveis, que tudo conspira para que não consigamos amamentar. Não acuso, não acuso *mesmo* quem oferece complemento, embora que
complemento é usado como desculpa e salvação para tudo pelos médicos. Mas um problema de cada vez, né? E não vou entrar no mérito do leite artificial vs leite natural, esse tá todo mundo careca de saber.

Olha, para usar o adjetivo 'demoníaca' eu teria que acreditar em 'demônio'. Por esta definição, não, a mamadeira não é demoníaca. Ela simplesmente tem uma dúzia de contras e nenhum a favor. Oh, wait!

Vou aqui fazer uma simples comparação entre oferecer líquidos (incluindo leite artificial) em mamadeira comparados com outros métodos.


Contras:
- Bebês tendem a desaprender a sugar o seio, porque a sucção é diferente (mas PARECIDA!)
- Bebês tendem a não querer mais empregar força.
- Bebês enchem o estômago de algo que não é leite materno.
- A posição favorece otites.
- A sucção piora a arcada, atrapalha o desenvolvimento orofacial.
- A criança 'vicia' em sugar, sugando muito mais que o necessário.
- A criança começa a depender emocionalmente do objeto.
- Crianças maiores começam a gostar de assistir TV ou ir dormir com o leite na boca, causando cáries.

Gente, NUNCA vi uma criança de 3 ou 4 anos que dependa do copinho para ir dormir. Ou que só tome leite no copo com rosca. Nunca vi ter que fazer trocas de natal ou na casa da bruxa pra criancinha largar o copinho.
Mamadeira por outro lado...

A favor:

- Todo mundo ganha umas 5 na gravidez.
- O bebê consegue usar sozinho (Ai carai!)
- São mais 'práticas', ninguém tem medo de dar (uiuiuiui). Detalhe, né, que ninguém lembra que tem que insistir pro bebê aprender a pegar mamadeira e chupeta... E medo de dar mamadeira ninguém tem.


Mamadeira desmama SIM! Piora a pega, desestimula a produção, e tudo o mais. Mamadeira nunca deveria ser opção de quem pretende continuar amamentando (1 ou 2 vezes por dia, que seja). Se não aconteceu com teu filho, que bom. Ou já pensou que PODE ter ocorrido alguma coisa, que apenas não conseguimos perceber que houve sim um desvio que poderia ser evitado?

Estatística é assim, a gente olha os fatos, analisa qual o nosso lado mais provável e jogamos a sorte.
Se crianças que usam mamadeira tem mais chance de ter otite, rinite/problemas respiratórios, problemas ortodônticos, além da dependência psicológica do objeto... por que é que eu vou usar??? Mesmo que todos os artigos estejam errados, que os artigos de fonoaudiólogos/pediatras/dentistas/etc estejam com o viés errado, vale ainda pelo esforço de ter que tirar depois?


É ruim, é péssima. E não sou eu que digo isso:

Artigos:
http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0124-00642007000200004
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0021-75572006000200002&script=sci_arttext
http://www.jped.com.br/conteudo/06-82-05-395/port_print.htm
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0021-75572006000200002&script=sci_arttext


Tópicos do GVA:

http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=52101&tid=5475181539656891205
http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=52101&tid=2552037067270817991
http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=52101&tid=5515320031979371510
http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=52101&tid=5518294408490594521


http://mamadeiranuncamais.blogspot.com/
http://mamadeiranuncamais.blogspot.com/2010/12/dai-o-que-substituiria-mamadeira.html
http://mamadeiranuncamais.blogspot.com/2011/01/o-bebe-que-e-alimentado-por-mamadeira.html
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Maternidade e feminismo

Já falei disso aqui e aqui.

Uma das coisas MAIS feministas que já fiz na minha vida foi virar mãe.
A gravidez, o parto e amamentação, toda a maternagem em si, me trouxeram uma visão que nunca imaginei. Todo o processo é intrinsecamente feminino, é o poder feminino, é a força de nós mesmas. Temos que nos redescobrir, descobrir uma força que nem sabíamos.

Precisamos lutar contra uma machismo absurdo de que somos defeituosas e não somos capazes de conceber ou gestar e parir, o machismo de que 'pariremos em dores', o machismo de que não conseguiremos amamentar, o machismo de que somos obrigadas a voltar a trabalhar imediatamente para servir AOS homens. O sistema médico de obstetra/hospital/pediatra decidindo tudo na vida do bebê tira toda e qualquer autonomia da mãe (e do pai). É um sistema em que mães inseguras são alimentadas por médicos e dotôres, para as decisões mais estúpidas e variadas.

O processo de aceitar seu corpo como perfeito, de aceitar que somos TÃO capazes quanto o corpo masculino, que temos todo o direito de nos deliciarmos com o bebê pequeno, que podemos amar imensamente é de um feminismo enorme.

Para mim, não amamentar para 'não cair os peitos', ou não ficar sendo 'parasitada', dar mamadeira pra ficar 'livre', deixar chorando pra 'acostumar' ou não quer ter parto normal para não 'sofrer' é tudo pensamento machista e/ou egoísta: porque o corpo feminino é defeituoso é precisa de ajuda da medicina ou da indústria de leites pra sermos 'iguais' aos homens.  Ser mãe é uma responsabilidade biológica maior que ser pai (na primeira infância), e isso não tem o que fazer.

O único motivo mais plausível é: não querer cuidar de crianças (dã!). Não dá pra ser mãe ou pai pela metade.
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